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Anton Corbijn

Porque são os U2 a maior banda do mundo

Editorial de Miguel Cadete, diretor da BLITZ, na revista especial exclusivamente dedicada aos U2. Já nas bancas

A discussão sobre de quem é a maior pilinha não é exatamente o meu cup of tea. Mas se na capa desta publicação está escrito que os U2 são a maior banda do mundo é porque também há razões para que assim seja.

Vamos aos números. Entre 2009 e 2011, Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton levaram por diante aquela que é a digressão mais proveitosa de sempre, se é que isso pode ser medido em dólares. No total, os U2 faturaram 736 milhões de dólares, algo que, a preços de hoje, perfaz a quantia de 650 milhões de euros. Nunca ninguém conseguiu levar a máquina registadora a esse extremo. Ao todo foram 110 concertos nos quais estiveram presentes mais de sete milhões de pessoas, outro record do mundo.

É óbvio que só faz sentido desfiar estes números por existir alguém que concorre no mesmo campeonato. Esse alguém também pode ter o epíteto de maior banda do mundo, mas por outras razões. Chamam-se Rolling Stones, mas a verdade é que se ficaram pelos 558 milhões de dólares, entre 2005 e 2007, quando levaram aos estádios da digressão A Bigger Banger Tour 4 milhões e 680 mil espectadores ao longo dos 144 concertos. Muito menos do que aquilo que os U2 conseguiram na digressão 360º. Mas deixemos os números de parte.

As comparações só fazem verdadeiramente sentido porque, apesar de disputarem o mesmo campeonato, tudo o resto divide estes dois nomes incontornáveis da história da música rock. Em 1968, os Stones apresentaram-se ao mundo como sendo simpatizantes do diabo. Em 1983, os U2 começaram a conquistar uma plateia cada vez mais global com “Sunday Bloody Sunday”, uma canção que tentava – palavra de Bono – imiscuir a celebração da Páscoa na contenda que então dividia a católica Irlanda.

Não foi um acaso. Desde o distante primeiro álbum que os U2 marcaram paulatinamente a sua carreira pelo debate político. Irlanda primeiro. A América depois. A Europa, já depois da queda do Muro de Berlim e, enfim, a cidade global que perdura até aos dias de hoje. Dos Rolling Stones não se ouve pio quanto a questões políticas: afinal, a luta deles é outra, pois desfraldar a bandeira do rock’n’roll por tantos anos não oferece espaço para muito mais.

Voltemos aos números. Não será disparatado dizer que o vocalista dos U2 apertou a mão de ilustres Chefes de Estado mais vezes do que aquelas em que Mick Jagger fez juras de amor eterno. E nem é preciso acrescentar que esta contabilidade inclui uns tantos sumo pontífices. Porque o curioso é sabermos que, nos dias de hoje, o diabo está em toda a parte e não só nos detalhes. Mas que é a ideia do Bem, tal como é defendida por Bono, aquela que é capaz de gerar uma receita maior.

Quando, a 16 de setembro, os U2 regressarem a Portugal para apresentar o espetáculo eXPERIENCE + iNNOCENCE terão passado 36 anos desde que o “bando dos quatro” aterrou pela primeira vez neste país para um concerto em Vilar de Mouros. Desde então, tudo mudou na vida neles e, já agora, na nossa. Nesse dia, enquanto atuava no pai de todos os festivais portugueses, o cantor recitou ao microfone o seu número de telefone, convidando o público a ligar-lhe para casa. Ainda não imaginávamos o que seria um telemóvel ou um smartphone, mas hoje já sabemos que em setembro, na Altice Arena, estará montado um ecrã com trinta metros de comprimento capaz de transmitir imagens com uma qualidade tecnológica insuspeita, certamente melhores que a realidade. O mesmo espetáculo, da mesma digressão, terá já sido apresentado 35 vezes só este ano. Mas o caminho ainda será longo. O percurso só termina dois meses depois, quando eles regressarem a casa, em Dublin, na Irlanda. Terá sido por acaso?

Originalmente publicado na edição especial da BLITZ exclusivamente dedicada aos U2, já nas bancas