Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Angel Olsen

NOS Primavera Sound: o cartaz do festival trocado por miúdos

Angel Olsen, Run the Jewels, Hamilton Leithauser, Sampha, Bon Iver e Elza Soares estão entre as principais atrações do festival que volta ao Porto já esta quinta-feira

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Às portas da sexta edição, o NOS Primavera Sound, «irmão» mais novo do festival catalão do mesmo nome, é um caso de sucesso. Não só tem atraído, ao longo dos anos, generosas plateias (neste momento, os passes gerais já estão esgotados, havendo apenas à venda bilhetes de um dia) como foi capaz de construir uma identidade própria, remetendo para o veterano Primavera Sound de Barcelona mas, de certa forma, autonomizando-se do mesmo. Num recinto mais pequeno, mas igualmente mais bucólico e aprazível, o Primavera Sound português oferece este ano cerca de 50 espetáculos, contra os mais de 200 do mano mais velho, autêntica instituição dos festivais europeus. No ano passado, a equipa do Porto definia esta abordagem como «uma versão gourmet» da avassaladora oferta de Espanha - e a aposta num cartaz mais económico acaba por traduzir-se, também, numa menor dispersão. Por outro lado, é possível que, na Invicta, acabe por conseguir ver mais concertos do que em Barcelona, onde a dimensão do recinto iguala a grandiosidade do cartaz.

A partir de quinta-feira, o Porto recebe nomes destacados do panorama internacional do rock, hip-hop e eletrónica, quer no perímetro do Parque da Cidade, epicentro do festival desde a sua primeira edição, em 2012, quer no centro do Porto, que logo na quarta-feira, 7 de junho, acolhe vários concertos de «aquecimento» em espaços como o Hard Club, Plano B ou Passos Manuel.

De volta ao verde coração do Primavera, isto é, ao Parque da Cidade, a festa começa na quinta-feira, 8 de junho, concentrada em apenas dois palcos, como vem sendo hábito no primeiro dia do festival. A Samuel Úria, que muito recentemente deu um concerto cheio de convidados em Lisboa, cabe ser o primeiro a tocar: pelas 17h, sobe ao Palco Super Bock, onde às 18h50 estará o também português Rodrigo Leão, acompanhado pelo australiano Scott Matthew, com quem em 2016 lançou um álbum. Ainda no Super Bock, às 21h10, os festivaleiros poderão encontrar uma das surpresas do cartaz: os escoceses Arab Strap, banda de culto que poucas vezes veio a Portugal, são uma das novidades de última hora, tendo sido convocados para substituir os Grandaddy, que cancelaram a visita ao Porto depois da morte do baterista. A programação do segundo palco fica completa com a atuação de Flying Lotus, às 23h30.

No maior palco do festival, o Palco NOS, o primeiro dia arranca com a melancolia retro dos Cigarettes After Sex, que este ano lançam por fim o aguardado álbum de estreia. A banda norte-americana aproveitará o fim de tarde (17h55) para apresentar o disco homónimo, que chega esta semana às lojas. Às 20h, o Palco NOS recebe o cantor R&B Miguel e às 22h20 chega a vez de os também norte-americanos Run the Jewels darem «o salto»; em 2015, El-P e Killer Mike incendiaram o Palco ATP, mas este ano têm o palco principal por sua conta para explanarem as lições do mais recente Run the Jewels 3, um dos álbuns mais aplaudidos do ano no campo do hip-hop. A noite fica completa com os franceses Justice, às 00h45.

Na sexta-feira, 9, entram em ação os outros espaços do festival: o Palco. (Ponto), que em 2016 substituiu o ATP, por onde passarão os veteranos Royal Trux (19h) e os verrinosos Sleaford Mods (20h30), mas também os históricos Swans de Michael Gira (22h) e o delírio psicadélico dos King Gizzard & the Lizard Wizard (1h), e o Palco Pitchfork, onde o destaque vai para Hamilton Leithauser (24h). Conhecido como vocalista dos The Walkmen, que há três anos puseram a sua carreira em pousio, o norte-americano virá apresentar o primeiro disco a solo - uma parceria com Rostam, dos Vampire Weekend (que algum público poderá ter ficado a conhecer melhor depois de o tema «A 1000 Times» ter sido incluído na banda sonora da série 13 Reasons Why).

Ainda na sexta, o Palco Super Bock recebe os portugueses First Breath After Coma (17h), os norte-americanos Whitney (18h50) e os escoceses Teenage Fanclub (21h), cabendo ao britânico Skepta fechar o palco pelas 23h55. No Palco NOS, há pelo menos dois artistas de peso: Angel Olsen, uma das cantoras que nos últimos anos tem angariado mais seguidores dentro do campeonato do indie rock tão emocional como aguerrido, toca logo às 19h50, com o recente My Woman ainda fresco na memória dos muitos fãs; a seguir, Bon Iver, outro nome grande do indie dos últimos dez anos, regressa a Portugal para o primeiro concerto desde 2012. É às 22h15, antes de Nicolas Jaar fechar a porta do palco principal, à 1h.

No dia 10, a programação destaca-se pela diversidade: no Palco Super Bock, veremos Elza Soares, personagem histórica da música brasileira que, à porta dos 80 anos, foi «redescoberta» internacionalmente graças ao álbum A Mulher do Fim do Mundo [dia 14 estará no Teatro das Figuras, em Faro; e dia 17 no Festival Raízes do Atlântico, na Madeira].

A carioca chega às 18h30, seguindo-se, no mesmo palco, uma das revelações dos últimos tempos, o produtor e cantor Sampha, que, depois de abrir o apetite com vários EP e colaborações, lançou este ano o aplaudido primeiro álbum, Process. Sampha toca às 21h, antes dos Japandroids (23h20). No Palco Ponto, os Shellac, presentes em todas as edições do festival, «picam o ponto» às 20h30, depois do malianos Songhoy Blues (17h45) e antes de uma trupe assaz fogosa: Death Grips (22h), Make-Up (2h30) e Black Angels (1h). No Pitchfork, destaque para duas preciosas senhoras: Mitski (21h) e Weyes Bloods (22h30). O Primavera despede-se, no Palco NOS, com a dança hedonista dos Metronomy (22h10) e o mais imprevisível Aphex Twin (00h30), outra presença rara em Portugal.

Artigo publicado originalmente na revista E, do Expresso, a 3 de junho