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com os Sétima Legião no Coliseu dos Recreios, Maio 2012

Rita Carmo

Francisco Vasconcelos: “Ricardo Camacho ia sempre abrindo o leque de capacidades e era uma joia de pessoa”

O diretor da Valentim de Carvalho, que trabalhou com o músico nos anos 80, recorda os múltiplos talentos e a educação de Ricardo Camacho

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Francisco Vasconcelos, diretor da Valentim de Carvalho, falou à BLITZ sobre Ricardo Camacho, o músico dos Sétima Legião que hoje morreu, aos 64 anos.

Nos anos 80, e depois de trabalhar no programa Rock em Stock, na Rádio Comercial, Ricardo Camacho foi assistente de Francisco Vasconcelos no departamento de A&R da Valentim de Carvalho.

Ainda estudava e começou a trabalhar comigo na parte de Artista & Repertório Internacional“, recorda. “Ajudava-me a ouvir os discos que recebíamos, as demos, para planearmos as edições. Era meu assistente nessa área”, explica.

“Era um A&R internacional e ao fim de um ou dois anos fiquei muito admirado ao saber que também se interessava pelo repertório local”, afirma Francisco Vasconcelos, lembrando que Ricardo Camacho “ajudou no princípio da carreira do António Variações e esteve envolvido no lançamento do disco da Manuela [Moura Guedes]”.

“Nos anos 80, foi um braço direito muito importante no A&R nacional e internacional da Valentim de Carvalho”, resume.

Mas as surpresas não ficaram por aqui, acrescenta Francisco Vasconcelos.

Depois apareceu como músico, coisa que eu também não esperava. Foi de surpresa em surpresa até que apareceu a integrar os Sétima Legião, cujo lançamento também acompanhei como A&R”.

Para Francisco Vasconcelos, Ricardo Camacho “ia sempre abrindo o leque de interesses e de capacidades” mas nem por isso tinha uma personalidade exibicionista, antes pelo contrário.

“Aparecia a fazer coisas mas era de facto muito discreto. Não andava por aí a apregoar aos sete ventos as suas qualidades”, garante o diretor da Valentim de Carvalho, que salienta ainda outras virtudes do músico, produtor, médico e investigador. “
Era extraordinariamente cordato, educadíssimo – uma joia de pessoa”.

Ricardo Camacho morreu hoje, aos 64 anos, vítima de cancro no pulmão. Estava internado na Bélgica, onde vivia.