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Como Susie Cave, a mulher de Nick Cave, enfrentou a morte do filho de ambos

A mulher de Nick Cave falou à Vogue sobre o impacto que teve a morte do filho de ambos, Arthur, nas suas vidas

Susie Cave, mulher de Nick Cave, deu uma entrevista à Vogue na qual falou sobre o seu estúdio de moda, o The Vampire's Wife, tendo também abordado o impacto que a morte de Arthur, filho de ambos, teve nas suas vidas.

Susie, que esteve longe das câmaras aquando das filmagens de One More Time With Feeling, documentário de 2016 que mostra como o músico lidou com a perda do filho, falou pela primeira vez do acontecimento, explicando que foi o trabalho que a foi livrando do desespero que sentia.

"Há alegria na criação. Sempre quis fazer coisas belas, mas ao mesmo tempo não quero ser vítima daquilo que aconteceu ao Arthur. Não quero ficar paralisada para o resto da vida. E quero mostrar ao Earl [Cave, irmão gémeo de Arthur] a melhor maneira de sobreviver a isto", afirmou. "Tínhamos de nos manter fortes para que ele não se assustasse e pensasse que estava a perder os pais".

Apesar desta confiança, Susie não deixa de sentir algum receio de poder vir a perder, também, o seu outro filho: "Eu sei que é irracional, mas é assim que se vive após um trauma, constantemente alerta".

O apoio à tragédia partiu de toda a gente: do marido, dos seus familiares, e até da população de Brighton, onde reside, bem como dos fãs de Nick Cave. Um apoio que, garante, nunca esquecerá. Mesmo que os meses imediatamente posteriores (Arthur, recorde-se, morreu em 2015 ao cair de um penhasco após ingerir LSD) tenham sido bastante difíceis.

"Passei a semana que se seguiu à morte do Arthur na cama. Disse ao Nick que estava tudo acabado, que não conseguia continuar com o The Vampire's Wife. E três meses depois recebi uma chamada da [modelo britânica] Daisy Lowe, a dizer-me que precisava de um vestido para uma cerimónia e se eu não estaria interessada em fazê-lo", contou.

"Arrastei-me até ao escritório para procurar o tecido vermelho. E ela usou-o, e foi fotografada. E, a partir daí, comecei a trabalhar todos os dias, durante os seis meses que se sucederam", continuou. "Ter de aparecer, ter algo para fazer que fosse fisicamente exigente levou-me temporariamente a não pensar em mais nada".

Nick Cave, Susie Cave e os filhos, Earl e Arthur (à direita), durante uma exibição de um especial de Natal da série "Doctor Who", em 2007

Nick Cave, Susie Cave e os filhos, Earl e Arthur (à direita), durante uma exibição de um especial de Natal da série "Doctor Who", em 2007

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A marca The Vampire's Wife ganhou o seu nome através de Nick Cave, e o próprio não guarda senão elogios ao trabalho da mulher. "Ela pegou numa ideia pequeníssima e transformou-a em algo magnífico", contou à Vogue, via e-mail. "Pegou em toda a dor de alma dos últimos dois anos e, através de uma vontade feroz, canalizou-a para algo bastante tocante".

A relação entre ambos teve início nos anos 90, após Nick Cave se separar de PJ Harvey. Conheceram-se nos bastidores de um concerto dos Bad Seeds. "Sentei-me ao lado dele [Cave], e lembro-me de me perguntar: quem é esta pessoa? É um irmão? Não. É um marido? Não. É um namorado? Não. Foi um sentimento estranho, magnético, de que ele fazia parte da família mesmo antes de falarmos", explica Susie.

"Um ano antes de nos beijarmos pela primeira vez, ele mandava-me cartas incríveis, via fax. Foi como se nos tivéssemos apaixonado através dessa correspondência. Perdi-as, de alguma forma. Às vezes fico acordada, à noite, a pensar onde estarão".

O casal deu o nó em Richmond, no registo civil, organizando posteriormente uma cerimónia numa igreja de Surrey. "Foi mágico. E ficar grávida de gémeos durante a nossa lua de mel... A minha vida passou a ser incrivelmente feliz, em vez de nunca ser particularmente feliz. Até há dois anos...", explica, de lágrimas nos olhos.

O desafio, agora, é o de criar um perfume da marca The Vampire's Wife - mesmo que Nick não aprecie particularmente que a sua mulher use perfume. "Esse é o maior desafio. Criar um de que ele goste", conta. E explica, ainda, como ambos se apoiaram, e continuam a apoiar, após a morte de Arthur: "Se um de nós se sentir realmente mal, o outro está lá para lhe dar apoio. Quando ambos nos sentíamos a despedaçarmo-nos, aguentávamos até que um estivesse mais forte que o outro. Não sei como o fizemos, mas aconteceu".