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CD “Sempre Grato”, de Mundo Segundo, grátis com a BLITZ de janeiro: leia aqui a entrevista

Com a BLITZ de janeiro, já nas bancas, recebe grátis um CD inédito do hip-hopper português Mundo Segundo, que conhecerá apresentação ao vivo em Porto (dia 21) e Lisboa (dia 27). Leia aqui a entrevista com o autor de “Sempre Grato

Mundo Segundo, veterano respeitado do hip-hop português, é o autor de Sempre Grato, disco distribuído gratuitamente com a BLITZ de janeiro e que será apresentado ao vivo no Hard Club, no Porto, a 21 de janeiro, e no Musicbox, em Lisboa, a 27 do mesmo mês.

Rui Miguel Abreu entrevistou-o, conversando com ele sobre este disco e também sobre os seus planos para o futuro próximo. Leia aqui a entrevista.

Sempre Grato, CD grátis de Mundo Segundo com a BLITZ de janeiro

Sempre Grato, CD grátis de Mundo Segundo com a BLITZ de janeiro

É um dos mais respeitados veteranos do hip-hop nacional, homem dos Dealema, companheiro de estrada de Sam The Kid, incansável agitador de águas. Agora, agradece por tudo o que conquistou em duas décadas de intensa carreira: Sempre Grato é o título do CD que recebe gratuitamente com a BLITZ deste mês. Rui Miguel Abreu fez as perguntas

Descreveu-se a si mesmo como um «ancião» no título do seu projeto a solo anterior, que data de 2014. E esse é, sem dúvida, um estatuto que assenta na perfeição a Mundo Segundo, homem dos Dealema que há duas décadas carrega a chama do hip-hop nacional, agitando os subterrâneos a partir do seu mítico Segundo Piso ou no programa Skillz que assina na Rádio Nova Era, do Porto. O percurso erguido em cima dessa ética de trabalho permitiu-lhe percorrer hoje importantes palcos – pisou, com Sam The Kid, o palco BLITZ do festival Sol da Caparica no verão passado, por exemplo – e, por isso mesmo, a gratidão é algo que lhe anima a inspiração. É esse o ponto de partida para o EP que agora apresenta com a BLITZ, sete novos temas a que deu o título Sempre Grato.

Sempre Grato mostra sete novos temas de Mundo Segundo. Que CD é este?
Este CD acaba por ser um EP – um pouco mais curto que um álbum – e é composto por músicas que eu andava à procura de fazer dentro de um lema que tenho vindo a publicar através das redes sociais, «Sempre Grato». Essas músicas acabam por se encaixar: são músicas que falam sobre aquela gratidão que eu tenho à música e àquilo que a música, família e amigos me proporcionaram; faziam sentido umas com as outras. Não é um álbum – porque eu estou a preparar um álbum que só irei lançar após o trabalho que estou a fazer com o Samuel [Sam The Kid] –, mas já tinha algumas destas músicas cozinhadas, digamos assim, e quando surgiu a oportunidade de fazer este CD para a BLITZ achei que fazia sentido pegar neste conceito.

Essa gratidão também é sinal de uma carreira bem-sucedida. Sente-se um artista acarinhado pelo público?
Sim, sinto-me bastante acarinhado. Sinto isso quando saio à rua e as pessoas me abordam. Dizem que a minha música os ajuda a enfrentar a vida de uma forma mais positiva, que as ajuda em alturas que têm menos força e que as minhas palavras despertam nelas essa nova força. Isso faz-me sentir, de certa forma, uma pessoa realizada, até mais do que como músico – uma pessoa realizada foi o que eu procurei ser quando comecei a fazer música. Apesar de a minha obra estar sempre incompleta, sinto-me sempre realizado.

Como é que encaixa em termos estéticos, tanto a nível de beats como de letras, este trabalho na sua carreira?
Algumas destas músicas têm uma estética que eu já explorei ao longo dos anos. O clássico boom bap que vem dos samples, que vem da soul. Outra parte do EP são novas paisagens sonoras para mim, nas quais eu estou a tentar aplicar novas sonoridades para as rimas e a fazer diferentes testes. Posso, dentro daquilo que é a minha área, ir explorando coisas novas. Três músicas exploram paisagens já familiares para quem me segue, mas que volto a visitar de uma forma mais fresca; e há também três paisagens diferentes que tinha vontade de explorar.

Foi tudo gravado num curto espaço de tempo ou são coisas que foi registando ao longo do tempo?
Foi gravado num espaço de um ano e meio. Sendo que no último meio ano foi gravada a maior parte dos temas porque eu fui colhendo os beats também de pessoas diferentes; tentei procurar alguns produtores com quem ainda não tinha trabalhado. Eu demoro sempre muito tempo a recolher os beats porque, lá está, gosto de procurar essas paisagens com cenas que me inspirem. Por isso, levei mais tempo a fazer essa recolha de instrumentais, a preparar os arranjos. Depois, no último meio ano, escrevi tudo, juntando as experiências deste último par de anos em que estive sem fazer nada a solo.

Gizou este EP na sua cabeça antes de começar essas gravações, ou as coisas foram simplesmente acontecendo, com a temática a encaixar-se naturalmente no material que ia registando?
Hoje em dia, procuro uma história naquilo que vou fazer e o Sempre Grato acaba por ser essa história. Eu tinha este conceito na qual queria enquadrar músicas. Fui fazendo algumas, fui aproveitando aquelas que tinham a ver com este conceito – hoje em dia é assim que eu, em traços gerais, cozinho os meus temas e os meus discos. Já tenho, por exemplo, o conceito do meu futuro álbum: já sei a nível gráfico o que quero, que tipo de instrumentais é que vou procurar, quais são os temas sobre os quais vou rimar e como é que irei abordá-los. Sempre Grato foi um bocado assim: eu já sabia o que é que queria e fui atrás tanto das paisagens sonoras como poéticas para se encaixarem no disco. Gosto de fazer o meu filme sonoro. Gosto de ter primeiro o guião e depois vou encaixando as peças.

