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Chester Bennington: a morte aos 41 anos, o último concerto, as homenagens, as vindas a Portugal e tudo o resto

A morte do vocalista dos Linkin Park surpreendeu fãs e a generalidade do mundo da música. As reações e as homenagens não se fizeram esperar. Recordamos também o último concerto, a amizade com Chris Cornell, um depoimento recente sobre a depressão e as vindas a Portugal

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Chester Bennington, vocalista da banda norte-americana Linkin Park, foi encontrado morto em sua casa, em Los Angeles, na passada quinta-feira, às 9 da manhã locais. A causa provável da morte é suicídio por enforcamento.

Bennington era casado e tinha seis filhos. A sua batalha com o álcool e as drogas ao longo dos anos era conhecida. Em entrevista, revelou ter passado por episódios de depressão e admitiu ter tido a intenção de se suicidar devido ao abuso sexual que terá sofrido, em criança, por parte de um homem mais velho.

O músico era amigo de Chris Cornell, vocalista dos Soundgarden, que se suicidou - também por enforcamento - a 18 de maio de 2017. Cornell faria 53 anos na passada quinta-feira, o dia em que Bennington foi encontrado sem vida.

Os Linkin Park, banda destacada do movimento nu metal, formaram-se em 1996, tendo lançado sete álbuns de originais, o último dos quais em maio deste ano.

Uma das primeiras reações à morte de Bennington partiu de Mike Shinoda, seu companheiro nos Linkin Park:

O Twitter dos Linkin Park, que um dia antes tinha partilhado um novo vídeo da banda, publicou - sem mais - uma foto do seu vocalista, em concerto, rodeado por uma multidão de fãs:

Artistas de vários territórios musicais e outras figuras do show business também lamentaram o desaparecimento de Chester Bennington. É o caso de Rihanna, Ryan Adams, Nile Rodgers, Killer Mike (Run the Jewels), Hayley Williams (Paramore), Avril Lavigne, do apresentador Jimmy Kimmel ou do ator Dwayne Johnson:

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Bennington deixa para seis filhos de três mulheres diferentes: Jaime, fruto de uma relação com Elka Brand (de quem também adotou um outro filho, Isaiah), Draven, nascido do casamento com Samantha Olit (de quem se divorciou em 2005), Tyler e as gémeas Lilly e Lila, da sua atual esposa, Talinda Ann Bentley. A família de Bennington encontrava-se fora de casa quando se deu a sua morte. A 5 de julho, Chester tinha "retweetado" um post da sua mulher: uma foto de Talinda com uma das filhas mais novas do casal e a legenda "pensando em ti":

Há dois meses, Chester Bennington foi notícia devido às declarações iradas que fez ao site Music Week. Agastado com a reação dos fãs ao novo single da sua banda de sempre, o vocalista “explodiu”: “Se acham que estamos a fazer isto por razões comerciais ou monetárias, procurando ter sucesso com recurso a uma qualquer fórmula… mais vale darem uma facada na vossa própria cara!”.

A atitude do músico terá surpreendido alguns fãs – afinal, o norte-americano sempre foi louvado pela sua atenção para com os admiradores; reportagens “na estrada” com a banda sublinhavam o tempo que os Linkin Park passavam a dar autógrafos e a conversar com os seus admiradores, depois dos concertos.

Mas o que sente um artista popular quando parte da sua audiência lhe vira costas? A tirada da polémica veio a propósito de ‘Heavy’, o single com que a banda de Los Angeles decidiu promover o seu álbum mais recente, “One More Light”, editado em maio. Muitos dos seguidores não gostaram da sonoridade mais pop do tema, que conta com a colaboração da cantora Kiiara, e os comentários online, de escárnio e maldizer, não tardaram.

“Quando fizemos o Hybrid Theory, tinha 20 e poucos anos e já era o mais velho da banda”, recordou na mesma entrevista, referindo-se à estreia nos álbuns dos Linkin Park, há 17 anos. “Por isso é que digo: mas porque é que ainda estamos a falar de Hybrid Theory? Isso já foi há anos. É um grande disco, também o adoramos. Mas já é altura de andarmos para a frente, percebem?”

Veja o vídeo da polémica canção:

Nos comentários do vídeo de ‘Heavy’ no Youtube, alguém escreve: “Acho que todos ouvimos a canção mas ninguém percebeu”. E de facto, sob o revestimento de melodia amiga das rádios, encontram-se letras bastante diretas como “I don’t like my mind right now/Stacking up problems that are so unnecessary/Wish that I could slow things down/I wanna let go but there’s comfort in panic/And I drive myself crazy/Thinking everything’s about me”.

Ninguém poderá dizer se foi a reação dos fãs – que também vaiaram a canção nova ao vivo, recentemente – a agravar o estado de espírito de Chester Bennington que ontem, 20 de julho, foi encontrado sem vida na sua casa em Palos Verdes, na Califórnia. Mas o seu suicídio promete desencadear mais debates sobre saúde mental e depressão, nomeadamente no meio artístico.

Um dia depois da sua morte, veio à tona um vídeo onde o músico fala, precisamente, sobre saúde mental e depressão, ligando estes temas ao significado das letras da nova canção.

