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Rufus Wainwright

Rufus Wainwright amanhã em Braga: “Portugal foi sempre um país leal, entusiasmado com a minha música e acolhedor”

Concerto está integrado no festival Respira!, dedicado ao piano, e decorre no Theatro Circo. Leia aqui a entrevista exclusiva à BLITZ

Rufus Wainwright tem regresso marcado a Portugal para atuar no Theatro Circo, em Braga, no âmbito do festival Respira!. O espetáculo realiza-se amanhã, dia 31, tem início às 21h30, e os bilhetes custam €30,00.

A BLITZ falou ao telefone com o músico e ficou a saber que há um novo álbum (e uma segunda ópera) a caminho. Wainwright falou também da influência de Leonard Cohen na sua carreira e da relação que tem com o piano.

Vai regressar a Portugal para tocar num festival que tem o piano como elemento unificador. Lembra-se do momento em que se apaixonou pelo piano?
Bom, o piano é, indiscutivelmente, uma coisa pré-natal para mim (risos), porque a minha mãe era uma pianista fantástica e tocava todas as manhãs. Presumo que o tenha feito enquanto estava grávida de mim também. Portanto, sempre foi uma espécie de lugar seguro, onde me sinto confortável... Há muitas fotografias minhas, ainda criança, com três ou quatro anos, a tentar chegar ao piano da sala. Foi uma coisa natural e penso que, de muitas formas, escolhi tentar encontrar a minha própria voz com ele. Sou péssimo a improvisar, mas adoro ficar ali a perder-me em tudo o que o piano tem para oferecer. Foi dessa forma, através do piano, que criei a minha sonoridade.

Que reportório apresentará neste concerto? Traz música nova?
Há muito sobre o que escrever neste momento, com tantos altos e baixos e o facto de vivermos neste perigoso clima político. Há muita inspiração, venha ela em forma de esperança ou tristeza… Quero dizer com isto que há muito novo material para sair, sim. Estou também a trabalhar na minha segunda ópera, sobre o imperador Adriano, e sempre que volto a este território, quando me aproximo do fim do processo, começo a escrever muitas canções pop. Lidar com o mundo clássico pode ser bastante enfurecedor após alguns anos (risos). Lá volta a vontade de saltar novamente para o autocarro de digressão do rock.

Divulgou recentemente o vídeo da versão que fez de «Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours)», de Stevie Wonder. Como surgiu a ideia de gravar esse tema?
Foi obra do acaso. Um amigo meu, o Andrew [Ondrejcak], que fez o vídeo, estava a trabalhar num projeto de beneficência para a Art of Elysium, uma organização baseada em Los Angeles. Tinha algum tempo e ele perguntou-me se queria ir ter com ele para gravar uma canção. Era por uma boa causa, portanto fui. Resultou muito bem. Esse é um dos benefícios de viver agora em Hollywood: as pessoas estão constantemente a fazer coisas.

Vai interpretar canções de Joni Mitchel, Neil Young e Leonard Cohen num espetáculo em Los Angeles, em agosto. Quão influente foi Cohen no seu desenvolvimento enquanto artista?
Está lá no topo. Sempre foi uma das principais forças, um dos comandantes principais, no exército Wainwright (risos). É engraçado, porque eu não era um grande seguidor do Cohen no início, era mais a minha irmã, a Martha, que gostava muito dele quando era adolescente. Eu gostava mais de ópera, que continua a ser a minha influência principal. Mas depois de fazermos aquele concerto incrível de homenagem a ele, há uns anos, que depois foi editado no filme Leonard Cohen: I’m Your Man, e do sucesso que tive com a versão de «Hallelujah»... Conheci a família e o próprio Leonard, tornei-me parte da família e a minha admiração aprofundou-se. Sinto muito a falta dele e agora este concerto será o meu adeus pessoal, porque nunca cantei «Suzanne»... Vou cantar agora.

Que tipo de relação tem vindo a criar com Portugal ao longo dos anos? É um país onde vem tocar muitas vezes…
Adoro Portugal… Sempre foi um país tão leal, tão entusiasmado com a minha música e tão acolhedor. É um país onde sou muito bem-sucedido e onde gosto sempre de voltar. Estive a ver fotografias do sítio onde vou tocar desta vez, da cidade, e estou muito entusiasmado.