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Josh Homme, dos Queens of the Stone Age

Os amigos de Josh Homme: as boas companhias de um senhor do rock

O líder da banda norte-americana marcou presença em discos de variadíssimos outros artistas e assinou colaborações com novos e antigos amigos

Desde que se estrearam, há quase 20 anos, com um álbum homónimo, os Queens of the Stone Age (QOTSA) têm mantido um ritmo constante de edições. No entanto, entre os longa-duração de originais que a banda tem na sua discografia, Josh Homme não se deixa ficar propriamente parado à sombra de uma qualquer árvore do deserto californiano. Além das famosas Desert Sessions, que acabaram por resultar em quase uma dezena de discos (nos quais participaram nomes como Ben Shepherd dos Soundgarden; Mark Lanegan; Twiggy Ramirez dos Marilyn Manson; PJ Harvey; ou a ex-Hole Samantha Maloney), o líder da banda norte-americana marcou presença em discos de variadíssimos outros artistas e assinou colaborações com novos e antigos amigos.

O nome mais constante nas aventuras de Homme fora dos QOTSA é, claro, Jesse Hughes. Os dois músicos são amigos desde a escola secundária e resolveram selar essa amizade criando uma banda. O duo Eagles of Death Metal (EODM) nasceu em 1998, ano em que saiu para as lojas o primeiro disco dos QOTSA, e apesar de Homme ter garantido a dada altura que o duo não era um projeto paralelo a verdade é que sempre foi encarado como tal. O sucesso conquistado com os QOTSA permite-lhe participar em poucos concertos dos EODM e parece ter ditado a vida do projeto, mas Homme e Hughes permanecem bons amigos até hoje, como se pôde observar pela forma emocionada como o primeiro reagiu ao atentado no Bataclan, durante um concerto onde não estava presente.

Não menos importante no percurso do líder dos QOTSA (e no da própria banda) será o elo que o une a Dave Grohl. O homem dos Foo Fighters ajudou a dar um valente empurrão à banda, tendo oferecido a sua bateria a Songs for the Deaf, álbum de 2002 que atirou os QOTSA para mais altos voos, mas desde então os dois músicos têm-se cruzado variadas vezes noutros projetos (Grohl voltaria a gravar com os QOTSA em …Like Clockwork, de 2013). Quatro anos depois de Homme ter feito uma perninha em In Your Honor, disco de 2005 dos Foo Fighters, nasceram os Them Crooked Vultures, banda na qual os dois amigos se juntam a John Paul Jones dos Led Zeppelin para gravar um álbum homónimo que lhes valeu o Grammy de Melhor Performance Rock.

Uma amizade mais recente, mas não menos intensa, foi aquela que Homme criou com Alex Turner dos Arctic Monkeys. Humbug, álbum que a banda britânica editou em 2009, contou com coprodução do líder dos QOTSA, e em AM, de 2013, o músico voltou a oferecer os seus préstimos ao quarteto de Sheffield, assegurando segundas vozes de duas canções. Turner devolveu a cortesia, surgindo como vocalista convidado no tema «If I Had a Tail», de …Like Clockwork.
Como se a lista de «amigos musicais» de Homme não fosse já suficientemente grande – ao longo dos anos, também colaborou com os Strokes, UNKLE, Peaches, Death From Above 1979, Mastodon, Primal Scream, Biffy Clyro, Prodigy… mais recentemente, Lady GaGa –, no ano passado não só coescreveu e produziu Post Pop Depression, 18º álbum de Iggy Pop, como andou na estrada a promovê-lo como parte integrante da banda do «padrinho do punk». Como poderá ler na entrevista que publicamos com Homme, a proximidade mantém-se via conversas telefónicas.

Publicado originalmente na BLITZ de setembro de 2017