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Cardi B

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“Bodak Yellow” transformou-a na rapper do momento. Efervescente e desconcertante, quem é afinal Cardi B?

Ex-stripper, começou a dar que falar no 'reality show' “Love & Hip-Hop”. Hoje é uma das maiores promessas do rap e conseguiu deixar o apresentador Jimmy Fallon sem reação

O facto de o percurso de vida de Belcalis Almanzar, que responde pelo nome artístico Cardi B, não ser propriamente um mistério não nos impede de olhar para a rapper norte-americana como um pequeno grande enigma. A atitude assertiva que espelha em rimas tão diretas e aguçadas quanto “I'm a boss, you a worker bitch/I make bloody moves” ou “I know they're tired of me/Honestly, don't give a fuck/'Bout who ain't fond of me” (do sucesso “Bodak Yellow”) e as tiradas cómicas que deixaram, recentemente, o apresentador Jimmy Fallon sem reação durante a entrevista que lhe fez para o seu talk show contrastam com a seriedade com que a ouvimos falar sobre o facto de ter sido vítima de violência doméstica e de isso a ter levado a clubes de striptease ou sobre as inseguranças de imagem que esse trabalho lhe trouxe.

Nascida (há 25 anos) e criada no Bronx, em Nova Iorque, filha de pai dominicano e mãe oriunda da ilha caribenha de Trinidade e Tobago, Cardi B trabalhou num supermercado de Manhattan até ter decidido virar-se para o strip com apenas 19 anos. “Vivia com o meu ex-namorado, e a mãe dele, e ele batia-me. Tive de abandonar a escola”, explicou a rapper numa entrevista ao site VladTV, “[consegui sair daquela situação] a fazer strip, a ganhar o meu próprio dinheiro. De que outra forma conseguiria sair se só fazia 200 dólares por semana? Era impossível”. A artista considera mesmo que o striptease lhe salvou a vida: “as pessoas acham que é uma coisa negativa, mas salvou-me de muita coisa. Quando comecei a fazer strip voltei para a escola”.

Em 2013, com apenas 21 anos, começou a dar que falar com vídeos cómicos que se tornaram virais no site Vine e atraiu uma pequena legião de seguidores no Instagram. Rapidamente passou a ser convidada para outro tipo de experiências, tornando-se, em 2015, uma das peças centrais do elenco do reality show do VH1 Love & Hip Hop: New York. Foi mesmo considerada a “estrela em ascensão” da sexta temporada do programa, que se debruça sobre as vidas privadas e profissionais de rappers femininas em início de carreira. Depois de duas temporadas, Cardi anunciou que não participaria mais no programa porque tinha decidido dedicar-se totalmente à sua carreira musical.

O verdadeiro nome de Cardi B é Belcalis Almanzar. O nome profissional é uma “remistura” da alcunha que os pais lhe deram em criança: Bacardi.

Depois de emprestar a voz a uma remistura de “Boom Boom” de Shaggy e de lançar o vídeo de “Cheap Ass Weave”, editou, no início de 2016, a primeira mixtape, intitulada Gangsta Bitch Music, Vol. 1 (o segundo volume saiu menos de um ano depois). Em fevereiro do ano passado, assinou contrato com uma grande editora e, desde então, tudo começou a correr ainda mais rápido. Nomeada para dois galardões BET – artista revelação, que perderia para Chance the Rapper; e melhor artista de hip-hop feminina, que perderia para Remy Ma –, Cardi começou também a ser convidada para atuar em programas de televisão e cerimónias de entregas de prémios. É em plena rota de ascensão que surge “Bodak Yellow”, o seu primeiro single com a chancela da Atlantic.

Editado em junho, o tema, que utiliza um sample de “No Flockin” de Kodak Black, estreou-se num humilde 85º lugar da tabela norte-americana mas, após vários meses de escalada, acabou por conquistar a liderança, destronando “Look What You Made Me Do” de Taylor Swift. "Bodak Yellow" passou três semanas no primeiro lugar, transformando Cardi B na quinta rapper da história a ter um número 1 nos Estados Unidos e apenas a segunda a fazê-lo completamente a solo (sem qualquer "feat."), sucedendo a Lauryn Hill, que em 1998 fez história com “Doo Wop (That Thing)”. A canção tornou-se também um sucesso no resto do mundo, especialmente no Canadá, Reino Unido, Bélgica, Austrália e Nova Zelândia. Ganhou o prémio BET de single do ano e está nomeada para dois prémios Grammy: melhor performance rap e melhor canção rap.

O sucesso de “Bodak Yellow” atirou a artista para três parcerias de ouro: uma com Migos e Nicki Minaj (até então considerada sua arquirrival) em “Motorsport”, outra com 21 Savage em “Bartier Cardi” e outra ainda com Bruno Mars numa remistura de “Finesse”… E, claro, despoletou a fúria de Azealia Banks, que a apelidou de “Nicki Minaj dos pobres”. A rapper não se ficou, partilhando no Twitter um vídeo no qual se vê Banks a dançar e a cantar “Bodak Yellow” acompanhado pela legenda: “uma das razões pelas quais ‘Bodak Yellow’ foi até ao número 1 é o facto de até os haters gostarem”.

Apesar de ainda não ter data confirmada, o álbum de estreia de Cardi B deverá ser editado em breve. Em resposta a comentários no seu Twitter, a rapper assumiu estar a dar os últimos retoques no disco e atirou “está para muito breve… mais breve do que pensam”. A insegurança, contudo, é muita, confessou em entrevista à Rolling Stone, “se fores à falência e perderes a tua carreira, é mau – e toda a gente fala mal de ti! Se tiveres um trabalho normal e o perderes pelo menos não tens milhões de pessoas a julgar-te e a falar mal de ti quando acabaste de perder o emprego”. O futuro o dirá.