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O nome dela não é Luka, é Suzanne Vega. E traz Portugal no coração

Há 30 anos, Suzanne Vega lançava “Solitude Standing” , o álbum que deu a conhecer êxitos como ‘Luka’ e ‘Tom's Diner’ e lançou em definitivo a carreira da artista. O disco conheceu assinalável impacto em Portugal ao ponto de a artista ter sido recebida pelo então Presidente da República, Mário Soares, no Palácio de Belém, em 1988. Recorde a ocasião nas palavras da própria

Editado a 1 de abril de 1987, o disco de "Luka" faz hoje 30 anos. Recebido e aclamado em várias partes do mundo, foi Solitude Standing que lançou em definitivo a carreira da cantora e compositora norte-americana, então com 27 anos.

Daquele que é o segundo disco de originais de Vega destaca-se o registo folk característico da nova-iorquina e o espírito pop num tema como "Luka", que conta, na primeira pessoa, a história de uma criança vítima de maus tratos.

"My name is Luka / I live on the second floor" são os primeiros versos deste tema emblemático que pode recordar aqui, no videoclip oficial:

"Luka" garantiu-lhe ainda três nomeações para os Grammys em 1988 (Melhor Gravação, Melhor Canção e Melhor Interpretação Vocal Pop Feminina), salientando-se num álbum que continha ainda a influente "Tom's Diner", alvo de várias versões ao longo dos últimos trinta anos.

"Solitude Standing", de Suzanne Vega

"Solitude Standing", de Suzanne Vega

Recorde aqui o álbum de 1987 de Suzanne Vega:

Em Portugal, onde chegou a ser apelidada de "a menina da rádio", o impacto deste álbum de Suzanne Vega ficou sublinhado pela sua visita ao Palácio de Belém em 1988, a convite do Presidente da República Mário Soares.

DR

Numa entrada do seu diário, datada de dezembro de 1993 e publicada em 2000 no seu website (incluída no livro The Passionate Eye: The Collected Writings of Suzanne Vega), a cantora americana recorda o momento, que descreve como inesperado. Neste texto intitulado "Impressões de Portugal", Suzanne Vega partilha as memórias que guarda de Portugal e dos portugueses, sem esquecer a amabilidade de Mário Soares.

"Fui convidada, em 1988, para visitar o Presidente Soares no seu Palácio, o que me surpreendeu porque não estou habituada a este tipo de convites de alta importância", escreveu a artista, acrescentando ainda que "o Presidente foi muito amável, mas não falávamos a língua um do outro. Sorrimos muito".

"Fui com um representante da minha editora, o meu namorado e o meu manager", prossegue o desfile de memórias. "Sentámo-nos uns ao lado dos outros, conversámos durante alguns minutos, tirámos fotografias e depois levantámo-nos e começámos a vaguear pelo palácio, que é tão bonito que parece um museu".

Ainda neste registo, Vega refere-se à forma como o público português a recebia, então, nos concertos. Sobre "Ironbound/Fancy Poultry", música presente em Solitude Standing e que começa com uma referência às mulheres portuguesas, a cantora americana nota o seguinte: "Quando toco esse tema, as oito mil pessoas presentes na assistência, seja em Lisboa, Porto ou Cascais, aplaudem, gritam, cantam comigo e, felizes, levantam os braços e festejam".

Em julho de 2014, Suzanne Vega esteve em Oeiras para um concerto no festival EDP Cool Jazz. Antes daquela que foi, até ao momento, a sua última atuação em solo português, a BLITZ falou com a artista, que resumiu assim a sua relação "amorosa" com os palcos: "Eu faço isto há muitos anos. O meu primeiro amor foi estar em palco. Comecei a tocar ao vivo aos 16 anos, muito antes de ter um contrato para gravar discos. Adoro andar em digressão, dá-me muita energia. Adoro maquilhar-me antes de entrar em palco, ainda é tudo muito excitante!"

MD