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Tim Bernardes começa hoje digressão de quatro datas em Portugal

O brasileiro traz a Lisboa, Setúbal e Espinho o aplaudido álbum “Recomeçar”. Um dos concertos tem entrada grátis

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

O brasileiro Tim Bernardes começa hoje, 14 de junho, uma digressão de quatro datas em Portugal.

Vocalista da banda O Terno, o paulista lançou, no ano passado, o álbum a solo “Recomeçar”, que lhe valeu uma nova popularidade.

Hoje, a voz de 'Quis Mudar' atua na ZDB, em Lisboa, num concerto já esgotado. Amanhã, 15 de junho, estará na Casa da Cultura de Setúbal, a 16 de junho no Auditório de Espinho e a 17 (no próximo domingo) regressa à ZDB, para uma segunda data.

Em Setúbal, a entrada é livre. Em Espinho, os bilhetes custam 8 euros (6,5 euros com desconto) e na ZDB (para a segunda data) 8 euros.

Leia aqui a crítica a “Recomeçar” publicada na revista E, do Expresso.

Nascido em São Paulo há 26 anos, Tim Bernardes não é, de todo, um debutante. No Brasil, o cantor, compositor e multi-instrumentista vem liderando, ao longo da última década, a banda O Terno, que já lançou três álbuns, o último dos quais, "Melhor do que Parece", em 2016. Do seu percurso consta ainda uma aprendizagem continuada - desde a infância - de vários instrumentos, e certamente que o facto de ser filho de músico também lhe terá emprestado familiaridade com o meio.

Não obstante este rasto generoso na música independente brasileira, "Recomeçar", o primeiro álbum a solo, chega com a força e o brilho de um cometa. Um pouco à semelhança de "Cavalo", a estreia em nome próprio de Rodrigo Amarante, que fez do carioca um nome de culto, o disco lançado por Tim Bernardes em 2017 - sem distribuição em Portugal, mas disponível nos serviços de streaming - é um daqueles trabalhos que parecem vir de outro mundo. São 13 canções fascinantes na sua insularidade, liricamente pequenas observações, tão concisas como universais, sobre a ideia de fim.

"É um disco sobre estar em busca do que se é", afirmou o autor ao "Globo". "O fim de relacionamento, mas de uma perspetiva existencial de se descobrir no mundo sem se pautar por um outro. Lidar com o término, que pode ser amoroso, mas pode ser a morte, pode ser o fim de uma estrutura." Mas o que de imediato nos agarra pelo cachaço, tornando "Recomeçar" tão imediato como inesgotável, é a voz de Tim Bernardes - algures entre a escola Caetano Veloso/Devendra Banhart e esse outro cometa, Jeff Buckley - e a atmosfera sumptuosa. Aqui, o paulista canta tudo, toca tudo, arranja tudo, rumo àquilo que define como ambiente "de filme antigo." E é assim, numa redoma de cordas, pianos e o simples violão, que 'Quis Mudar', 'Pouco a Pouco', 'Tanto Mais', 'Era o Fim' ou 'Ela Não Vai Voltar Mais' se erguem num sonho de uma beleza estonteante.

Tão devoto de Debussy como de Beach Boys ou Fleet Foxes, Tim Bernardes começou por gravar os esboços destas canções no seu telemóvel e acabou a oferecer ao mundo uma obra bela em qualquer tempo ou lugar.