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Rita Carmo

“Em Portugal temos de ser realistas”. O que nos disse Isaura quatro meses antes da vitória no Festival da Canção

Calma mas decidida, a autora da canção vencedora do Festival falou em novembro à BLITZ sobre o novo álbum e o amor pela música

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Aos 11 anos, Isaura começou a tocar guitarra e ganhou o gosto pela escrita de canções. Estreou-se em 2014 com o single 'Useless', no ano seguinte o EP "Serendipity" confirmou-a como promessa da pop eletrónica nacional e encontra-se neste momento a preparar o primeiro longa-duração, que tenciona editar na primeira metade de 2018. "Finalmente, encerrei o conceito do álbum", explica, "vai estar dividido em duas partes, o lado a e o lado b, e, no meio, terá uma espécie de interlúdio, uma zona neutra que as separa".

Quando começou a trabalhar no projeto, há um ano e meio, pensava que o disco seguiria um caminho mais uptempo, "mas muita coisa mudou, inclusivamente na minha vida pessoal, e acabei por perceber que já não estava a conseguir ser fiel a esse conceito de canções um bocadinho mais para cima. Comecei a escrever coisas mais nostálgicas e melancólicas, e muito saudosistas, outra vez". O single 'I Need Ya', editado há poucos meses, integrará o tal "lado a" e encontra-se agora "a compor as canções que fazem parte do lado b. São sonoridades muito diferentes e a minha preocupação é fazer com que tudo faça sentido. Como a história é tão verdadeira, acho que vou conseguir".

Apesar de assumir que o processo de construção de um álbum é "inevitavelmente solitário", avança que o trabalho com diferentes produtores – cujos nomes ainda não quer divulgar – lhe trouxe "novas conquistas": "a música é um processo tão meu, é muito a minha terapia, essa parte do processo, da criação, acaba por ser sempre muito solitária, mas noto uma maturidade diferente em mim no que diz respeito à produção e à forma como deixo os outros encaixarem-se no que estou a fazer". Isaura reflete também sobre a maior responsabilidade que um álbum acarreta, "para mim, um EP é um conjunto de canções, mas um álbum é uma história, algo que vejo como mais do que umas canções que até ficam bem ao lado umas das outras. É suposto as pessoas ouvirem um álbum e, no final, conhecerem-te um bocadinho melhor".

Paralelamente à música, a artista mantém um emprego "convencional", algo que não tem sido fácil de conjugar. "Felizmente, posso trabalhar a partir de casa. Se sentir que tenho uma ideia e quiser fazer algo com ela, nada me impede de o fazer e terminar o trabalho mais tarde. Tenho essa liberdade". Esse "malabarismo" deixa-a cansada, mas prefere manter as coisas assim, "a partir do momento em que tenha de colocar na música a pressão de ter um ordenado no final do mês, não estou certa de que o meu amor pela música continue o mesmo. No mundo ideal, talvez um dia pudesse fazer só música, sem me preocupar com dinheiro e mantendo o meu amor por ela intacto. Mas, em Portugal, temos de ser realistas".

Em 2010, participou no concurso de talentos Operação Triunfo e prepara-se para voltar aos holofotes televisivos como compositora de uma das canções concorrentes ao Festival da Canção. "Já comecei a escrever algumas coisas. Não sei se alguma delas será 'a ideia' nem tenho intérprete ainda… Preciso de encontrar a alma de alguém que vá contar essa história. Talvez não faça uma coisa tão eletrónica quanto o que tenho feito no meu trabalho… e a outra dúvida é se o faço em português ou inglês. Gosto muito de escrever em português, portanto talvez aproveite a oportunidade".