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Jeff Buckley, 50 anos: uma luz que nunca se apaga

Há 50 anos nascia Jeff Buckley, um músico intenso que nos deixou demasiado cedo. Em 2014, André Gomes tentou desvendar o mistério

A 23 de agosto de 1994 era editado Grace, o disco de estreia e o único álbum propriamente dito de um até então praticamente desconhecido Jeff Buckey. Mas este é um daqueles discos cuja história começa realmente muitos anos antes; e um documento que parece não querer ser esquecido com o avançar dos anos. Grace celebra por esta altura vinte anos de existência e o seu mistério parece ser ainda maior hoje do que ao dia do seu lançamento.

E o mesmo se pode dizer do seu culto, da sua teia de fiéis seguidores, que parece ser mais extensa agora do que em 1994. Há muitas formas de contar a história de Grace e nenhuma delas pode afirmar-se realmente como a definitiva, como a certeira, como a mais fiel. A sua complexidade parece indicar que nem todos os caminhos que foram dar até ele foram realmente conhecidos do público geral.

A sua história pessoal foi contada vezes sem conta em documentários e em inúmeros livros editados ao longo dos anos. Jeff Buckley apaixonou-se pela música quando era ainda muito novo. A sua imensidão fascinou-o desde logo. Desde muito cedo, foi devorando discos atrás de discos como uma espécie de liberdade porque a música é interminável, disse um dia. Por influência da sua mãe, uma violonista e pianista com estudos clássicos, do seu pai e até dos seus brinquedos. Foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida, disse também um dia. Muitas canções de Joni Mitchell, muitas canções de Crosby, Stills & Nash, muita música folk. E o seu imaginário foi-se construindo.

Com cinco anos, herdou uma guitarra acustica da sua avó, comprada na esperança que algum dos seus filhos lhe desse devido uso. Aos treze anos escreveu a sua primeira canção. Quando tinha 17 ou 18 anos, saiu de casa fez e fez parte de bastantes bandas de rock e reggae em Los Angeles na tentativa de ganhar algum dinheiro, nem sempre retirando daí algum tipo de gratificação artística ou criativa.

Depois de se mudar para Nova Iorque, onde se sentiu finalmente em casa, e assim que definiu a sua identidade musical, começou a tocar em todos os pequenos palcos que o quisessem acolher. O Sin-é, em East Village, acabou por se tornar a sala da sua eleição e foi aí que, semana após semana, começou a gerar um burburinho que foi como que o primeiro grande rastilho da sua ascenção meteórica.

Durante duas horas, sozinho em palco, Jeff Buckley apresentava um alinhamento que incluia versões de Leonard Cohen, Van Morrison, Led Zeppelin, Bob Dylan ou até mesmo Nusrat Fateh Ali Khan e algumas das suas canções, mostrando logo ali quão poderosa era a sua voz e a sua capacidade interpretativa. O EP Live at Sin-é, editado em 1993, serviu para documentar aquele período da vida de Jeff Buckley mas também para adensar ainda mais o mistério e interesse que se começava a gerar no público, assim como nos responsáveis de editoras que vinham a frequentar os seus concertos no célebre café de Nova Iorque.

Tudo isto sem que Jeff Buckley alguma vez reclamasse para si mesmo o nome do seu pai, Tim Buckley, o malogrado cantor que morreu em 1975, na sequência de abuso de drogas. Jeff Buckley foi sempre bastante claro na vontade de se afastar do legado do seu pai: «era a declaração dos principais princípios», diz-nos hoje Gary Lucas.

Deuses e monstros

Uma das formas possíveis de contar a história de Grace é começando pelo encontro de Jeff Buckley com, precisamente, Gary Lucas, outrora guitarrista de Captain Beefheart, que aconteceu antes mesmo de Jeff Buckley começar a tocar nas mais variadas «salas» de concertos de Nova Iorque. A colaboração entre ambos havia de resultar na composição de duas das mais reconhecidas canções do disco de estreia de Jeff Buckley, «Mojo Pin» e «Grace».

E, ironia das ironias, havia mesmo de ser Tim Buckley a juntar Jeff Buckley e Gary Lucas. É o último que conta a história: «eu fui convidado pelo produtor Hal Willner para fazer parte de um tributo ao Tim Buckley na St. Ann's Church em Brooklyn na primavera de 1991, e ele sugeriu que eu devia trabalhar com o Jeff em alguma coisa. Nenhum de nós sabia que o Tim tinha tido um filho chamado Jeff até essa altura. Mas ele tinha-se chegado à frente e ofereceu os seus serviços para prestar uma homenagem ao seu falecido pai. Um dia estava a arrumar o meu equipamento depois de um ensaio rápido na igreja e um rapaz veio ter comigo a saltar de entusiasmo, com um ar totalmente elétrico e disse: "tu és o Gary Lucas! Eu adoro a forma como tocas guitarra... e quero trabalhar contigo". O Hal sugeriu que trabalhassemos numa versão de "The King's Chain" do álbum Sefronia, do Tim, e o Jeff veio até ao meu apartamento em West Village, em Manhattan, na tarde seguinte. Assim que o ouvi cantar fiquei verdadeirmente boquiaberto. E disselhe: "Jeff, tu és uma estrela!". "A sério?", perguntou ele, o Jeff era muito tímido», confessa.

Gary Lucas viu logo ali grandes possibilidades de uma colaboração futura e levou-o a almoçar. Nesse dia o menu incluiu hambúrgueres e uma longa conversa sobre música. «Depois regressamos e estivemos a fazer uma jam em minha casa... e o resto é história», conta.

