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Legendary Tigerman: dias e noites no deserto Mojave. Parte V (O instrumento mágico)

Novo disco do músico português está a ser gravado no mítico estúdio Rancho de La Luna, cravado no deserto da Califórnia. Hugo Franco, jornalista do Expresso, está a acompanhar tudo, nos bastidores. A autoharpa tem mais encanto na hora da despedida

Uma casa com mais de trinta guitarras, elétricas e acústicas, todo o tipo de amplificadores, sintetizadores retro, uma bateria, microfones, tambores, já para não falar em mesas de misturas e outros aparelhos topo de gama, são o sonho para qualquer banda. E em Joshua Tree, no deserto da Califórnia, há uma casa assim: a do Rancho de La Luna, onde Legendary Tigerman está a terminar as gravações do próximo disco.

No meio de tantos instrumentos, houve um que encantou especialmente os três portugueses (Paulo Furtado e os amigos Paulo Segadães e João Cabrita) que ali passaram as últimas duas semanas e meia das suas vidas: a autoharpa.

O seu som celestial, que podia ser tocado por um grupo de anjos e sereias no céu ou em alto mar, encantou a banda que decidiu incluir o instrumento, depois de devidamente afinado, em algumas das canções que ouviremos em setembro de 2017.

"Comprei-a por 10 dólares numa feira", conta David Catching, o anfitrião do Rancho e músico dos Eagles of Death Metal. Uma pechincha, pois basta ir aos sites de instrumentos em segunda mão para vermos preços a rondar os 300 dólares (282 euros).

A autoharpa faz parte do imaginário folk e country norteamericano e foi usada até pelos Beach Boys no álbum "Today!", de 1965. Para quem não é músico é difícil perceber como funciona, pois tem um sem-número de cordas e de botões, mas a Wikipédia dá-nos uma pequena ajuda: a autoharpa dispõe de uma série barras acompanhadas de amortecedores, que, quando pressionadas, silenciam todas as cordas que não fazem parte do acorde desejado.

Vale a pena fechar os olhos e ficar a ouvi-la no meio daquele deserto.