"Sempre me senti deslocado, toda a minha vida. Entro em certos padrões de comportamento e pensamento, especialmente quando estou bloqueado aqui [na cabeça]. (...) Sou a causa da maior parte dos meus problemas. A canção ["Heavy"] é sobre isso, aquela altura em que conscientemente olhas para [o problema] e te separas dele para fazer alguma coisa, em vez de estares, pura e simplesmente, metido dentro dele".

A morte de Chester Bennington coloca em suspenso a carreira dos Linkin Park, que se encontravam a meio da digressão em torno de One More Light, o seu último álbum.

O último concerto da banda norte-americana deu-se em Birmingham, Inglaterra, no passado dia 6 de julho. Na próxima semana, a 27 de julho, teria início a etapa norte-americana da tour com um concerto em Mansfield, Massachusetts.

Para além dos temas de One More Light, os Linkin Park apresentaram velhos clássicos como "One Step Closer", "Crawling" ou "Numb".

O concerto foi captado em vídeo por fãs. Veja a última canção do derradeiro concerto de Chester Bennington:

E um momento em que o vocalista canta rodeado pelos fãs:

Horas antes de se saber que Bennington tinha morrido, a banda partilhava nas suas redes um novo vídeo, "Talking to Myself":

Nascido a 20 de março de 1976, em Phoenix, no estado do Arizona, Chester Charles Bennington era filho de uma enfermeira e de um polícia que investigava crimes de abuso sexual contra crianças. Foi ao pai que Chester contou que fora vítima de abuso por parte de um amigo mais velho, entre os 7 e os 13 anos, acabando por desistir de apresentar queixa ao saber se o abusador fora, também, vítima do mesmo crime.

Depois do divórcio dos pais, quando tinha 11 anos, o jovem ficou a viver com o pai e viciou-se em vários tipos de droga. Aos 17, mudou-se para casa da mãe que, ao descobrir os seus consumos, o terá castigado e levado a mudar de vida. Quando já pertencia aos Linkin Park, Chester terá começado a abusar do álcool, mas em 2011 garantiu estar “limpo”, por já não querer ser “aquela pessoa”.

Além do percurso com os Linkin Park, que só com o primeiro álbum, Hybrid Theory, venderam 30 milhões de discos em todo o mundo, o pai de seis filhos – e padrinho do filho de Chris Cornell – substituiu, entre 2013 e 2015, o entretanto também malogrado Scott Weiland enquanto vocalista dos Stone Temple Pilots. Admirador da banda desde jovem, mostrou-se na altura emocionado por estar a viver “um sonho”.

"In The End", um dos maiores êxitos dos Linkin Park:

Em palco, como vocalista dos Stone Temple Pilots, em 2015, cantando "Creep", canção popularizada na voz de Scott Weiland, que viria a falecer no final desse ano:

À frente de uma banda que nunca recolheu os favores da crítica, Chester Bennington foi, ainda assim, elogiado por conferir ao género onde os Linkin Park começaram por ser arrumados – o nu metal – uma abordagem vocal mais suave, menos “masculina”, e tem sido recordado por amigos e companheiros de ofício pelo profissionalismo e cavalheirismo.

Chester Bennington e Chris Cornell, falecido há dois meses, eram grandes amigos. Bennington era padrinho dos filhos de Cornell e cantou no funeral deste. Após a morte do ex-Soundgarden, Bennington escreveu uma carta aberta onde falava de como Cornell havia sido uma "inspiração" para si e para o seu trabalho.

"A tua voz era alegria e dor, fúria e perdão, amor e mágoa numa só. Não consigo imaginar um mundo sem ti e rezo para que encontres a paz na outra vida. Obrigado por me deixares ter feito parte da tua", podia então ler-se.

O novo disco dos Linkin Park, One More Light, foi inclusive editado um dia após a morte de Cornell.

Em 2008, Bennington e Cornell estiveram juntos em palco, num dos concertos do Projekt Revolution, um festival organizado pelos Linkin Park entre 2002 e 2011, de forma esporádica.

Em Atlanta, Estados Unidos, Bennington juntou-se a Cornell numa versão de "Hunger Strike", dos Temple of the Dog, banda que Cornell teve com membros dos Pearl Jam em tributo ao malogrado Andrew Wood, dos Mother Love Bone.

O vídeo desse momento foi, agora, lembrado pelos fãs de ambos os músicos:

Em Portugal, viria sete vezes com os Linkin Park, tendo-se estreado no Pavilhão Atlântico (hoje MEO Arena) em 2003. O grupo também atuaria nos festivais Super Bock Super Rock (2004), Oeiras Alive (2007), Rock One (evento de uma única edição, em 2009, no Autódromo de Portimão) e em três edições do Rock In Rio-Lisboa (2008, 2012 e 2014).

Veja os Linkin Park a interpretarem "Numb" na primeira edição do festival NOS Alive, então denominado Oeiras Alive, em 2007:

A BLITZ acompanhou os vários concertos da banda em Portugal. Aqui se passam em revista alguns momentos dos concertos dos Linkin Park entre nós:

Chester Bennington - Linkin Park - Alive 2007
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Chester Bennington - Linkin Park - Alive 2007

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Chester Bennington - Linkin Park - Alive 2007

Chester Bennington - Rock in Rio Lisboa 2008
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Rita Carmo

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Chester Bennington - Rock in Rio Lisboa 2012
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Chester Bennington - Rock in Rio Lisboa 2012

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Chester Bennington - Rock in Rio Lisboa 2014
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Chester Bennington - Rock in Rio Lisboa 2014

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