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Rita Carmo

Diogo Piçarra é convidado no álbum de Isaura. Isto e 14 outras coisas que aprendemos com a entrevista à compositora de 'O Jardim'

Isaura revelou à BLITZ quais eram as suas canções favoritas do Festival da Canção, falou sobre aquilo que ambiciona na Eurovisão e avançou alguns detalhes sobre o álbum de estreia

Isaura falou com a BLITZ sobre 'O Jardim', canção que compôs e que venceu o Festival da Canção na voz de Cláudia Pascoal, e revelou quais as suas ambições para a Eurovisão e os planos que tem para depois: o álbum de estreia sai para as lojas em junho. Aqui estão as 15 coisas que aprendemos durante a conversa.

1. Falta-lhe uma canção para terminar o álbum de estreia"
Tenho uma colaboração no álbum e, portanto, estamos a gravá-la. Falta fechar isso e gravar os takes finais de duas canções… Coisas pequeninas, mas que quero fazer de forma diferente. De resto, o álbum está a ser misturado, falta metade. Não quero, mesmo, estar a mexer mais, porque já sinto que sou uma pessoa muito diferente do que era quando o fiz. Se mexer agora, vou estar a estragar"

2. Diogo Piçarra é um dos convidados do disco
"Tenho o privilégio de ter o Diogo como produtor no meu álbum, numa das canções, e é uma pessoa cheia de talento"

3. Não coloca de lado colaborações futuras com Cláudia Pascoal
"Já falámos sobre isso. Acho muito natural que colaboremos, se calhar até de formas não tão declaradas: ouvir as coisas da Cláudia, dar uma opinião, e vice-versa, isso de certeza que vai acontecer. Se vamos fazer canções juntas e cantá-las juntas, isso não sei"

4. A morte da avó fez com que o álbum tomasse outra direção
"Tinha uma ideia do que seria o meu primeiro álbum. Como queria que ele soasse e em que histórias me queria focar. Depois, de repente, porque a vida é assim, levas uma pancada grande e tens que te recompor. (...) Percebi 'OK, agora não consigo fazer canções sobre gerir o tempo ou não me apetecer ir sair à noite'. Não queria falar sobre isso… Para mim, a música é terapêutica. Estava destroçada, queria falar sobre saudades, sobre o facto de ter perdido uma pessoa que era tão importante, sobre como é que ia lidar com isso… Assumi que existia um 'lado a' com canções noutro registo, sobre o que me preocupava na altura, e fiz, então, canções sobre o que me estava na alma, o facto de a minha avó de repente ter desaparecido. ‘O Jardim’ é uma canção que compus em outubro ou novembro, na altura em que compus as últimas canções do álbum, e podia estar no lugar de uma delas… A única diferença é que é cantado pela Cláudia e está em português"

5. A melhor recordação que guarda de assistir ao Festival da Canção é a experiência familiar
"Sei que a ideia de ter a família à volta da televisão é um bocado cliché, mas tenho mesmo essas memórias. Não me lembro de canções em concreto. O que, a mim, me marcava era a energia daquilo, de nos juntarmos todos naquele fim de semana. Havia essa magia de ver a final, pelo menos. É engraçado ver como este ano, porque a música é tão pessoal, a minha família viveu muito isto. Parece que voltei a quando tinha 6 ou 7 anos e nos sentávamos lá em casa todos"

6. Sente-se mais preparada para escrever em português
"O português não te deixa mentir. O inglês permite-nos usar, às vezes, alguns artefactos para dizer as coisas de forma mais suave. (...) Se calhar, nunca teria sido capaz de partilhar uma canção como ‘O Jardim’ há uns anos. A razão pela qual fiz em português foi porque sentia – tal como no meu trabalho entendo que o inglês me ajuda a expressar melhor uma sonoridade –, que nesta canção queria falar aos portugueses, queria falar ao mundo, queria falar à minha avó, que não compreendia inglês e me estava sempre a dizer “mas porque é que escreves em inglês?”… Portanto, tinha que usar o português. Para o meu fim, era a língua que me ia ajudar a contar melhor a história"

7. Depois de participar na Operação Triunfo ficou um ano sem vontade de compor
"Saí da Operação Triunfo e estive para aí um ano em que nem sequer me apetecia compor. Foi tão extenuante... Mesmo vocalmente, tive de me reencontrar. Foi bom, porque limpei muitas coisas negativas que tinha, vícios para ultrapassar fragilidades. Em vez de fazer de forma correta, arranjava vícios para as cobrir… Livrei-me deles todos, mas depois tive de me reencontrar"

