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Morreu Hugo Ribeiro

O decano dos engenheiros de som em Portugal, responsável pelas mais distintas gravações de Amália, faleceu esta noite, vítima de uma infeção pulmonar

Hugo Ribeiro nasceu em Vila Real de Santo António, há 91 anos, a 7 de agosto. Logo desde a primeira metade do século XX tornou-se no primeirissímo engenheiro de som em Portugal, desenvolvendo a sua atividade, até muito perto do fim da sua vida, nos Estúdios Valentim de Carvalho.

Com maquinaria importada dos estúdios Abbey Road, os mesmos dos Beatles e da congénere EMI, Hugo Ribeiro tornou-se figura central e fundamental da história da música portuguesa, registando em fita todos os mais importantes artistas portugueses.

Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Alfredo Marceneiro, as primeiras gerações do rock em Portugal, Fernando Lopes Graça, Marco Paulo, Álvaro Cassuto e centenas de outros artistas puseram nas suas mãos e, sobretudo nos seus ouvidos, a sabedoria de registar para a posteridade, em singles, EP, discos de 78 rpm ou 33 rpm, a sua música. O estúdio era o seu instrumento. O instrumento que deu a ouvir gerações de artistas portugueses que depois tocavam na rádio, em casa ou na televisão.

Hugo Ribeiro nos Estúdios de Paço de Arcos

Hugo Ribeiro nos Estúdios de Paço de Arcos

São inúmeras as histórias que presenciou dos grandes da música portuguesa: Amália e o seus petiscos em Paço de Arcos, Amália com Oulman, Alfredo Marceneiro a gravar de olhos vendados, apanhar Carlos Paredes distraído para gravar o melhor "take", as sessões de "Auto da Pimenta" de Rui Veloso na inauguração das novas instalações em Paços de Arcos... Dos estrangeiros, contava episódios que se passaram nos "seus" estúdios - fruto da política estratégica de aquisições de Rui Valentim de Carvalho - com Cliff Richards e os Shadows, Júlio Iglesias, Vinicius de Moraes e muitos outros.

Para trás tinha ficado o Teatro Taborda na Costa do Castelo, os estúdios da Rua Nova do Almada ou no Clube da Estefânia. Para a frente ficou uma nova geração de engenheiros de som, seus descendentes, como José Fortes e António Pinheiro da Silva. Todos somos seus devedores.