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Chris Cornell em 2006: “O facto de me considerarem o 'ajuizado' de Seattle permitiu-me mentir a mim mesmo”

Há mais de dez anos, o norte-americano, que ontem faleceu, deu uma entrevista reveladora à Spin

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Em 2006, Chris Cornell deu uma entrevista reveladora à revista Spin, abordando a sua ligação ao álcool e às drogas, bem como a sua luta contra a depressão.

"O facto de ser considerado o 'ajuizado', dentre as pessoas de bandas famosas de Seattle, permitiu-me mentir a mim mesmo", reconhece.

Na mesma entrevista, o norte-americano explica que, aos 14 anos, teve uma experiência traumática com drogas, o que levou a um distúrbio ligado ao pânico. "E claro que não contei a verdade a ninguém. Não vais ter com o teu pai ou com o médico a dizer: pois é, fumei PCP e agora estou mal. Entre os 14 e os 16 anos, não tive amigos. Estava quase sempre em casa. Até aí, estava tudo ótimo. O mundo era enorme e eu achava que podia fazer o que quisesse. De repente, sentia que não podia fazer nada".

Em 2006 Cornell garantia que, até perto dos 30 anos, não tomou drogas duras. "Infelizmente, enquanto filho de alcoólicos, comecei a beber muito, e isso é que me levou de volta às drogas. Muita gente diz que a erva conduz às drogas pesadas. Mas penso que é o álcool, porque tira-nos o medo".

Segundo o músico, o álcool levou-o a tomar drogas legais e, mais tarde, todo o tipo de estupefaciente. "Durante muitos anos controlei o meu alcoolismo. Era uma pessoa de confiança, fazia as minhas coisas. Quando a minha vida pessoal descarrilou, intoxiquei-me. Então estive deprimido mais uns anos. Não comia, bebia muito, comecei a tomar comprimidos. Achava que nunca me aconteceria uma coisa destas. Nessa altura, percebi que não sou especial. Sou como outra pessoa qualquer".

Chris Cornell, que há anos teria debelado os seus problemas de dependência, morreu ontem, aos 52 anos. As autoridades confirmaram que o músico se suicidou.