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João Carvalho - Festival Paredes de Coura

Rita Carmo

João Carvalho, diretor do Vodafone Paredes de Coura: “Em 2004 ponderámos acabar com o festival”

Em entrevista à BLITZ, o diretor do festival do Alto Minho recorda o momento mais complicado do evento que este ano chega à 25ª edição

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Às portas da 25ª edição do festival, João Carvalho, diretor do evento, continua a levantar o véu sobre o passado - e o futuro - de Paredes de Coura. A entrevista poderá ser lida na íntegra, em breve.

Quando questionado sobre o momento mais complicado que o festival atravessou, João Carvalho "elege" o ano de 2004.

"Foi o ano do maior aperto e da maior coragem, também. Num ano em que choveu como não chovia há 99 anos - era essa a manchete do jornal Público no dia a seguir ao fim do festival, curiosamente um dia de sol esplendoroso, depois de quatro dias a chover sem parar -, o palco secundário desabou.... Havia gente em boxers e lingerie, porque não tinham mais nada que vestir e, como tudo se molhava, resolveram assumir e divertir-se assim".

"Decidimos continuar, contra a vontade de todos", recorda. "Contra a vontade do dono do palco principal, por exemplo, que achava que este ia desabar, tal como a cobertura do secundário já tinha desabado... Eu não escondo a minha história: não escondo a chuva, não escondo o sol, os fracassos de bilheteira. Tal como não escondo as vitórias", ressalva. "Porque o festival Paredes de Coura é isso: foi esse conjunto de experiências que o fortaleceu. É isso que lhe deu a alma que ele tem hoje".

Ainda sobre a edição de 2004, João Carvalho recorda que a organização "ainda foi aumentar o prejuízo, comprando capas de chuva para as pessoas, criando alternativas para os campistas, alugando carros para levar as pessoas".

"Acabámos o festival e fomos todos para casa tristíssimos, porque o prejuízo foi brutal. Ponderámos acabar com o festival", reconhece, "mas [a ideia só] durou uma semana. Na semana a seguir decidimos: vamos antes fazer o melhor festival de sempre [no próximo ano]! E como é que o pagamos? Se rebentarmos, rebentamos em grande. Podíamos estar na construção civil na Suíça, a pagar o festival, mas correu bem", lembra.

"Essa edição de 2005 foi histórica, mas é preciso ter uma grande dose de loucura para, no final de uma edição que deu tanto prejuízo, fazer uma edição ainda mais dispendiosa, conseguindo pagar a dívida do ano anterior. Se isto não é jogar na roleta russa, não sei o que é".

O Vodafone Paredes de Coura realiza-se na vila minhota do mesmo nome, de 16 a 19 de agosto. Este ano, Benjamin Clementine, Foals, Beach House, At the Drive-In, Mão Morta, Manel Cruz e Future Islands são alguns dos nomes em destaque no cartaz.