Como é que geriu o elenco de convidados para o Sempre Grato? Foram os próprios temas e os beats que lhe apontaram cada participação?
Acho que sim. O hip-hop vive dessa necessidade de ouvir um beat e saber que determinada pessoa/artista que se aprecia se enquadraria perfeitamente no instrumental ou naquela temática que se está a abordar – eu procuro sempre isso nas minhas músicas. Não é algo que eu faça premeditadamente. Deixo que o beat fale comigo e, se calhar, digo «este beat tem mais a ver com esta pessoa». Depois há outras pessoas que convidei que se encaixam na minha estética sonora e com quem gosto de fazer música continuamente.

Está a falar do Maze ou do Bezegol?
Na verdade, com o Bezegol é a primeira vez que temos um tema juntos, apesar de sermos da mesma cidade. É a primeira vez que vamos mostrar algo em conjunto. Acho que vai ser uma surpresa agradável para as pessoas porque já há muitos anos que vínhamos a falar disto e agora concretizou-se desta forma. Estou muito contente com o resultado dessa música. O Maze aparece porque é companheiro de armas desde sempre. É alguém com quem me identifico bastante, tanto musical como poeticamente. É uma pessoa que me diz bastante. O Macaia, que é a voz soul presente no disco, é alguém que eu recrutei para a minha live band. É a pessoa que representa a soul dentro do projeto. É alguém que estará sempre ligado ao meu projeto a solo. E depois temos o Caíque, que também assina Caligari, artista brasileiro que passou recentemente em Portugal e com quem já há algum tempo queria trabalhar.

O que é que um produtor tem que ter para chamar a sua atenção?
Normalmente não vou muito pelos nomes. Considero-me sempre aberto a ouvir a música, sem me deixar impressionar pelo nome de quem a produz. Em relação aos Roger Plexico, já tinha ouvido as canções com o Ace, por exemplo, e eu gosto muito de quando a música me provoca emoção, seja alegria ou tristeza. Foi um bocado por aí: eu ouvi a música e senti-me, de certa forma, emocionado pelos instrumentais. Acabei por ir ao estúdio dos Roger Plexico, eles mostraram-me uns instrumentais e eu escolhi aqueles que julguei que tinham mais a ver comigo. Em relação ao Cálculo, eu já tinha vindo a apreciar alguns instrumentais que ele fazia, que se enquadram no boom bap de soul clássico, mas com um toque fresco desta nova geração. É algo que eu aprecio sobremaneira. Fiz-lhe o convite quando ele ainda estava em Londres, mas foi-me mandando instrumentais até que chegámos a este. Tenho outros dois produtores no EP: Instant Classic, que é um produtor de Brooklyn que vende beats e outras coisas e que conheci em vídeos de basquetebol. Procurei mais sobre ele e consegui ter um par de beats, nomeadamente na música com o Bezegol e na outra com o Maze e o Macaia. Tenho ainda um beat de um produtor da Alemanha que é o Allrounda, o mesmo que fez o beat do «Era Uma Vez», um dos mais conhecidos que eu tenho. Procurei um instrumental dele porque é um tipo de sonoridade de que gosto muito: muitos pianos, muitos elementos orquestrais. Tenho o Memfis, que tem aquele beat com um cheirinho a Expresso do Submundo, dos Dealema de 1996 – quando ouvi o beat apaixonei-me logo por ele. Tenho a introdução produzida pelo Guze com um instrumental pesado, mais negro, mas que funciona na perfeição para os meus concertos.

De onde vem o fascínio pelo imaginário de samurais e da cultura japonesa que se manifesta na capa do EP?
Sei que é um universo que o hip-hop já explorou muitas vezes, mas na verdade a minha história é um pouco diferente; não é tanto musical. Eu e a minha mulher, a Mafalda, conhecemo-nos através de um pequeno desenho japonês e essa ligação com a cultura japonesa tem mais a ver com a minha vida pessoal. Mas no fundo, nestes últimos anos, a cultura japonesa tem estado muito presente por causa disso. Fui realmente aprofundando a ligação através dela, li sobre o Bushido, o código dos samurais, e de certa forma vi alguma coisa que me apaixonava e que realmente achava que tinha a ver comigo: a disciplina, a lealdade e todos esses valores que sempre adotei na minha música.

Já começou a projetar 2017 na sua cabeça, para lá deste EP?
Sim, sim… Não queria que este momento a solo fosse um álbum porque tenho o trabalho com o Samuel, vamos ter novas coisas na rua… Com Dealema estamos a cozinhar algo que não é musical, queremos mostrar bem a história dos Dealema, mostrar de onde viemos, qual foi a génese deste projeto. Honestamente falando, eu não faço muitos planos musicais, vivo muito do momento e se, por exemplo, amanhã acordar e sentir que tenho que fazer um álbum de beats, então isso é o que eu vou fazer. Como não tenho editora, não existem prazos, não existem regras e este prazer de ser independente também se manifesta com esses repentes. A beleza de ser independente é mesmo essa

A BLITZ de janeiro já está nas bancas

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