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6 concertos que não pode mesmo perder no Vodafone Paredes de Coura

Festival minhoto começa hoje, com 'casa' que se anuncia quase cheia. Valores seguros e promessas da música alternativa num 'filme' sempre verde.

Slowdive 19/08, 22h30, Palco Vodafone Os reencontros após ausência prolongada podem ser lixados ("ganhaste barriga, pá", "logo tu, que tinhas tanto cabelo", "então agora só ouves a Smooth FM?"), mas também os há - poucos, raríssimos - em que só se pode dizer mesmo "caramba, estás igual, como é que conseguiste?". Foi a nossa deixa no ano passado quando os Slowdive, velhas glórias do shoegazing e da pop sonhadora do início dos anos 90, subiram ao palco de outro festival português, no Parque da Cidade do Porto, para um concerto que fez parte de uma digressão de comeback. Em Paredes de Coura, vamos ter direito a reprise e não há de ser mais um ano em cima a fazer mal aos cristalinos momentos de "Souvlaki", a obra-prima de 1993, berço dos relaxantes 'Alison' e 'When the Sun Hits'. Atente na harmonização de vozes entre Neil Halstead e Rachel Goswell. Feche os olhos. Vai resultar.
Father John Misty 20/08, 21h20, Palco Vodafone Eis-nos perante um rapaz bem-parecido, jogo de ancas capaz de rivalizar com o de Jarvis Cocker, compositor de mão cheia e uma voz daquelas que transformam tudo - mesmo um discurso de Assunção Esteves - em matéria pungente, capaz de atrair um cardume de peixes-gota (siga para o Google Images, mas com cautela). Parece fácil: Joshua Tillman era mais um cantor e compositor das modorras da vida até que decidiu vestir a pele de Father John Misty e - como se diz no futebol e nas redes sociais - dar tudo. Não somos esquisitos: é de braços abertos que recebemos hinos folk-pop literatos como 'Nancy From Now On', 'Chateau Lobby #4 (In C for Two Virgins), 'The Night Josh Tillman Came To Our Apt.', 'I'm Writing a Novel' ou 'Strange Encounter', cumes altíssimos de dois álbuns que cabem bem no coração.
Tame Impala 20/08, 23h15, Palco Vodafone A Austrália é pátria do psicadelismo pop dos tempos recentes e o estatuto deve-se, sobretudo, a Kevin Parker e parceiros - a propósito, os amigos Pond também aterraram no prado de Coura. Há três anos, "Lonerism" definiu o estado de arte do, assim o denominam, neopsicadelismo, com guitarras e sintetizadores a teletransportarem uns certos anos 70 quimicamente induzidos e a cristalizarem em viagens espaciais com princípio, meio e fim - veja-se 'Elephant' e 'Feels Like We Only Go Backwards', modelos topo de gama. Há bem pouco tempo, novo álbum chegou e não demorou a dividir o eleitorado. Kevin Parker, 29 anos, agora pisca o olho ao R&B e à synth-pop, o que - para os detratores - significa que transformou em fancaria o que antes era parcimonioso trabalho de artesão. Não duvidamos que a música dos australianos é, agora, mais 'plástica', mas o desafio de a transpor para o palco é passível de ser vencido, especialmente se pelo meio se intrometerem as glórias do passado. São contas para fazer no fim: ou os Tame Impala saem de Paredes de Coura em ombros, redimidos, ou vai passar a ser cool dizer que já não prestam.
The War On Drugs 21/08, 00h45, Palco Vodafone Se os Tame Impala são a banda de Kevin Parker, os War On Drugs - formados há rigorosos dez anos em Filadélfia - são a banda de Adam Granduciel. Relativamente discreta nos primeiros tempos de vida - dois álbuns entre 2008 e 2011 louvados sem euforias desmedidas pelo reduto indie -, o grupo chegou aos grandes palcos com "Lost In Dream", um terceiro disco com o qual caiu nas graças dos convertidos da primeira hora, mas sobretudo de uma imensidão sedenta de um rock americano dos anos 80, panorâmico q.b.. Saudades do Springsteen de mangas arregaçadas, dos Waterboys, de Tom Petty e outros que tais? Puxe do cigarro: a máquina do tempo está aqui.
Natalie Prass 22/08, 19h00, Palco Vodafone FM Farto de homens de barba de 150 dias e cabeludos com saudades dos anos 90 que tinham saudades dos 70? Paredes de Coura saberá aliviar a sua impertinência. Natalie Prass, cândida e delicada nos seus mui airosos 29 anos, liga a pop de câmara à soul e conseguiu ao seu primeiro álbum, o disco homónimo saído este ano, criar uma caixinha de música imune a todo o barulho exterior. Orquestrações opulentas, arranjos subtis e uma voz falsamente mansa fazem o que resumimos como 'música bonita' e que, ao vivo, requererá algum silêncio do lado de cá do palco. Vá, pare lá de olhar para a foto.
Woods 22/08, 19h50, Palco Vodafone Não estão em cima nos cartazes, não têm propriamente um rasto de glória por terras portuguesas (quem ouviu os discos?) e vão subir a palco ainda sob a luz do dia quando o povo estiver à espera de outros figurões (a sueca Lykke Li à cabeça). Acreditamos, contudo, que é esta conjugação de fatores que fará com que venham a ser falados no regresso a casa. Ah, claro, falta falar da música: com oito (!) álbuns no currículo, o grupo do cantor e compositor Jeremy Earl fez em "With Light and With Love" um rock tingido de folk, orelhudo até mais não ('Shining', 'Leaves Like Glass'), que tanto evoca os queridos Shins do início como a crepuscular música elétrica vinda da Califórnia. Um palpite: domingo à tarde, quando a ressaca se for, vai tudo ao Spotify procurar por 'Moving to the Left'. Sábia decisão.
Texto: Luís Guerra Foto: Rita Carmo/Espanta Espíritos Originalmente publicado no Expresso Diário