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The Chainsmokers, os reis da pista, são as estrelas maiores do arranque do MEO Sudoeste

O duo norte-americano tem dominado tabelas de vendas com sucesso atrás de sucesso e chega a Portugal para uma apresentação na Zambujeira do Mar, na condição de cabeça de cartaz

Não é possível escapar aos Chainsmokers: a música produzida por Alex Pall e Andrew Taggart parece ter atingido em cheio um qualquer nervo geracional, facto que se traduz num sucesso global que se faz de milhões de plays. Um exemplo apenas: «Something Just Like This», hit viral que resulta de uma colaboração com os Coldplay, bateu o recorde de maior número de plays para um lyric video num só dia, somando mais de 9 milhões de visualizações! Contratos milionários para tocar em Las Vegas, tardes passadas a descomprimir ao lado de Bono, carros e barcos rápidos... a vida deles é como nos filmes, só que a sério.

Depois de lançarem Memories... Do Not Open, que se estreou no topo da Billboard 200, registando o equivalente a quase um quarto de milhão de cópias vendidas na primeira semana, os Chainsmokers embarcaram numa digressão mundial que os vai trazer até à Zambujeira do Mar. São, sem dúvida, um dos nomes mais fortes no cartaz de 2017 do MEO Sudoeste e prevê-se festa rija quando subirem ao palco. Porque na bagagem têm um invejável conjunto de hits colecionado num espaço tão reduzido de tempo que não há quem não os conheça na geração presente.

A história de Alex e Andrew não tem mais do que 5 anos. Ao NME, Alex Pall explicou que a dupla «clicou» devido a uma paixão comum por gente como Avicii, Deadmau5, David Guetta ou Calvin Harris: «queríamos tanto e tão desesperadamente fazer parte da cena. E eu disse: "despeço-me do meu emprego já amanhã, juntamo-nos e começamos a fazer música". Ao princípio a coisa foi um pouco trapalhona, não sabíamos bem o que estávamos a fazer. Mas depois, lenta e seguramente, começámos a alcançar pequenas vitórias». E de pequenas vitórias em pequenas vitórias, já se sabe, ganham-se grandes guerras. A deles parece ter sido pelo domínio das tabelas de vendas e pela imposição do seu nome no mais importante circuito de EDM do mundo. O facto de terem assinado um contrato exclusivo com a Wynn Nightlife para os seus clubes XS Las Vegas e Encore Beach Club até 2019 diz muito de até onde podem levar as «pequenas vitórias».

Tudo começou em Nova Iorque, em 2012, com Pall e um DJ de nome Rhett Bixler. Quando Bixler saiu de cena, o manager Adam Alpert, talvez pressentindo que o mercado EDM já tinha estrelas em nome individual suficientes e que uma dupla seria mais fácil de impor, apresentou Taggart, que trabalhava numa galeria de arte, a Alex. «Foi como um encontro romântico às cegas entre dois homens», explicou Alex, referindo-se ao «arranjinho» tornado possível pelo seu manager. Que funcionou em pleno, sabemo-lo agora.

Andrew já tinha alguma experiência de produção que ia partilhando através do Soundcloud e os dois começaram a fazer experiências que começaram a dar frutos ainda em finais de 2012 e no arranque de 2013: faixas como «Erase» ou «The Rookie» deixavam claro que o duo tinha os olhos postos na pista de dança e os ouvidos sintonizados nas mais frescas sonoridades EDM que dominavam as tabelas de vendas. O primeiro sinal claro disso foi o single «#Selfie», um monstro nas pistas de dança de todo o mundo em 2014 (lançado na reta final de 2013) que não demorou muito tempo a chamar a atenção da Dim Mak Records, de Steve Aoki, que rapidamente licenciou o tema, amplificando dramaticamente o seu impacto e colocando o duo definitivamente no mapa EDM internacional. E de 2014 para cá tem sido sempre a subir.

