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Soundgarden em 1989

Charles Peterson/Sub Pop

Os verdes anos de Chris Cornell e dos Soundgarden

Uma série de relatos, na primeira pessoa, de quem privou com o vocalista no início da sua carreira

"Estavam sete graus negativos e nevava. Ele [Chris Cornell] tirou a camisola, as calças, e saltou para o estuário de Puget [uma enseada em Seattle]. Passámo-nos, pensámos em chamar o 112. Esteve lá perto de meia hora. Depois emergiu, como Neptuno, e começou a pegar nalguns dos presentes e a atirá-los a água, rindo de forma maníaca".

É assim que Evan Schiller, baterista dos Sadhappy, antiga banda de Seattle, descreve um dos encontros que teve com o vocalista dos Soundgarden. Este deu-se em 1991, dois meses após a banda ter editado Badmotorfinger, o seu terceiro álbum - e um dos mais acarinhados pelos fãs.

Memórias que recordou esta semana à Billboard, em homenagem a Chris Cornell, falecido no passado dia 17 de maio. E não foi o único. Van Connor, guitarrista dos Screaming Trees, aliou-se a Schiller nesse revisitar do passado.

Este tipo de situações eram frequentes com Cornell; Van Connor afirma que era o "modo comando" do vocalista, a forma que este encontrava para se tornar num verdadeiro "Deus do rock", sendo pacato e reservado no dia-a-dia.

Já Bruce Pavitt, co-fundador da Sub Pop - editora que muito fez pela ascensão e popularização do grunge - recordou a "perfeição" da voz de Cornell. "Isso no punk rock não era motivo de honras", afirma. "Mas quando ouvi a 'Hunted Down', ouvi a perfeição aliada à atonalidade da guitarra. E pensei que havia qualquer coisa ali".

"Hunted Down", single de 1987, acabaria por ser editado pela Sub Pop, juntamente com outros dois EPs da banda. A partir daí, os Soundgarden só cresceram, tal como a postura de Chris Cornell. Algo que foi planeado desde o início.

"Quando se começaram a tornar populares na área [de Seattle], não havia concerto em que ele não rasgasse a t-shirt", relembra Daniel House, dos Skin Yard. "Ele contou-me que costumava ir a lojas de segunda mão comprar t-shirts com o único propósito de as rasgar. Esses momentos eram bons para o marketing e para a alegria das audiências, e ele percebia isso", afirmou.

Mas House também recordou alguém distante, em contraponto com o bom humor e a simpatia. "Lembro-me de falar com o Kim [Thayil] e o Matt [Cameron] nos anos 90, e de eles me dizerem que estavam numa banda com o Chris há tanto tempo e ainda não sentiam conhecê-lo muito bem", afirmou, falando dos colegas de Cornell nos Soundgarden.

Mark Pickerel, baterista dos Screaming Trees, assumiu igualmente essa faceta do músico. "Ele não queria ser o centro das atenções a não ser que estivesse em palco. Ali, poderia dar às pessoas o espetáculo que elas queriam ver - e transformava-se no animal que elas queriam apreciar", explica.