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Chris Cornell (1964-2017): In My Time of Dying

Afirmou-se nos anos 90 como uma das vozes mais reconhecidas do grunge, com os Soundgarden e os Temple of the Dog, liderou a superbanda Audioslave e arriscou também uma carreira a solo. Chris Cornell tinha 52 anos, deixou este mundo na noite da passada quarta-feira e o último refrão que cantou foi dos Led Zeppelin

«Súbita e inesperada»: foi desta forma que o representante de Chris Cornell, Brian Bumbery, adjetivou a morte do músico norte-americano na noite de 17 de maio, em Detroit. O líder dos Soundgarden, um dos expoentes do fenómeno grunge nos anos 90, tinha 52 anos e deixou mulher e três filhos. Cornell tinha atuado com a sua banda na cidade norte-americana poucas horas antes de morrer, partilhando inclusivamente uma mensagem nas redes sociais na qual demonstrava o entusiasmo que sentia por regressar à «rock city» para um espetáculo esgotado. Depois suicidou-se. Coincidência ou não, durante a última canção apresentada no concerto em Detroit, «Slaves & Bulldozers», recuperada ao álbum Badmotorfinger (1991), Cornell cantou o refrão de «In My Time of Dying» (algo como «na hora da minha morte»), dos Led Zeppelin.

Nascido em Seattle a 20 de julho de 1964, Christopher John Boyle foi também criado na cidade que ficaria para sempre ligada ao fenómeno grunge. Apaixonou-se pelos Beatles ainda durante a infância e no início dos anos 80 integrou uma banda de covers chamada The Shemps, projeto onde conheceu o baixista Hiro Yamamoto e o guitarrista Kim Thayil, com quem formaria os Soundgarden em 1984. A banda, primeira com o «selo» grunge a assinar por uma grande editora, só começaria a tornar-se mais conhecida em 1991, com o terceiro álbum, Badmotorfinger (muito por culpa dos singles «Outshined» e «Jesus Christ Pose»), mas foi com Superunknown, editado três anos depois, que subiria finalmente ao Olimpo do rock. «Black Hole Sun» e «Spoonman» tornaram-se verdadeiros hinos e catapultaram a banda para o sucesso mundial. Em 1997, um ano depois de editarem Down on the Upside, registo que não conseguiu igualar o sucesso do antecessor, resolveram acabar devido a «tensões» entre vários elementos. Juntaram-se novamente em 2010 – um regresso que apelidaram de «ridiculamente simples» em entrevista à BLITZ – tendo editado o derradeiro álbum, King Animal, dois anos depois. Estavam neste momento a trabalhar num novo longa-duração.

Além de vocalista, principal escritor de canções e guitarrista dos Soundgarden, Cornell deu também voz aos Temple of the Dog, grupo criado em 1990 (e que se manteve no ativo durante dois anos) para homenagear o amigo, e vocalista dos Mother Love Bone, Andrew Wood, falecido em março desse mesmo ano. Em 2001, quatro anos após a dissolução dos Soundgarden, juntou-se a três membros dos recentemente separados Rage Against the Machine (Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk) para formar o supergrupo Audioslave, com quem editaria três álbuns entre 2002 e 2006. Em simultâneo, Cornell foi também lançando trabalhos a solo, com maior ou menor sucesso. Deixou quatro álbuns em nome próprio – o último dos quais, Higher Truth, editado há dois anos – tendo sido brindado com bastantes críticas quando no terceiro, Scream, de 2009, resolveu trabalhar com o produtor Timbaland, mais ligado aos universos da pop e do hip-hop. Em 2006, assinou «You Know My Name», canção oficial de Casino Royale, 21º filme de James Bond, que, posteriormente, seria também incluída em Carry On, o seu segundo longa-duração.

Publicado originalmente no Expresso Diário de 18 de maio

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