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NOS Primavera Sound: Sampha prega a leigos e convertidos, Mitski faz barulho bom

Sampha no palco Super Bock e Mitski no Pitchfork: saiba como correram estes concertos

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

"Isto é fixe. Sampha, é?". Atrás de nós, no palco Super Bock, uma festivaleira ilustrava assim em voz alta a reação de uma fação do público ao concerto do produtor britânico, na sua estreia em Portugal. Ainda que se tenha feito acompanhar de percussão dupla, sintetizadores e caixa de ritmos, o londrino (que não se deixou fotografar) ofereceu um espetáculo com o seu quê de minimal, na aceção de restrito ao essencial.

Aplaudido pelo seu álbum de estreia, Process, lançado este ano, Sampha Sisay parece navegar, por vezes, as mesmas águas experimentais e eletrónicas do seu compatriota James Blake, mas a seu favor tem uma voz bem mais quente e encorpada, que seduz o público em temas como "(No One Knows Me) Like the Piano" ou "Plastic 100º".

E se, para boa parte dos espectadores, Sampha é uma revelação, outros mostram conhecer a sua obra, acompanhando canções como "Timmy's Prayer", cuja letra - versando "blue skies" - assenta lindamente ao magnífico pôr do sol em tons de rosa, que os ecrãs gigantes fazem bem em misturar com esta música que tanto se sente confortável nos terrenos da soul e da eletrónica como, muito devido à bateria, experimenta também alguns padrões jazzísticos.

Ali ao lado, Mitski enfeitiçava o palco pitchfork com um enganador fio de voz, do qual nasciam improváveis gritos viscerais. Musicalmente, a autora de Puberty 2, à frente de um power trio, tanto nos recordou os anos 80 de bandas como os Cure ou as guitarras do rock da década seguinte; quanto à sua voz, estica-se da PJ Harvey mais rock à St Vincent mais teatral (semelhança bem visível em "Happy"). Gostaríamos de voltar a vê-la por cá.