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A prova de fogo dos Arcade Fire já fez 10 anos. Vamos recordar “Neon Bible”?

Em 2007, depois do sombrio mas poderoso “Funeral”, os canadianos regressaram com Neon Bible, um disco que os tornou ainda maiores. Recorde a crítica BLITZ (que não foi tão entusiástica quanto isso…), o concerto em Portugal logo a seguir e o que disseram os nossos leitores sobre o álbum que mais apreciaram naquele ano

Neon Bible, o segundo disco dos Arcade Fire, saiu há 10 anos. É o sucessor do marcante Funeral, um dos álbuns mais celebrados da cena indie do início deste século. Alia a grandiosidade do primeiro álbum a uma sensação de religiosidade patente, inclusive, no título.

Gravado maioritariamente numa antiga igreja no Quebec, Neon Bible é o primeiro álbum a contar com Jeremy Gara na bateria e o violino de Sara Neufeld, que assim se juntam a Will Butler, Win Butler, Régine Chassagne, Tim Kingsbury e Richard Reed Parry.

Em Neon Bible destacam-se também outros contributos, como a Budapest Film Orchestra e um coro militar masculino, registados na Hungria.

O épico "Black Mirror" foi o primeiro single extraído do disco:

A presença mais notória do registo vocal de Régine Chassagne é também uma marca deste segundo álbum dos Arcade Fire. "Black Wave / Bad Vibrations" e uma versão renovada de "No Cars Go" (tema que fez parte do EP de estreia da banda, de 2003) são exemplos disso mesmo.

O sucessor de Funeral (2004) chegou ao 2º lugar do top português (curiosamente, a mesma posição que atingiu nos Estados Unidos e em Inglaterra) e viria a ser nomeado para a categoria de Melhor Álbum Alternativo nos Grammys 2008.

Para a BLITZ, Neon Bible foi um "regresso dos super-heróis do rock maior que a vida". Recorde aqui a crítica ao álbum, assinada por Luís Guerra, publicada na revista de março de 2007:

"É a penúltima música do segundo álbum dos canadianos Arcade Fire e os convertidos já a conhecem de outros carnavais: antes de Funeral e da 'aparição' dos novos messias do rock que mexe os cordelinhos da emoção, 'No Cars Go' residia, de forma discreta, no EP homónimo que o grupo de Montreal lançou, a expensas próprias, em 2002. É uma forma provavelmente maniqueísta de apresentar o sucessor de Funeral, disco-milagre louvado de Vila Nova de Poiares a Saturno e prazer assumido de figuras como Björk e David Bowie, mas 'No Cars Go' é também um aviso que diz: 'Nós, os Arcade Fire, somos aquilo que somos mas também o que já fomos'. Como que dando a entender que é, em certa medida, injusto avaliar as 11 novas canções saídas da pena de Win Butler e comparsas unicamente em função do impacto que Funeral teve na vida de quem viu nos seus artesãos dignos sucessores dos Pixies ou dos Joy Division – esqueçamos a música; falamos da forma como tocam o íntimo de uma geração disponível para amar. Neon Bible é o mais próximo que os Arcade Fire estiveram de se tornar uma 'experiência religiosa'. A banda gravou numa igreja (órgão de tubos incluído), conta com a participação de um coro militar, uma orquestra húngara e a toada, antes áspera no pormenor dentro de um quadro geral de candura, ruma a um lugar mais seguro. Há momentos de 'storytelling' Springsteen ('Antichrist Television Blues'), cânticos harmoniosos ('Windowsill'), Inverno dentro de portas e uma vela acesa ('Intervention'), tempestades de gelo ('Black Mirror'). E 'No Cars Go' revisitada: monumental, empolgante, antológica. Ponto assente: é um bom disco, o segundo dos Arcade Fire. Mas é um álbum incapaz de rivalizar com Funeral na forma como Funeral se tornou qualquer coisa exterior a si próprio, um depósito de ânsias e expectativas de quem o ouviu de coração nas mãos; um fundo comunitário que extravasa o inventário de instrumentos, acordes, convenções musicais e géneros estanques. Neon Bible é a réplica depois do grande terramoto – impressionante, sim, mas a apanhar toda a gente de capacete na cabeça"

Poucos meses depois do lançamento deste segundo álbum, os canadianos marcaram presença em Portugal. A 3 de julho de 2007, atuaram no Parque do Tejo, em Lisboa, no Festival Super Bock Super Rock. A BLITZ esteve lá:

"Pouco passava da meia-noite, quando os Arcade Fire, a numerosa banda do Québec (que incorpora metais e cordas, para além de baixo, bateria, teclados, guitarras e percussões diversas) dava início a uma actuação pontuada por um número elevadíssimo de pontos altos de uma notável rendição de 'Black Mirror', um dos documentos mais enérgicos de Neon Bible, à descarga de emoções em 'Tunnels'. (...) Win Butler que se desmultiplicou em agradecimentos contou até que, em Montreal, vive entre a comunidade portuguesa e a grega, pedindo desculpa por lembrar o povo que nos 'tramou' a vida no Euro 2004".

Arcade Fire ao vivo no Super Bock Super Rock 2007

Arcade Fire ao vivo no Super Bock Super Rock 2007

Rita Carmo

Para os leitores da BLITZ, Neon Bible também não passou despercebido e foi considerado o melhor álbum internacional do ano de 2007. Feitas as contas, "a religião dos Arcade Fire veio para ficar". Aqui ficam alguns dos testemunhos dos leitores:

"Os arranjos musicais, o sentido rítmico e estético, aliado à grandiosa prestação vocal da banda tornam Neon Bible um dos álbuns do ano, sem margem para dúvida". M211

"Arcade Fire é 'apenas' a melhor banda deste virar de século, é aquilo por que estava à espera há já tanto tempo, é citando alguém 'the special one'". Matilde

"Incompreensivelmente considerado pela crítica como 'irmão menor' do seu predecessor, é o avanço para o estágio seguinte em termos de composição e complexidade, com resultados mais que evidentes na textura e beleza dos temas" Cold-wind

MD