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Quanto ganha a banda mais barata e por que é que o rock pode estar em maus lençóis? 7 coisas que ainda não sabia sobre Coachella

Entrevista da New Yorker a Paul Tollett, um dos organizadores do festival, revelou vários dados curiosos sobre o mesmo

Na mesma semana em que se inicia nova edição do festival de Coachella, a revista The New Yorker publicou uma entrevista com Paul Tollett, da promotora Goldenvoice, e um dos responsáveis pela organização do mesmo.

A entrevista permitiu saber vários dados interessantes acerca do festival, bem como algumas curiosidades. Como o facto de os lugares reservados ao público VIP serem pintados de preto, de forma a que os artistas não percebam, do palco, o número exato de lugares vazios...

Mas há outras curiosidades mais sérias, evidentemente. Segundo Tollett, a organização demora cerca de seis meses a contratar todos os cerca de 150 artistas que atuam no festival. E detalhes como o seu posicionamento no cartaz são estudados ao pormenor, ao ponto de os designers serem obrigados a escrutinar até o tipo de letra para cada qual.

Quanto aos cachets, variam naturalmente de artista para artista, sendo que o mínimo que uma banda pode esperar receber em Coachella são 10 mil dólares - algo como 9420 euros. No entanto, contratar uma banda por um valor fixo quase que se tornou num jogo.

Explica Tollett: "Há 20 anos, os artistas 'alternativos' cresciam mais lentamente. Hoje é tudo pop, de certa forma, e explode devido a [serviços como] o SoundCloud. Faço uma oferta a uma banda mais pequena, e em seis meses o mundo deles pode alterar-se radicalmente. Ou contrato uma banda em pico de forma e os números deles vão baixando progressivamente", disse.

Ainda assim, existe uma clara dificuldade na contratação de certos artistas - nomeadamente aqueles ligados a géneros como o hip-hop ou a música eletrónica. "Os DJs são pessoas que, em palco, passam música - não os podemos avaliar pelas suas vendas de discos. Temos de seguir outros parâmetros: números de likes no Facebook, de seguidores no Twitter ou de visualizações no YouTube [por exemplo]", revelou Tollett.

Dois géneros que poderão, em breve, suplantar o rock ao ponto de este não voltar a figurar no cartaz de Coachella. A explicação tem a ver, única e exclusivamente, com a qualidade do som. "Numa banda de indie rock com seis ou sete membros, há sempre alguém que irá desafinar, logo o som não é perfeito. Isso não acontece com a música eletrónica, porque é tudo pré-programado. Não há erros. E há uma geração que está habituada a não ouvir erros, logo não irão gostar [de um artista que os tenha]", explicou.