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O que é o Ativan, o medicamento que pode ter matado Chris Cornell

É uma benzodiazepina, similar ao Valium ou Xanax, que a mulher de Chris Cornell, Vicky, acusa de ter conduzido ao suicídio do vocalista dos Soundgarden

Uma semana após a morte de Chris Cornell são ainda muitas as questões que se colocam em torno do seu suicídio. Nomeadamente se o mesmo terá sido potenciado por algum tipo de fármaco.

Essa mesma tese foi adiantada pela viúva de Chris Cornell, Vicky, num comunicado à imprensa publicado na sexta-feira, dois dias após a morte do músico.

Segundo Vicky Cornell, Chris teria ingerido mais do que a dose recomendada de Ativan, um medicamento que o músico andava a tomar. Diz Vicky que, numa das últimas conversas telefónicas que teve com Cornell, o discurso do marido soava "estranho" e arrastado. Não só isso, como o próprio Cornell terá admitido, nessa chamada, que "tomou um ou dois Ativans a mais", o que levou Vicky a pedir à equipa de segurança dos Soundgarden que verificasse o estado de saúde do vocalista.

Mas que é, na verdade, o Ativan? Trata-se de uma benzodiazepina, semelhante ao Valium e ao Xanax, utilizada para controlo de ansiedade e síndrome de pânico. Pode também auxiliar no tratamento a convulsões ou ajudar a aliviar sintomas derivados do vício em drogas.

O Ativan abranda o sistema nervoso de forma a que o indivíduo se sinta calmo, sendo recomendado em doses pequenas, durante algumas semanas. No entanto, o seu consumo não é aconselhado a pessoas com dependências, depressão, psicose ou problemas respiratórios. E, sabemo-lo, há muito que Cornell tinha um historial de luta contra a depressão.

O uso prolongado desde fármaco poderá levar um indivíduo a criar tolerância ao mesmo, ao ponto de o Ativan já não fazer efeito. O consumo excessivo do Ativan pode traduzir-se em comportamentos bizarros, discurso incoerente e/ou tremores. O efeito secundário mais perigoso será, contudo, um tipo de amnésia anterógrada - vulgo "branca" - que leva a comportamentos perigosos semelhantes àqueles potenciados pelo consumo excessivo de álcool, entre os quais tentativas de suicídio.

Um estudo realizado pelo Austen Riggs Center, um hospital psiquiátrico norte-americano, descobriu uma correlação entre o abuso de benzodiazepinas e o aumento do risco de suicídio, ainda que se esclareça que o suicídio não tem uma única causa. Ou seja: o Ativan poderá ter contribuído para o suicídio de Cornell, mas este terá sido provocado por outros problemas mais graves, de ordem mental.

"Ele amava as nossas crianças. Não iria magoá-las ao acabar com a sua própria vida", concluiu Vicky, no seu comunicado. Até que ponto terá o Ativan tido um papel importante na decisão de Chris Cornell em pôr termo à sua vida, só a autópsia o poderá indicar. Os resultados serão conhecidos dentro de alguns dias.