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O que achámos do novo álbum dos Queens of the Stone Age, “Villains”

O que tem o novo álbum da sempre excitante banda de Josh Homme a ver com o clima político que se vive na América pós-Trump? Nada

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

2017 tem sido um ano fértil em discos que espelham, de forma mais ou menos direta, o clima político que se vive no planeta e naquele que, também no meio do entretenimento, parece ser o centro do mundo: os Estados Unidos. Assim de repente, lembramo-nos de dois belos álbuns pós-Trump, chamemos-lhe assim, e em géneros bem distintos: Pure Comedy, de Father John Misty, e DAMN, de Kendrick Lamar. E o que tem Villains, o novo trabalho dos Queens of the Stone Age, a ver com isto? Felizmente, nada.

"Villains", Queens of the Stone Age

"Villains", Queens of the Stone Age

Se há banda com que podemos contar para uma boa dose de rock and roll sem grandes preocupações de mensagem ou ideologia é a pandilha de Josh Homme que, nas poucas declarações sobre o disco até ao momento, fez questão de dizer que, apesar do título (em português, «vilões»), o sucessor de … Like Clockwork não tem nada a ver com política. O que, naturalmente, não quer dizer que os QOTSA não levem o seu trabalho de nos entreter muito a sério.

Produzido por Mark Ronson, o sétimo longa-duração dos californianos é composto por apenas nove canções e, por comparação com o seu antecessor, de 2013, revela-se mais direto ao assunto, num sentido quase pop do termo. Logo a abrir, «Feet Don’t Fail Me» e o excelente primeiro single, «The Way You Used To Do», apontam numa direção mais lúdica e dançável – esta não deverá ser, porém, razão de alarme para os fãs das guitarradas de Josh Homme e Troy Van Leeuwen, que continuam a ouvir-se alto e bom som, muitas vezes em riffs geniais e viciantes (é o caso daqueles que sustentam «The Evil Has Landed»).

Noutros momentos, os QOTSA regressam a um som mais apunkalhado (a bateria de «Head Like a Haunted House») ou à sua leitura algo sinistra do psicadelismo (a «middle section» de «Domesticated Animals», a totalidade de «Fortress»). Ao longo de todo o disco, a voz de Josh Homme, cantor subvalorizado quando se enumeram grandes vocalistas, mantém-se imperial, capaz da maior expressividade e safadeza rock and roll («Un-Reborn Again»). Mais uma vez, saímos daqui muito bem servidos.

4/5

Publicado originalmente na BLITZ de agosto de 2017. Os Queens of the Stone Age estão na capa da BLITZ de setembro, já nas bancas.

  • QUEENS OF THE STONE AGE NA CAPA DA BLITZ 134, JÁ NAS BANCAS

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