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A Sétima Legião nos anos 80. Ricardo Camacho é o terceiro a contar da direita

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Pedro Ayres Magalhães: Ricardo Camacho contribuiu para uma liberdade “de que não havia nem sombra em Portugal”

À BLITZ, o músico recorda o amigo, com quem nos anos 80 fundou a editora Fundação Atlântica. “Muito curioso e muito militante”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Pedro Ayres Magalhães lembra-se de ter conhecido Ricardo Camacho “por alturas do primeiro disco dos Heróis do Mar” (um trabalho homónimo, lançado em 1981).

Na alvorada dos anos 80, os dois estavam em estúdio, a gravar uma demo da cantora Anamar. “Era uma canção minha e ele gostou tanto que daí nasceu a nossa amizade e a Fundação Atlântica! Foi uma maqueta pródiga”, recorda Pedro Ayres Magalhães, referindo-se à editora que os dois viriam a criar, com Miguel Esteves Cardoso e Francisco Vasconcelos, entre outros.

Reconhecendo ter “muitas saudades” dessa época, o músico que deixou a sua marca em bandas tão importantes como Madredeus, Heróis do Mar, Corpo Diplomático ou Faíscas lembra que, no início dos anos 80, Portugal não tinha “nem sombra” da liberdade que se respirava noutros países europeus, e que pessoas como Ricardo Camacho - e outros “jovens autores” - contribuíram para uma mudança importante no meio artístico do nosso país.

Destacando ainda a colaboração com António Sérgio na Rádio Comercial, Pedro Ayres Magalhães descreve o amigo como “muito curioso, muito miliante e muito dedicado à música”, destacando-se como executante e também como melómano - “conhecia muita música popular dos anos 60 para cá”.

O autor de 'Foram Cardos, Foram Prosas' (canção com letra de Miguel Esteves Cardoso e voz de Manuela Moura Guedes) era também “uma pessoa discreta”, o que, para Pedro Ayres Magalhães, era “um traço cultural do nosso tempo. Na Fundação Atlântica, tentávamos evitar a exposição da imagem e o culto da personalidade. Tentávamos, por exemplo, que as mulheres fossem apreciadas pelos seus dotes artísticos e não exploradas visualmente”.

Uma homenagem a Ricardo Camacho não ficará completa, contudo, sem uma alusão aos muitos doentes que ajudou, salienta Pedro Ayres Magalhães, referindo-se ao importante trabalho como médico e investigador que o madeirense
desenvolveu ao longo de décadas.

Para ler mais sobre a vida e a carreira de Ricardo Camacho, siga este link.