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Durante a actuação de Ana Moura

Festival MED, o primeiro dos “outros” festivais

Começou quinta-feira e acaba hoje. O Festival MED, em Loulé, afirma-se como sendo capaz de se integrar na malha urbana. E isso é raro

São três palcos principais, mas existem muitos mais espalhados pelos largos, praças e quintaletes do centro histórico da cidade de Loulé. Em rigor, o Festival MED, estende-se por todas as vielas do casco histórico, contagiando as ruas e ruelas com a animação de rua, vendedores, turistas e autóctones, ocupando o espaço ´público urbano como não sucede com os festivais de maior dimensão. Uma experiência à parte.

O número de espectadores presentes não o diminui. Antes pelo contrário, as enchentes sucedem-se desde quinta-feira, quando o Palco Matriz, mesmo à beira da igreja, recebeu a estrela da noite, a fadista Ana Moura. Em sentido contrário, Rachid Taha, um dos nomes mais afamados da chamada world music, representante maior do género raï, faltou à chamada. O franco-argelino partiu um braço que o impossibilitou de vir ao Algarve. Em sua substituição atuaram os portugueses Octa Push, que oriundos das franjas da música de dança também já se renderam à globalização. Ainda na primeira noite, e esse é o sinal da diversidade que percorre Loulé por estes dias, disseram presente a cabo-verdiana Teté Alinho e a portuense Marta Ren com os seus Groovelvets, só para sublinhar duas artistas da mui variegada programação.

Loulé chega a assemelhar-se a uma enorme kasbah. A entrada para o festival dá-se pela porta do mercado municipal, um icónico edifício de arquitetura árabe, obrigando a espectador a passar pelas bancas das vendedoras. Uma experiência que conduz o festivaleiro até ao casco histórico, onde se encontram, além do Palco Matriz, o Palco Cerca e o Palco Castelo, além de outros de menores dimensões como é o caso dos Palcos Bica, Arco ou Jardim. A Igreja Matriz também recebe concertos e pelas ruas há ranchos folclóricos, grupos de cante alentejano, performances e “concertos improváveis”.

Na zona de imprensa, instalada defronte do Palco Cerca, está sediado o quartel-general da RDP. Os artistas sucedem-se em entrevistas para o Antena 1 e Antena 3. E a SIC produz diretos que entram nos vários noticiários. Ontem, sexta-feira, Bnegão, Helder Moutinho, Lura e Rodrigo Leão, anunciaram-se aos microfones dos canais de televisão e rádio mal chegaram a Loulé ou após os respectivos ensaios de som. À noite, Rodrigo Leão seria o responsável por mais uma enchente no largo da Igreja Matriz.

O Festival MED encerra hoje, com as presenças de Branko (ex-Buraka Som Sistema), Che Sudaka (o grupo de argentinos e colombianos residentes em Barcelona), Mayra Andrade (de Cabo Verde), a fadista Fábia Rebordão e os reputadíssimos romenos da Fanfare Ciocarlia, entre muitos outros que compõe um mosaico de músicas nascidas, por vezes há muitos anos atrás, no Mar Mediterrâneo ou nas costas do Atlântico. Em Loulé, há um festival que arrisca sem se atirar para fora de pé.