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O 'filme' da final do Festival da Canção até agora, canção a canção. Já todos cantaram, vamos a votos

O Multiusos de Guimarães já ouviu as 14 canções a concurso e a BLITZ faz a análise de todas as atuações. Agora é a doer

A final do Festival da Canção está a decorrer no Multiusos de Guimarães. Terminou há pouco a apresentação das 14 canções a concurso, de entre as quais sairá muito em breve a representante portuguesa na Eurovisão, cuja final decorrerá na Altice Arena, em Lisboa, a 12 de maio.

Com apresentação de Filomena Cautela e Pedro Fernandes e transmissão em direto na televisão do estado, o desfile de canções começou com 'Sem Medo', de Rui David, e terminou com 'Só Por Ela', de Peu Madureira.

Saiba como correu a noite, canção a canção:

1. 'Sem Medo', Rui David
Já havíamos dito algo parecido na primeira semifinal: se não soubéssemos que é Jorge Palma o autor da música e da letra, tê-lo-íamos adivinhado em menos de 10 segundos. 'Sem Medo' é Jorge Palma 'vintage', parecendo provir dos mesmos tempos de 'Frágil' e 'Deixa-me Rir'. Rui David não se distancia do registo de Palma, opção que pode favorecê-lo. Não é uma canção superlativa, não será candidata aos primeiros lugares, mas o intérprete parece muito mais seguro do que há duas semanas.

2. 'Mensageira', Susana Travassos
Com música e letra de Aline Frazão, Susana Travassos canta, com timbre algo anasalado, uma bonita canção com motivos marítimos que, em boa hora, foi repescada para esta final. As cordas e o piano conferem uma sobriedade talvez pouco festivaleira numa era pré-'Amar Pelos Dois' a uma canção que poderá perder força no televoto.

3. 'Sunset', Peter Serrado
Luso-canadiano, Peter Serrado faz a tripla: compõe, escreve e canta a única canção em inglês do certame, pop/rock para viagem em estrada americana, com voz rouca e nasalada entre Dylan e Springsteen. A toada algo mansa e um pouco datada (tem um carimbo 'middle of the road' dos anos 90) não vai deixá-lo nos lugares cimeiros da tabela. Falta-lhe tempero.

4. 'Zero a Zero', Joana Espadinha
Aparentemente nervosa, Joana Espadinha não consegue fazer a sua voz sobressair numa 'Zero a Zero' muito pop, composta por Benjamim (Luís Nunes), uma das canções mais 'orelhudas' do concurso à qual falta alguma definição vocal nos versos (o registo grave de Espadinha parece sempre pouco colado ao instrumental), almejando contudo segurança no refrão.

5. 'Voo das Cegonhas', Lili
Aparato eletrónico numa canção que Armando Teixeira (Balla) compõe para a voz entre o pueril e o operático de Lili. A melodia é simples, mas o embrulho instrumental algo complicado. Não deixa marca.

6. 'Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada', Catarina Miranda
Catarina Miranda deu-se a conhecer como Emmy Curl, cantando em inglês. Nesta composição de Júlio Resende para uma letra de Camila Ferraro, a voz doce da transmontana adequa-se facilmente à toada delicada dos versos, mas mostra algumas dificuldades nas notas altas do refrão. A canção é boa, os aplausos são muitos e, apesar dos percalços vocais (nervos, nervos), Catarina Miranda pode ficar bem classificada.

7. 'Anda Estragar-me os Planos', Joana Barra Vaz
Joana Barra Vaz canta letra de Francisca Cortesão e Afonso Cabral e letra da primeira. A guitarra 'americana' gentilmente dedilhada confere a esta canção uma atmosfera especial e diferente do que ouvimos até agora. As cordas, apropriadíssimas, elevam ainda mais 'Anda Estragar-me os Planos', provavelmente a mais bem burilada canção do festival. Merece sorte.

8. 'Amor Veloz', David Pessoa
David Pessoa dá voz a uma canção 'soulful' de Francisco Rebelo (Cool Hipnoise, Cais Sodré Funk Connection), com letra de Márcio Silva. 'Amor Veloz' tem um lado lounge, easy listening, indesmentível - os contornos são atualizados pela eletrónica 'cool' de final dos anos 90. É 'smooth', tropical, pede um cocktail - não um festival.

9. 'Patati Patata', Minnie & Rhayra
Paulo Flores pede "um mundo de amor" e Minnie & Rhayra trazem calor africano a Guimarães. Falta às nervosas jovens vozes alguma espessura. O favoritismo mora noutros lados.

10. '(Sem Título)', Janeiro
"Quero que as pessoas vão para a minha canção sem qualquer filtro". Sem filtro e sem artifícios é o que Janeiro, autossuficiente na defesa de uma canção sem título. Voz e guitarra, intimidade máxima. O pouco aparato soa a opção deliberada para manter o holofote na canção e o efeito é plenamente conseguido. Se Janeiro não sair desta noite com o galardão máximo terá falhado por pouco.

11. 'Bandeira Azul', Maria Inês Paris
Tito Paris faz a música, Pierre Aderne a letra. Cabo Verde, Brasil e Portugal, na voz de Maria Inês Paris, 21 anos e uma das interpretações mais seguras da noite. Falta fogo à canção, mas a culpa não é dela.

12. 'Para Te Dar Abrigo', Anabela
Anabela, vencedora do Festival há 25 anos, traz mais lusofonia (via sertão afadistado) ao Festival numa canção bem gizada de Fernando Tordo com letra de Tiago Torres da Silva. Seguríssima, Anabela canta sem mácula. Voltamos a sublinhar o que já escrevemos aquando da primeira semifinal: se à canção falta um clique vitorioso, a interpretação de Anabela é irrepreensível.

13. 'O Jardim', Cláudia Pascoal
É uma das favoritas à vitória e, na sua combustão lenta, 'O Jardim' tem de facto predicados para chegar longe. Isso deve-se não só ao instrumental eletrónico cuidado como à interpretação sempre na iminência de falhar (é estilo, e bem conseguido) mas a aguentar-se estoicamente de Cláudia Pascoal. Com letra (tocante) e música de Isaura, 'O Jardim' é uma canção moderna, simples e eficaz. Precisará do televoto para concretizar os seus maiores auspícios.

14. 'Só Por Ela', Peu Madureira
Não é bem um fado, mas esse é o parâmetro vocal de Peu Madureira, figura de recorte clássico e timbre límpido que faz recordar Frei Hermano da Câmara. As cordas conferem uma solenidade calorosa a uma canção que há uns anos seria apelidada de tremendamente anti-festivaleira, mas que hoje parece tocar os nervos certos. Já era favorita à primeira, parece-nos ainda mais favorita à segunda. Terá, suspeitamos, a concorrência de Janeiro, Cláudia Pascoal e Joana Barra Vaz.

Enquanto as votações decorrem, tem lugar uma homenagem às Doce, com direção musical de Moullinex, e outra a Simone de Oliveira, a cargo de Nuno Feist. Bem perto das grandes decisões Luísa Sobral apresentou ao vivo um inédito acústico intitulado "Maria do Mar".

A decisão ficará nas mãos do público e de 7 painéis de júri regionais (Norte; Centro; Lisboa e Vale do Tejo; Alentejo; Algarve; Açores; e Madeira). A votação feita por televoto representa 50% e a soma das votações dos júris regionais os outros 50%. Se no fim da soma de votos houver um empate no primeiro lugar, vencerá a canção mais votada pelo público.