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Chris Coleman, que chegou a colaborar com Prince, também passou pelo espaço Drum Camp para mostrar por que razão integra a banda de Chaka Khan há uma década

PIETRO SUTERA

Musikmesse 2017: a bateria de Chris Coleman, instrumentos "made in Portugal" e o impacto do Brexit na indústria musical

A feira da indústria musical em Frankfurt continua a ser acompanhada pela BLITZ

O segundo dia que a BLITZ passou na Musikmesse 2017, em Frankfurt, na Alemanha, multiplicou-se pelos vários espaços da feira mas também pelos diversos pavilhões dedicados ao evento paralelo Prolight + Sound, onde assistimos a demonstrações de algumas das inovações que ajudam a tornar os palcos mais atraentes e a experiência de assistir a uma atuação musical (e não só) mais imersiva.

Voltámos a passar pelos pavilhões onde os fabricantes de instrumentos mostram os seus produtos, mas hoje detivemo-nos num espaço bem concorrido: o Drum Camp, onde está montado um palco que recebe curtas atuações de músicos. Entre os que atuaram esta tarde, estiveram Will Hunt, dos Evanescence, recebido no contentor negro batizado de "Sweat, Blood and Tears Box" por uma pequena multidão. Na companhia de Jen Majura, também da banda norte-americana, o músico mostrou os seus dotes com a voz de Amy Lee, gravada, como pano de fundo. "Roubaram-me as baquetas... Devo ser mesmo importante (risos). Se as virem por aí, apontem-me o gajo", exclamou Hunt antes de oferecer alguns conselhos sobre os seus equipamentos favoritos. Os fãs de metal estavam em maioria no exíguo espaço (vimos várias t-shirts dos Disturbed), reagindo em histeria quando o músico apresentou temas como "Made of Stone" ou "New Way to Bleed".

Will Hunt, dos Evanescence, foi um dos bateristas convidados a subir ao palco do Drum Camp para mostrar os seus dotes

Will Hunt, dos Evanescence, foi um dos bateristas convidados a subir ao palco do Drum Camp para mostrar os seus dotes

Hunt dirigiu-se depois ao espaço de autógrafos, dando lugar ao homem que se seguiu: Chris Coleman, norte-americano que chegou a acompanhar Prince em palco e que há dez anos integra a banda de Chaka Khan. Num registo diferente, e ultra bem-disposto, Coleman confessou que a Alemanha é um dos seus países favoritos ("e não digo isto por dizer, tenho muitos amigos aqui"), deixando depois um conselho a quem é músico mas não sabe "o que fazer à vida": "o que quer que aconteça, não desistam dos vossos sonhos". Muito entusiasmada, a audiência respondeu de forma efusiva aos dotes musicais de Coleman de cada vez que este colocava o pé no acelerador e fazia a bateria trovejar.

Apesar de mais direcionadas ao mercado alemão, as palestras, conferências e debates cobrem áreas de discussão tão vastas quanto as inovações nos desenhos de palco (assistimos, no Prolight + Sound, a alguns minutos da apresentação de uma empresa que já assegurou a direção criativa de concertos de P!nk ou One DIrection, cerimónias dos prémios Brit e da edição de 2014 da Eurovisão) ou o impacto que o Brexit terá na indústria musical europeia. Mathias Dubbert, responsável da Câmara de Indústria e Comércio em Bruxelas, resumiu a discussão que decorre neste momento na Europa sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, pegando nas relações bilaterais com a Alemanha como exemplo e declarando que as exportações de instrumentos musicais são importantes para o seu país. O alemão diz que ainda não se sabe bem o que acontecerá daqui a dois anos, quando o processo do Brexit estiver concluído, mas que provavelmente a burocracia vai aumentar, com um maior controle nas fronteiras no que diz respeito à circulação de produtos. Dubbert explica ainda que a União Europeia não quer que existam negociações individuais dos países europeus com o Reino Unido e que como o mercado único dentro da União é para manter tudo será discutido entre Bruxelas e Londres.

O "Center Stage", localizado na parte exterior da feira, é um dos espaços privilegiados para as atuações

O "Center Stage", localizado na parte exterior da feira, é um dos espaços privilegiados para as atuações

Tivemos ainda tempo para espreitar alguns showcases nos vários palcos montados no exterior da feira, as últimas inovações em matéria de iluminação e pirotecnia no espaço DJ Con, folhear livros escolares interativos e experimentar cadeiras ergonómicas para músicos de orquestra, bem como visitar os stands de instrumentos "made in Portugal" presentes no certame.

Stand da APC Instrumentos Musicais na Musikmesse 2017

Stand da APC Instrumentos Musicais na Musikmesse 2017

No sempre concorrido espaço da APC Instrumentos Musicais (cordofones), que tem sede em Braga, Simauro Carvalho, responsável pelo marketing da empresa, explicou-nos que é a sétima vez que se deslocam à Musikmesse e que o fazem com o objetivo principal de "estabelecer contacto direto com os clientes", partindo de Portugal já com reuniões marcadas. O filho mais novo de António Pinto de Carvalho, fundador da empresa, explica que fornecem muitas lojas de instrumentos na Alemanha, um dos seus principais mercados. A empresa familiar bracarense não vende "diretamente", mas conta com Rui Veloso entre os seus adeptos mais ilustres.

Foram muitos os curiosos a experimentar as guitarras da APC na feira

Foram muitos os curiosos a experimentar as guitarras da APC na feira