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Rita Carmo/Espanta Espíritos

Carlão joga em casa esta sexta no festival O Sol da Caparica

Músico de Almada promete surpresas e convidados para a passagem pelo festival da Margem Sul do Tejo, aquele onde – acredita – está o público que melhor conhece. Leia a entrevista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Vai jogar em casa quando, esta sexta-feira, subir ao palco para uma atuação que, certamente, marcará a segunda jornada da edição deste ano do festival O Sol da Caparica. O rapper tem uma longa ligação a Almada e à Margem Sul: aí viveu e cresceu, foi essa a base física e espiritual dos Da Weasel durante muito tempo. O projeto À Sombra do Cristo Rei, de Tim – outra das presenças no cartaz do festival que se prolonga até domingo –, dedicado, precisamente, a celebrar o espírito musical da Margem Sul, não esquece Carlão na hora de desfilar os argumentos que fazem com que Almada mereça um capítulo próprio na história mais elétrica da música nacional.

«Quando toco naquela margem sinto sempre que estou a jogar em casa», atira Carlão. Esse à vontade está, aliás, muito bem documentado no mais recente single de Carlão, o tema «Viver Para Sempre», que conta com produção de Boss AC (que atualiza um clássico de Cabo Verde dos Bulimundo) e que tem um vídeo rodado em Almada, ou seja uma amostra de um artista muito particular no seu habitat natural. «Por todas as razões», acrescenta Carlão, «tocar n’O sol da Caparica faz todo o sentido, sobretudo por causa do público particular que o festival reúne e que eu acredito que tem a minha cara».

O homem que assinalou a entrada nos 40 com a edição de um álbum com esse título – que já data de 2015 e que não deverá tardar muito a ter sucessor... – alonga-se sobre o público e o ambiente particular de um festival que faz da língua portuguesa uma das suas bandeiras. «Uma das coisas que me entusiasma para este concerto é o facto de me poder confrontar com um público que tem várias especificidades e que só posso encontrar n’O Sol da Caparica», assegura Carlão. «Por um lado, há aquele cartaz que, como é óbvio, atrai gente que gosta mesmo de música portuguesa, mas, por outro lado, essa gente também vem maioritariamente de uma área geográfica que me diz muito. E depois, mesmo em termos geracionais, é um público interessante porque junta miúdos, gente da minha geração e até muita gente mais velha, porque o cartaz tem essa transversalidade e vai do Bonga e dos Trovante ao Regula e ao Bispo. E eu sinto que também acabo por tocar em públicos muito diferentes», explica.

«Há miúdos que vêm ter comigo porque me conhecem do tema “Os Tais” e nem sequer fazem ideia de quem foram os Da Weasel. Depois, claro, há o pessoal que me acompanha desde os Da Weasel, mais velho, mas também pessoas que já há mais tempo têm uma relação com a música portuguesa e que por alguma razão também me curtem. Acho que só ali é que eu encontro essa gente toda».

Sobre o concerto em si, Carlão não se mostra muito interessado em abrir totalmente o jogo, embora vá revelando que haverá espaço para algumas surpresas de relevo. «Vou ter convidados, claro que sim, mas não posso revelar já, porque quero mesmo que seja uma surpresa. Vai ser um concerto de uma hora, vou tocar os singles mais recentes, como o “Viver Para Sempre” ou o “Agulha no Palheiro”, mas também vou viajar pelo passado, embora não queira para já adiantar muito mais. Vou piscar o olho a material antigo, é certo, e estou a equacionar duas coisas que acredito que vão ser muito especiais», afirma, de forma algo enigmática, o ex-Da Weasel. «Em palco vou ter comigo o Glue, nos pratos, o Bruno Ribeiro, nas vozes, o Gil nas guitarras e o Nuno Espírito Santo no baixo», uma equipa que tem garantido o apoio necessário para concertos intensos por parte de Carlão.

Já se sabe que «Viver Para Sempre» e «Agulha no Palheiro» farão parte do alinhamento do sucessor de Quarenta: «neste momento», revela Carlão, «estou a avançar nos trabalhos de estúdio do novo álbum. Tenho produções de várias pessoas e vários convidados, mas não vou revelar mais. Posso dizer que o álbum deverá ver a luz do dia algures entre o final do verão e o Natal. Esse é o meu plano e, para já, está tudo a correr dentro dos prazos que eu tinha determinado». Estes dois primeiros singles já conhecidos contaram com batidas assinadas por Boss AC e por Kking Kong, nome ligado à Enchufada, de Branko, por isso é de prever que ambos possam vir a assinar mais material do álbum, mas outros nomes de primeira linha da agitada cena de produtores nacional poderão vir a marcar presença no alinhamento do próximo álbum de Carlão.

O rapper deverá ainda pisar o palco ao lado de Tim para um dos momentos da apresentação de À Sombra do Cristo Rei, que já mereceu uma edição com a BLITZ: «vai ser uma experiência muito gratificante», confirma Carlão, que também pretende usufruir do festival O Sol da Caparica fora do palco. No dia da atuação do grupo comandado por Tim, 10 de agosto, o cartaz acomoda ainda apresentações de Fogo Fogo, Bonga, Mariza ou Regula. No dia seguinte, que terá Carlão como um dos pontos altos, o programa inclui ainda apresentações de Carlos do Carmo, Virgul, Holly Hood, Bispo e Dealema. No dia 12 há Tubarões, Mishlawi, Samuel Úria ou Manel Cruz (o último dia, 13, é dedicado ás crianças com uma programação especial). Para onde tendem as escolhas de Carlão? «Quero ver se vejo o concerto do Manel Cruz, já que há muito tempo que não o apanho em palco. E vou certamente ver também o Regula», adianta, confirmando que não vai perder a hipótese de ver o rapper que esteve ao seu lado nos 5:30.