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Festival da Canção, a primeira semifinal: os vencedores e o resumo da noite

São conhecidos os primeiros finalistas do Festival da Canção. Foi assim que aconteceu

São conhecidos os primeiros finalistas do Festival da Canção. As sete canções eleitas na primeira semifinal, realizada neste domingo, irão disputar a final juntamente com os apurados na segunda semifinal, que terá lugar a 25 de fevereiro.

1. "Só Por Ela", Peu Madureira
2. "Sem título", Janeiro
3. "Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada", Catarina Miranda
4. "Pra Te Dar Abrigo", Anabela
5. "Anda Estragar-me os Planos", Joana Barra Vaz
6. "Zero a Zero", Joana Espadinha
7. "Sem Medo", Rui David

A primeira semifinal, que contou com apresentação de Jorge Gabriel e José Carlos Malato, começou com uma breve homenagem a Madalena Iglésias, vencedora do Festival de 1966 (com "Ele e Ela"), falecida este ano.

O primeiro intérprete a subir ao palco foi Bruno Vasconcelos, dos Ultraleve. Com letra de Samuel Úria e música de Nuno Rafael, "Austrália", canção de recorte clássico com "wall of sound" reminiscente dos anos 60, é berço de versos inspirados como "quem coala consente", mas a voz não está à altura do aparato.

Rui David cantou Jorge Palma. Mesmo que não soubéssemos teríamos adivinhado: "Sem Medo" é Jorge Palma dos sete costados. A falta de distância em relação à "matriz" prejudica-o.

A música popular brasileira chega pela voz de Beatriz Pessoa, composição de Mallu Magalhães, que também acompanha a intérprete à viola e nos coros. "Eu Te Amo" é amor mansinho e sem atropelos. Pressentia-se alguma fortuna na votação.

Fernando Tordo compôs para Anabela "Para Te Dar Abrigo", uma canção que começa por parecer à Tordo e, surpreendentemente, mergulha na música sertaneja de além-mar. A canção não será porventura a mais inspirada do festival, mas Anabela terá uma das interpretações vocais mais seguras.

Júlio Resende fez a música de "Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada" para Catarina Miranda (mais conhecida por Emmy Curl). A toada é "smooth", pouco festivaleira, mas sem grandes defeitos. A eleição pareceu-nos uma surpresa.

Benjamim fez para Joana Espadinha a canção mais pop do festival. O instrumental, mais sintético do que a concorrência, resulta pouco vincado no playback, mas a interpretação vocal é firme e a canção merece passar. “Se é para perder então porquê cantar?”. Verdade.

Janeiro é a escolha de Salvador Sobral. A canção não tem título. Voz e guitarra no momento de maior intimismo desta meia-final. Janeiro, intérprete e compositor, é o Salvador Sobral de 2018, hipster qb com canção contracorrente. “De que servem dez Lisboas se me sinto no deserto?”, pergunta-se na letra. Tem o espírito dos tempos a seu favor.

José Cid, intérprete e compositor, defende "O Som da Guitarra É a Alma de Um Povo", o cliché da noite. Uma canção à Cid ao piano com guitarras portuguesas, caravelas, Angola, Timor, Zeca, Camões e Pessoa. Não estamos nos anos 80 ou 90: o seu fado será ficar pelo caminho.

Francisca Cortesão fez a música, Afonso Cabral a letra, a voz é de Joana Barra Vaz. Há bonitas cordas em "Anda Estragar-me os Planos", canção que - cedo se percebe - tem carimbo de passagem à final, feito que seria impossível em edições de maior folclore.

Peu Madureira faz de Camané num fado orquestrado composto por Diogo Clemente. "Só Por Ela" agarra-se à alma nacional sem exageros à Cid e joga os trunfos certos. É a canção mais votada da noite mas - atenção - não está aqui nenhum ás da Eurovisão.

De Rita Dias, cantora e intérprete, chega-nos "Com Gosto", a meta-canção do festival, que reflete sobre o próprio Festival da Canção e algumas das canções e intérpretes mais emblemáticos da sua história. Fá-lo em quase bossa nova, com piscares de olho a Adelaide Ferreira e Anabela, "Flor de Verde Pinho" de Carlos do Carmo, "A Festa da Vida" de Carlos Mendes e outros feitos. É o que os ingleses chamarão de "gimmick" - e esgota-se nele.

JP Simões traz "Alvoroço", canção que se auto-sabota no final. Uma boa orquestração, Brasil, metais soul 70s - tudo certo e empolgante -, mas uma voz demasiado mascarada (pelo menos na transmissão televisiva) e um remate demasiado confuso para os apetites do televoto.

Maria Amaral, que ganhou notoriedade no programa "The Voice", traz uma composição de Paulo Praça intitulada "A Mesma Canção". O título ganha sentido porque, a dada altura, a canção parece mesmo a mesma: outra que ouvimos, noutras paragens, há uns tempos atrás. Traída pelos nervos, Maria Amaral desafina vezes demais. Mal termina, sabe que a noite não será de glória.

Entre as atuações e a divulgação dos resultados houve um momento musical de homenagem a Carlos Paião, com vozes como Jorge Benvinda (Virgem Suta) e Marlon (de Os Azeitonas), entre outros.

Recorde-se que a RTP lançou um repto a 22 compositores, aos quais se juntaram Salvador Sobral, vencedor do Festival e da Eurovisão em 2017, dois autores que responderam ao concurso promovido pela RDP e outro selecionado pelo júri do programa “Master Class” da Antena 1: todos escolheram os intérpretes das suas canções; alguns compositores são, eles mesmos, os intérpretes.

Do júri, presidido por Júlio Isidro, fazem parte músicos, compositores e divulgadores .Ana Bacalhau, Carlão, Luísa Sobral e Sara Tavares, a radialista Ana Markl, o jornalista Mário Lopes e os compositores Tozé Brito e António Avelar Pinho foram os jurados. O voto do júri é combinado com o do público, através de votação telefónica.

A música continua dia 25, na segunda semifinal. A final onde se decidirá quem representará Portugal no festival da Eurovisão realiza-se a 4 de março, no Pavilhão Multiusos de Guimarães.