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Adele

Por que razão há estrelas como Adele que estão sempre a perder a voz

A cantora britânica é apenas um dos muitos exemplos de artistas que, ora por ora, precisam de descansar a voz

No final de junho, Adele viu-se forçada a cancelar os últimos concertos da sua digressão, devido a uma lesão nas cordas vocais. Na semana passada, Liam Gallagher atuou no festival Lollapalooza durante apenas 20 minutos, sendo forçado a retirar-se por problemas com a voz. Mas porque motivo se lesionam as grandes estrelas com tanta facilidade?

A resposta é simples: exaustão. As nossas cordas vocais, pequenos músculos localizados na laringe, vibram de forma rápida quando falamos, e ainda mais quando cantamos; no caso dos grandes artistas, que dão dezenas - ou mesmo centenas - de concertos por ano, as cordas vocais deterioram-se mais depressa, após anos e anos de uso.

Este tipo de lesões não pode ser encarada de ânimo leve por quem ganha a vida a cantar. Caso continuem a fazê-lo mesmo não estando nas melhores condições, poderão provocar danos irreparáveis - levando as cordas a romper-se, e a sangrar, precisamente o que aconteceu a Adele em 2011, que foi forçada a fazer uma operação às mesmas de forma a recuperar a sua voz.

No entanto, mesmo uma operação não poderá ser suficiente, e é por isso que Adele voltou a sentir problemas. Para os especialistas, citados pelo britânico The Guardian, o cansaço sentido por cantores e vocalistas é comparável àquele que é sentido por atletas de alta competição. E não é só o canto que afeta o bom funcionamento das cordas: palcos com pó, viagens de avião com poucas condições, maus hábitos alimentares e de sono também o fazem.

Este cansaço vocal pode afetar toda a gente, mas é no mundo da ópera que mais se sente, segundo o maestro Will Crutchfield. Este observou que a carreira e os talentos dos cantores de ópera começavam a decair para além dos 30 anos de idade, devido ao esforço que é necessário para entoar e manter as notas musicais que são características do género. Mas também chega a cantores amadores, desejosos de vir a ser "a próxima Adele".

O aumento de lesões na voz também tem a ver com o que passou a ser considerado "cantar bem": "mais alto" significa, agora, "melhor", exigindo um maior esforço por parte dos artistas. Mas não é só no mundo da música que este cansaço se sente - outras profissões também são afetadas, como professores.

Lisa Paglin e Marianna Brilla, cantora de ópera e treinadora, respetivamente, têm no entanto uma pequena solução: mudar a forma como se canta. "este problema não se resolve aliviando o sintoma", diz a primeira. "É um problema motor. O cantor ou cantora têm de perceber que [o problema] está na forma como se mantém o motor ligado", isto é, nas técnicas de canto que utilizam. "Se não se arranjar o motor, o problema irá continuar".