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George Michael

George Michael (1963 - 2016): de ídolo adolescente a ícone mundial

Saltou para a ribalta com os Wham! no início dos anos 80, mas afirmou-se em nome próprio quando decidiu seguir a solo. Em cima e fora de palco, George Kyriacos Panayiotou viveu uma vida acelerada

Nasceu em Londres a 25 de junho de 1963, filho de pai cipriota (de origem grega) e mãe inglesa, e morreu ontem, com 53 anos, na sua casa de Goring-on-Thames, Oxfordshire. Chamava-se Georgios Kyriacos Panayiotou mas o mundo conheceu-o como George Michael. Aos 18 anos, depois de ter começado o seu percurso na música a cantar no metro de Londres e a atuar como DJ, Michael formou a dupla pop Wham! com o amigo de adolescência Andrew Ridgeley - antes, tinham integrado uma banda de ska chamada The Executive.

O primeiro álbum do duo, intitulado Fantastic - que incluía temas como "Bad Boys" ou "Club Tropicana" - chegou às lojas em 1983, escalando a tabela de vendas britânicas. Seria, no entanto, com Make it Big, do ano seguinte, que a dupla se afirmaria a nível mundial. O disco chegaria ao primeiro lugar do top britânico mas também do norte-americano, australiano, canadiano e japonês, entre outros, muito por culpa de canções que se tornaram clássicos pop: "Wake Me Up Before You Go-Go", "Careless Whisper", "Freedom", "Everything She Wants". Este último tema seria editado em single na companhia de "Last Christmas", que se tornou um sucesso instantâneo e é até hoje uma das mais reconhecíveis canções de Natal. O último álbum de originais dos Wham!, Music from the Edge of Heaven, seria editado em 1986, incluindo não só "Last Christmas" como "I'm Your Man" ou "The Edge of Heaven". O disco chegaria apenas às lojas japonesas e norte-americanas, com um outro disco, chamado The Final, a ser lançado noutros países - além dos temas de Music from the Edge of Heaven, dele faziam parte os maiores sucessos da dupla.

O final dos Wham! seria anunciado na primavera de 1986, com George Michael a expressar a sua vontade de fazer música que apelasse a um público mais adulto. Sobre o final do projeto, o cantor diria: "penso que esta deve ser a separação mais amigável da história da pop". O último concerto realizar-se-ia no Estádio de Wembley, em junho, com 72 mil pessoas a assistirem ao espetáculo, que contaria com as participações especiais de Elton John e Simon Le Bon, dos Duran Duran.

Faith, o primeiro álbum a solo de George Michael, chegou às lojas em 1987 e dominou as tabelas de vendas mundiais ao longo do ano, com singles como "I Want Your Sex" - banido de rádios britânicas e norte-americanas devido ao seu conteúdo explícito -, "Faith", "Father Figure" e "One More Try" a tornarem-se sucessos inescapáveis. O disco, que vendeu até hoje mais de 25 milhões de exemplares a nível global, ganharia o Grammy para Melhor Álbum e renderia ao cantor o galardão de Artista Masculino Britânico do Ano nos prémios Brit. 3 anos depois, editava Listen Without Prejudice Vol. 1, disco que não conseguiria repetir o sucesso retumbante do seu antecessor, com canções como "Praying for Time", "Waiting for that Day" ou "Cowboys and Angels" a mostrarem uma faceta mais séria de Michael. "Freedom '90" (o ano foi acrescentado ao título para que não houvesse confusão com a canção dos Wham! com o mesmo nome) revelar-se-ia, ao longo do tempo, o tema mais bem-sucedido do disco.

Depois de uma longa pausa de seis anos, Michael regressou com Older, disco apresentado pelo single "Jesus to a Child", escrito sobre a morte do seu parceiro, o brasileiro Anselmo Feleppa, três anos antes. O registo incluía também os sucessos "Fastlove", "Spinning the Wheel" e "Older" e escalou as tabelas de vendas mundiais, embora tenha falhado, tal como Listen Without Prejudice Vol. 1, o primeiro lugar do outro lado do Atlântico. Dois anos depois de o disco chegar às lojas, em 1998, ficariam finalmente esclarecidas as dúvidas sobre a sexualidade do cantor: Michael foi detido por ter assediado um polícia numa casa de banho pública num parque em Beverly Hills, na Califórnia. "Outside", single editado nesse mesmo ano, abordou o assunto, quer na letra quer no polémico vídeo.

No final de 1999, Michael editava Songs from the Last Century, disco composto por algumas das suas canções favoritas de outros artistas, entre as quais se encontravam "My Baby Just Cares for Me" (celebrizada por Nina Simone), "Roxanne" (dos Police) ou "Miss Sarajevo" (êxito do projeto Passengers, que unia os U2 a Brian Eno). O último disco de originais, Patience, seria editado em 2004 - os singles "Shoot the Dog" e "Amazing", provavelmente os mais conhecidos do disco, não atingiriam grande sucesso. Symphonica, de 2014, fica para a história como último disco de Michael. É também o único registo longa-duração ao vivo que o artista britânico editou em toda a sua carreira, captando para a posteridade temas que apresentou na sua última digressão: apenas seis são da sua autoria, com o restante alinhamento a ser composto por versões de temas de outros artistas.

Fora de palco, e tirando o seu problema com a justiça em 1998 que levaria a que assumisse publicamente a sua homossexualidade, Michael foi presença constante nos tablóides devido ao seu problema de dependência de drogas. Em 2006 e 2008 foi detido por posse; em 2010, um acidente automóvel (espetou o seu carro contra uma montra de uma loja de fotografia em Londres) levou-o novamente à esquadra, sendo posteriormente condenado a oito semanas de prisão (das quais só cumpriu quatro) e a pagar uma multa, sendo-lhe também apreendida a carta de condução durante vários anos.

Em outubro de 2011, uma infeção viral levou a que o cantor cancelasse um concerto em Londres e um mês depois Michael passaria mesmo dez dias internado nos cuidados intensivos de um hospital em Viena devido a uma pneumonia. O músico explicaria depois que a equipa médica, que se viu obrigada a fazer-lhe uma traqueotomia, lhe tinha salvo a vida. Em maio de 2013, um incidente insólito levá-lo-ia novamente ao hospital, com lesões na cabeça: caiu do seu carro, que seguia em movimento numa auto-estrada britânica.