8. A hipótese de cantar 'O Jardim' ela própria estava em cima da mesa
"Se tivesse ido buscar o input de outra pessoa na produção até fazia mais sentido ser eu a cantá-la, mas acabou por ser natural fazer eu todos os passinhos e ir buscar outra pessoa no final. (...) A questão de ser uma história tão pessoal: será que era a melhor interlocutora para uma coisa que me é tão próxima? Pus essas coisas todas em cima da mesa e se calhar, se não tivesse encontrado a Cláudia, teria sido eu"

9. Ainda canta várias das canções que concorreram com 'O Jardim' do Festival da Canção
"Ando sempre a cantar várias. Achei linda a do Júlio Resende e da Catarina Miranda; a da Francisca Cortesão e do Afonso, cantada pela Joana Barra Vaz, também achei linda; a canção do Janeiro é muito bonita... A canção do Diogo Clemente, cantada pelo Peu Madureira, não é nada o meu estilo, mas emociona-me"

10. Foi convidada para participar como intérprete no Festival da Canção de 2017
"No ano passado, fui convidada para cantar por um dos compositores. Adorei a canção e fiquei muito contente com o convite. Senti 'uau, não acredito que esta pessoa me está a convidar'. Mas acabei por não aceitar porque estava a preparar [o single] ‘I Need Ya’ e tinha muitas coisas que sentia que não me iam deixar estar concentrada. Foi mesmo uma questão de gestão de tempo"

11. As canções da República Checa e da Suécia são as suas favoritas da Eurovisão. A de Israel, nem por isso
"Há uma canção a que acho um piadão, mesmo, que é a da República Checa. É assim uma coisa com muito swag, acho muito fixe. Depois, a canção sueca tem muito a ver comigo e os meus gostos pessoais. E há canções bonitas, como a da Espanha, a da Irlanda. (...) Quando ouço a canção [de Israel] penso: como é que ela vai fazer isto ao vivo? É instantaneamente o que penso… Não é das minhas favoritas, mas realmente, aquilo fica na cabeça"

12. As alterações de 'O Jardim' para a Eurovisão são uma questão de "ajuste de volumes"
"As pessoas perceberam que ia ter mais eletrónica... Não tem. É só uma questão de ajuste de volumes. As guitarras foram ajustadas, os pianos também… Estamos só a falar de volumes. Muitas pessoas nem se vão aperceber que mexi na mistura, porque são coisas pequeninas (...) Não faria sentido alterar a canção porque as pessoas a elegeram e, portanto, para mim era desconfortável tentar mudar as coisas (...) Sei que as pessoas queriam um fim mais puxado, mas o que senti foi que ao colocar um clímax ainda maior, aquela tensão que estivemos a acumular durante a canção toda chegava ali e desaparecia, porque libertavas essa tensão. Isso, para mim, não funcionava"

13. As casas de apostas não lhe interessam, mas gosta de saber o que os outros países pensam de 'O Jardim'
"Vejo as reações dos outros países à canção, porque me interessa saber a opinião de pessoas com uma cultura completamente diferente. (...) Mas a isso das apostas não ligo nenhuma. Nem se estivermos bem nem se estivermos mal classificadas, porque acho que são falsos indicadores. (...) Já são coisas de balneário. Se conversas com aquela pessoa, se não conversas, depois se os países se dão bem, se caíste em graças... Isso já são coisas que me ultrapassam e que podem desconcentrar-te"

14. A Eurovisão é uma porta para o estrangeiro
"É uma oportunidade gigante que me está a mostrar e a ensinar muitas coisas. De repente, vejo pessoas de outras nacionalidades a falar sobre o meu trabalho e as minhas canções. E a compreendê-las porque, ainda por cima, são em inglês. Isso tem sido uma surpresa agradável, mas realmente não tinha pensado sobre isso, não me preparei para isso… Podia lançar o álbum agora só porque as pessoas estão a olhar, mas acho que esse não é o foco. Queremos dar o nosso melhor e conseguir o melhor resultado possível na Eurovisão, por isso acabei por pôr o álbum em segundo plano"

15. Ficava feliz se 'O Jardim' ficasse no top 5 da Eurovisão
"Ganharmos novamente é muito difícil… Agora, eu ficava completamente maluca se ficássemos num top 5. Acho que era quase um feito histórico... porque há canções belíssimas, porque é difícil ganhar duas vezes, porque nem sempre os astros se alinham. Há canções muito bonitas, mas também acho que a nossa é boa e podemos ir lá dar luta. Sei que ganhar depende de tantas coisas que se ficássemos num top 5 se calhar também ia para o Marquês celebrar"