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O segredo de um dos maiores festivais do mundo passa pelo trabalho voluntário, afirma em Lisboa a diretora do dinamarquês Roskilde

Signe Lopdrup explicou no Talkfest'18 a natureza não lucrativa do maior festival de música do norte da Europa

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Em 2018, o festival de Roskilde realiza-se pela 48ª vez. Ao longo de oito dias, 180 artistas passarão por oito palcos, atuando para cerca de 100 mil pessoas. O sucesso do festival dinamarquês, que é o maior evento do género no norte da Europa, foi o tema da apresentação de Signe Lopdrup, diretora de Roskilde, na passada sexta-feira, no Talkfest.

No conjunto de conferências que se realizou no Museu das Comunicações, em Lisboa, a empresária começou por recordar o percurso do festival de Roskilde, da primeira edição, em 1971, organizada por dois estudantes inspirados por Woodstock, até ao estatuto de um dos gigantes do circuito europeu de festivais.

O que poderá ser desconhecido do público, e que Signe Lopdrup fez questão de salientar, é que o festival de Roskilde é um evento não lucrativo (non profit), com um objetivo “humanitário”.

“Desde 1972 que todas as verbas são entregues a organizações de caridade”, revelou a responsável do festival, explicando que as associações de ajuda a jovens estão habitualmente entre as mais beneficiadas.

“Não fazemos o festival para ganhar dinheiro ou apenas por amor à música, mas para deixar uma marca no mundo e motivar as pessoas”, frisou ainda, referindo também as preocupações ambientais do evento.

Na base do sucesso de Roskilde está, segundo Signe Lopdrup, a ideia de comunidade, que assenta no trabalho voluntário.

Atualmente, no festival trabalham anualmente cerca de 30 mil voluntários e 65 funcionários, incluindo este número pessoal contratado e estagiários.

Os voluntários são o coração do festival”, ilustrou a CEO, revelando que entre os mesmos se encontram pessoas que, no resto do ano, exercem as mais variadas profissões, como as de advogado ou polícia.

Não temos um diretor artístico, mas sim voluntários em todo o mundo que veem e escolhem as bandas”, acrescentou ainda.

Segundo Signe Lopdrup, na estrutura de Roskilde coexistem a Roskilde Festival Charity Society, que organiza o festival, e a Roskilde Festival Foundation, que trata da segurança do evento e da parte logística; as verbas angariadas pela fundação não seguem na íntegra para caridade.

Quanto ao público que anualmente acorre a Roskilde, a idade média dos espectadores é de 24 anos. 89% são dinamarqueses, com boa parte do restante público a chegar dos países vizinhos, Noruega e Suécia. Dantes, a representação de outros países na plateia era maior, facto que Signe Lopdrup explica com a existência, em 2018, de muitos mais festivais no resto do mundo.

A aposta na contratação de artistas que nunca estiveram em Roskilde, ou que nunca atuaram na Dinamarca, é outro dos motes do festival, que no que toca à música - e às outras artes que também abarca - tenta sempre “dar às pessoas algo de que elas não sabiam que iam gostar”.