Claro que uma carreira no circuito de música de dança mais visível e comercial implica apresentações enérgicas em clubes e festivais, e os Chainsmokers conseguiram equilibrar a capacidade de criar hits em estúdio com a de transformá-los numa imponente apresentação de palco, o que obviamente ajudou à ascensão na carreira. Em 2015, o contrato assinado com uma subsidiária da Sony Music provou que estavam no caminho certo. O primeiro EP resultante desse contrato, Bouquet, em que se incluíam temas como «Roses», «New York City» e «Waterbed» – qualquer um deles um sucesso nas pistas e playlists globais – firmou-lhes a reputação, mas os Chainsmokers perceberam muito rapidamente que só uma sucessão rápida de temas fortes poderia conduzi-los ao topo, pelo que meros dois meses após a edição do primeiro EP colocaram na rua mais um sucesso, «Inside Out», colaboração com a cantora sueca Charlee.

Getty Images

Bons rapazes
Apesar da reputação de frat boys que os persegue desde que fizeram uma célebre capa para a Billboard – já lá iremos – os Chainsmokers não se colocaram totalmente do lado errado da força e em 2016 usaram a passagem pelo Ultra Music Festival para deixarem claro que se opunham a Donald Trump, um gesto algo invulgar numa cena musical que costuma ser vista como alheada das questões mais fraturantes da política. No passado verão lançaram «Closer», com a voz da cantora pop americana Halsey, um tema que escalou até ao lugar cimeiro das tabelas de ambos os lados do Atlântico, e o ano acabou por ser premiado com uma entrada no cobiçado top 20 da ultra escrutinada lista de 100 DJs da DJ Magazine. O grupo estreou-se nessa lista em 2014 no 97º posto... A edição do segundo EP da sua carreira, Collage, rematou 2016 e preparou a chegada do primeiro álbum, que aterrou nos escaparates globais em abril último.

Obviamente, nem tudo têm sido rosas neste percurso de Alex e Andrew, e a exposição trazida pelo crescente sucesso nem sempre foi usada da melhor maneira. Quando foram entrevistados para um artigo de capa na circunspecta Billboard, o duo resolveu ser engraçado, vestir a pele que tantas vezes lhes foi colada pela imprensa de «bros» irresponsáveis e brincalhões, e as suas declarações não terão sido o mais ponderadas: «mesmo antes do sucesso, gajas era tudo o que importava», admitiu então Alex. «Porque é que estou a tentar ganhar todo este dinheiro? Porque queria sacar miúdas mais giras, tinha mesmo que sair com uma modelo». Isto aconteceu em setembro do ano passado e, claro, valeu-lhes vigorosas críticas por causa do conteúdo machista de tais declarações.

Entretanto, já este ano, os Chainsmokers resolveram usar a entrevista ao NME para reporem o que consideram ser a verdade: «não somos idiotas... a sério». Alex procurou controlar o mal feito anteriormente e explicou que a visão que as pessoas têm deles os afeta: «nunca percebemos se as pessoas vão tomar aquelas coisas literalmente e se se vão embora a acharem que tu és mesmo aquela pessoa. Mas não se trata de pedir desculpa e tentar voltar atrás. Trata-se de manter as coisas tão reais quanto possível e perceber que nem toda a gente vai estar do teu lado. Avançar. Tomar decisões responsáveis. Pensar no que é que pode parecer quando um miúdo de 10 anos olha para o que fazemos, como é que isso pode impactar a forma como ele ouvem a nossa música e aprecia os nossos gestos».

Em abril último, no dia 13, os Chainsmokers embarcaram na presente digressão mundial em que se encontram envolvidos: partiram de Miami e só deverão terminar, no próximo mês de setembro, em Singapura. Pelo meio, o duo teve tempo de recrutar o fã Tony Ann, um estudante da prestigiada escola de música de Berklee, que impressionou Alex e Andrew com uma versão de «Paris» ao piano. Esta atitude de levar um fã com eles para a estrada é pelo menos tão reveladora como as outras menos positivas: mostra que ainda são miúdos deslumbrados com o mundo e com as possibilidades que o sucesso lhes oferece. Ao vivo, os Chainsmokers fazem-se acompanhar pelo baterista Matt McGuire e pelos teclistas Mike Schmid e, claro, Tony Ann, o tal fã estudante que ganhou um bilhete para ir ver o mundo ao ter reduzido à emotividade do piano um daqueles hinos que se agarram à memória de uma geração quando ouvidos no momento certo num verão qualquer.