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Rita Carmo

Vender legalmente bilhetes a amigos ou chorar à porta com ingressos falsos?

O Talkfest'18, fórum anual sobre festivais de música, decorreu na sexta-feira passada em Lisboa e uma das conferências debruçou-se sobre os problemas que afetam a venda de bilhetes

O Talkfest, fórum internacional de festivais de música, decorreu no final da semana passada no Museu das Comunicações, em Lisboa, e a BLITZ assistiu, entre outras conferências, à discussão sobre mercado primário versus mercado secundário de venda de bilhetes.

Numa conversa que passou também, obviamente, pelo mercado negro de revenda, foram quatro os intervenientes que deram a sua visão da problemática, falando sobre as novas formas de vender bilhetes e também o modo como se pode tentar controlar a revenda de ingressos a preços inflacionados.

"Inovar não é um desafio, porque temos muitas ideias", começou por assegurar o francês Antoine Biehler, da Paylogic, empresa de venda de bilhetes presente em mais de 30 países. O gestor de projeto diz que Portugal é um caso "interessante" e "um desafio" porque "é preciso apostar no marketing para aumentar as vendas online".

Biehler dá a Holanda como exemplo de um país onde os ingressos para festivais são praticamente todos vendidos em plataformas digitais. Ressalva, no entanto, que essa questão depende do público alvo do evento: "as pessoas mais velhas tendem a querer o bilhete físico. Isso é um outro desafio".

Yonas Blay, da empresa britânica Festicket, por seu lado, defende que "o maior desafio são as organizações e indivíduos que tentam fazer dinheiro no mercado negro". "Há gente a fazer muito dinheiro às custas de promotores e artistas, revendendo bilhetes a preços muito superiores. Quando os espetáculos esgotam, surgem bilhetes a preços astronómicos quase automaticamente".

Debruçando-se sobre o caso português, Emília Simões, CEO e fundadora da Last2Ticket, começa por dizer que o mercado nacional não tem "mexido" muito: "há cinco bilheteiras online. Não há muitos players novos". "Quando comecei percebi que estava a competir com empresas maiores e tivemos de jogar um jogo diferente", continua, "além de festivais, trabalhamos com áreas muito diferentes, como moda ou conferências".

A responsável da bilheteira portuguesa diz que para "criar plataformas anti-fraude estáveis" é necessário um grande investimento, quer em termos de dinheiro quer em termos de tempo, mas acrescenta que há formas de tornar mais "atraentes" os ingressos digitais: "podemos personalizá-los com fotografias ou outras informações ou mesmo criar bilhetes que também são crachás".

Quanto ao mercado secundário de venda de bilhetes, Emília Simões diz que "ainda é cedo" para falar disso em Portugal: "maior parte das promotoras ainda é muito conservadora. Acham que é ilegal".

Fala-se, então, de festivais esgotados que chamam a si a revenda de bilhetes dos clientes que adquiriram ingresso mas que, por qualquer razão, não podem ir ao festival. Paulo Amaral, do NeoPop e parceiro do BPM Festival, diz que "é importante para as pessoas saber que aqueles bilhetes têm o aval do promotor. Dá mais segurança e é uma forma de controlar o mercado negro".

"Às vezes, as pessoas compram no mercado negro e ficam a chorar à porta porque o esquema é descoberto e nem sequer há forma de o promotor ajudar porque o evento está esgotado", continua, "isso é uma grande preocupação quando temos, por exemplo, pessoas que vêm do estrangeiro com bilhetes falsos".

Acreditando que "o futuro são os bilhetes digitais", diz que "o grande desafio vai ser controlar as fraudes e os hackers". Dando o BPM como exemplo, explica que as vendas são praticamente todas online: "no próximo mês vamos lançar uma plataforma através da qual as pessoas vendem bilhetes aos amigos". Refere-se à Verve, empresa inglesa que fornece serviços de venda "boca a boca". "Pareceu-nos interessante", acrescenta, "quem consegue vender ganha prémios, entre outras coisas".

Salientando a segurança anti-fraude das plataformas de venda de bilhetes digitais, "têm de ser estáveis", Paulo Amaral defende ainda que as maiores queixas com as quais se deparam surgem nas lojas físicas: "porque a impressora avaria ou porque o empregado não sabe dar informações sobre o festival".

O responsável do NeoPop revela que 35 a 40% das vendas de bilhetes para o festival decorrem online e muito no início do processo. "O festival é em agosto e em setembro começamos a vender bilhetes, exclusivamente online, para o ano seguinte. E corre bem".