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A admirável tecnologia alemã dos Einstürzende Neubauten ao serviço do Porto

Blixa Bargeld e comparsas levaram espetáculo singular ao palco ATP do NOS Primavera Sound. E os fãs puderam levá-lo para casa, numa pen vendida no final. Babes in Toyland discretas.

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Einsturzende Neubauten

Um silêncio solene acompanha, por parte do público, as primeiras notas que saem do palco ATP quando os Einsturzende Neubauten montam naquele espaço a sua "instalação artística". Depois de um boa noite - em português - de Blixa Bargeld, que uns fãs seus compatriotas comparam, ao nosso lado, a Don Corleone, começa a esculpir-se, à nossa frente, o tema "The Garden". Retirada do álbum Ende Neu, de 1996, a faixa evoluiu de um discreto combo de voz, guitarra e bidão, com pequenos mas dramáticos toques de sintetizadores, para um final com gritos dignos de Münch, por parte de Herr Bargeld. Quando chegámos ao palco ATP para este concerto, ainda os roadies montavam o aparato cénicos próprio dos históricos do rock industrial. Em várias línguas, comentava-se o festival até ao momento - "Kozelek foi muito bom", diz alguém, "Damien Rice estava a soar-me a Coldplay", contrapõe outrém. "Para mim a santa trilogia acaba com Ride", remata-se a certa altura. Mas, quando o quinteto germânico dá início às hostilidades, o silêncio - que, segundo título de álbum dos próprios, é sexy - instala-se e é, pelo menos na primeira metade do terreno, uma constante do espetáculo. O atento público vai, assim, vibrando de forma compenetrada com a invejável tecnologia alemã dos Einstürzende Neubauten: se na BLITZ de junho Ralph Hutter, dos Kraftwerk, diz que a sua banda faz música funk para robôs, quase podíamos escrever algo de semelhante sobre a banda de Berlim. As juntas dos Neubauten parecem, porém, mais oleadas e esdrúxulas que as dos Kraftwerk; com instrumentos mais ou menos convencionais (as fotos farão um trabalho melhor do que as palavras a descrever a parafernália de percussão em palco), o quinteto oferece sempre uma certa ordem no caos. E ora na spoken word que introduz "Dead Friends", ora na queda - propositada, claro está - de pedaços de metal ao fim de uma longa e intensa calmaria, ninguém tira os olhos do palco... nem mesmo aqueles que, conforme vimos ao nosso lado, os fecham para melhor absorverem as partículas de som produzidas pela maquinaria teutónica. "Unvollkständigkeit", "Halber Mensch" e "Melancholia" foram alguns dos temas que compuseram um alinhamento mais próximo da retrospetiva de carreira do que da apresentação do último Lament, de 2014, um álbum conceptual sobre a eclosão da I Guerra Mundial. E por falar em tecnologia, por 20 euros os fãs puderam levar para casa, no final do concerto, uma pen com o concerto gravado ali mesmo. Como dizia o anúncio, deutsche technologie.
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Há regressos e regressos e o das Babes in Toyland, figuras secundárias do grunge mais riot dos anos 90, não terá sido propriamente um acontecimento. Numa altura em que se procuram figuras tutelares por baixo da primeira pedra, o concerto do trio norte-americano no festival do Porto até produziu um efeito de alívio: não encontrámos aqui a consagração, a apoteose, mas sim uma reprodução do que terá sido a fação riot-grrrl mais agressiva, mais bojuda sonoramente in illo tempore. Fez figura? Por aqui acha-se que não. Lia Pereira Luís Guerra

Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos