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«Desta vez não queria uma coisa folk, se calhar queria voltar um bocadinho ao meu primeiro disco, que era uma coisa mais clássica», Rita Redshoes

Rita Carmo

“Muito menos discos vendidos, menos concertos, menos pessoas nos concertos”. O “despejo mental” de Rita Redshoes

A artista portuguesa, que este fim de semana ganhou - juntamente com Paulo Furtado - um prémio Sophia, assume-se “confusa” com o momento atual da sua carreira e desabafou num “texto longo”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Redshoes, que há poucos dias foi galardoada com um prémio Sophia para Melhor Banda Sonora, pelo trabalho desenvolvido com Paulo Furtado para o filme “Ornamento e Crime”, escreveu um longo texto no Facebook, desabafando sobre o atual momento da sua carreira.

“É uma espécie de despejo mental que ajuda à minha sanidade. Não façam 'like' se não lerem até ao fim”, começou a cantora e compositora por pedir.

Referindo-se ao prémio ganho com Paulo Furtado, a portuguesa reconhece: “fiquei realmente feliz e estaria a ser pouco sincera se não assumisse que soube mesmo bem, sobretudo nesta altura do campeonato. Do meu campeonato”.

Numa altura em que o seu primeiro álbum a solo, “Golden Era”, completa dez anos, Rita Redshoes confessa-se “confusa” com a sua carreira e “com a forma como a indústria musical tem reagido às transformações tecnológicas mas sobretudo às da própria sociedade. Sinto-me confusa com a sociedade. Sinto-me, mais do que nunca, fora do barco. Não desgosto da sensação mas tem dias em que é solitário”.

Ao olhar para trás, Rita Redshoes considera que teve “a sorte e alguma astúcia” de “firmar um nome e conquistar algum público” ao primeiro disco. “Costumo brincar dizendo que a partir daí foi sempre a descer. E na verdade, se falarmos em números, como agora parece ser o que conta, foi. Muitos menos discos vendidos, menos concertos, menos pessoas nos concertos”.

A artista, que em 2016 lançou o álbum “Her”, lança então várias explicações possíveis para o fenómeno observado: “A minha música tornou-se pior? A minha música conta histórias que neste momento poucos querem saber ou não se adaptou às sonoridades homogéneas das rádios? É a minha postura enquanto artista que afasta o público? Será a minha música pouco imediata e demasiado trabalhosa? Será o gosto das pessoas apenas moldado por aquilo que repetidamente lhes dão? Já não sou novidade, passei a ser da casa, e como tal, o encanto e curiosidade são menores?”.

Rita Redshoes partilha ainda que, entre “algumas teorias, amarguras e desilusões”, acabou por concluir que o sucedido “faz parte do processo. E quanto mais longo é o percurso mais difícil se torna, e ainda mais no nosso país”.

A autora de “Life Is a Second of Love” despede-se prometendo “lutar pela inocência” que em tempos teve, continuar a trabalhar e “aceitar que os tempos mudam, nem sempre para melhor, mas mudam e que é provável que eu não esteja a acompanhar o que se passa”.

Leia aqui a mensagem na íntegra de Rita Redshoes, que recebeu comentários de apoio de vários fãs e também de companheiros de profissão, como Paulo Furtado ou Ana Bacalhau.

Recentemente, Rita Reshoes deu voz ao tema 'Waltz For Lovers', dos Happy Mess, que em abril lançam um álbum do mesmo nome.