E parte dessa história é também o momento em que Gary Lucas convidou Jeff Buckley a integrar a sua banda, os Gods and Monsters. «Ele foi o melhor colaborador com o qual alguma vez trabalhei era um excelente músico. Eu não precisava de lhe dizer nada, ele era totalmente instintivo e tinha um talento natural. Tudo o que ele inventava cabia na minha música como uma luva. Eu enviei-lhe instrumentais terminados e ele voltou a mim com letras e melodias absolutamente brilhantes e apropriadas. Ele era o meu "Dream Brother", pelo menos inicialmente», conta Gary. Num livro recentemente editado, intitulado Touched By Grace: My Time With Jeff Buckley, Gary Lucas descreve uma colaboração que rendeu cerca de uma dúzia de canções (muitas delas estão incluidas no álbum Songs to No One 1991-1992, com selo da Knitting Factory).

Estado de graça

Em 1993, Jeff Buckley achou que havia chegado a altura para levar o seu disco de estreia até ao estúdio de gravação, o Bearsville Recording Studio, em Woodstock, perto de Nova Iorque. Mike Webb, que na altura trabalhava para Steve Berkowitz, o A&R de Jeff Buckley, contava em 2000 o avançar dos trabalhos e da excitação generalizada com a forma como tudo ia correndo: «todas as semanas, o produtor Andy Wallace envia-me as misturas do que tinha sido gravado, e era óbvio que aquele iria ser um álbum de estreia fabuloso», admitiu. «As sessões começaram com o Jeff a gravar tudo por ele próprio. Gravou uns trinta takes da "Hallelujah", de Leonard Cohen, e todas essas trinta versões eram muito diferentes (a versão do álbum é um composto das melhores partes de três takes). Ele gravou também três ou quatro versões de "Corpus Christi Carol", e várias versões que acabaram por não ser incluidas no álbum "Calling You", "Sweet Thing", "Night Flight" e "Alligator Wine"».

Depois, a banda de Jeff Buckley entrou em cena e as gravações finais tomaram o seu próprio curso de uma forma natural e quase mágica. O primeiro membro da banda perfeita de Jeff Buckley foi o baixista Mick Grøndahl, que ofereceu os seus serviços depois de ter visto Jeff atuar ao vivo. Jeff Buckley e o baixista fecharam o acordo depois de uma noite de improvisações que durou até altas horas da madrugada. O baterista Matt Johnson juntou-se por sugestão de alguns amigos.

Os três, começaram a ensaiar quatro semanas antes das gravações de Grace em Woodstock. Jeff Buckley disse a certa altura que os três se transformaram realmente numa banda durante esse período de tempo. O guitarrista Michael Tighe, que chegou mesmo a tempo de gravar «So Real», fechou o quarteto que mais tarde havia de apresentar o disco de estreia de Jeff Buckley nas digressões pelos Estados Unidos e Europa.

Ainda em estúdio, «Mojo Pin» e «Grace» vieram logo a seguir. Depois chegaram duas versões diferentes de «Last Goodbye», a versão de «Lilac Wine» (composta por James Shelton em 1950), «Lover, You Should've Come Over» e uma «Eternal Life» em tudo diferente da versão registada no EP Live At Sin-é. Por sentir que alguma coisa faltava ao disco, Jeff Buckley decidiu que «Forget Her» teria de saltar do alinhamento final, apesar da opinão contrária da Columbia Records. Depois de algumas lutas internas, Buckley acabou por conseguir o que queria. No seu lugar entraram duas canções à última hora: «So Real» e «Dream Brother». E assim se construiu Grace.

Acerca das gravações do disco, Jeff Buckley admitiu que a experiência de criar e tocar com uma banda era totalmente diferente do seu trabalho a solo: «toda a espontaneidade e atenção às dinâmicas do momento é aumentada quatro vezes e talvez mais ainda. É a diferença entre alguém com oito anos e alguém com vinte e oito anos: ainda tens em ti o rapaz de oito anos mas agora existem mais duas décadas à tua volta», admitiu.

Buckley começou a atuar a solo quase como engendrando uma ratoeira para encontrar a sua banda perfeita: «a minha música favorita foi sempre feita por bandas. Adoro ouvir Bob Dylan, Robert Johnson e Thelonious Monk a solo mas, na verdade, existem tantas outras áreas onde podes ir com outros instrumentos que toquem ao mesmo tempo», admitiu. Por essas e outras razões, Grace parecia mesmo ser o disco de estreia que Jeff Buckley sempre quis.

«Eu acho que ele estava satisfeito, mas é claro que também deu entrevistas a dizer que achava que era um mau disco», diznos Gary Lucas. «O Jeff era assim, muitas vezes punky e outras vezes o contrário, só porque sim. Eu acho que ele sabia que tinha criado ali uma obra-prima e estava muito orgulhoso disso», diz-nos. Para Gary Lucas, Grace é um «álbum intemporal, um clássico vivo que ainda soa fresco e vibrante vinte anos depois». A verdade é que o disco de estreia de Jeff Buckley tem vindo a apanhar seguidores vibrantes e fiéis em todas as estações, ganhando cada vez mais o estatuto de álbum de culto.

A começar pela misteriosa e poderosa imagem que lhe serviu de ilustração.

Uma imagem, mil palavras

A foto que deu origem à capa de Grace não é apenas uma fotografia. Nada com Jeff Buckley é apenas aquilo que aparenta ser. E a descrição pormenorizada de Merri Cyr, a responsável por aquele e muitos outros dísparos certeiros, confirma isso mesmo. «O styling para a capa do álbum foi essencialmente feito pelo Jeff», conta-nos. «Para a roupa, trouxe um saco tipo exército cheio com as roupas vintage dele. Parecia quase que tinha pegado em tudo e enfiado ali dentro, por dobrar e por lavar. Eu comecei a rir quando ele esvaziou o conteúdo desse saco na cama. Acho que tivemos alguém todo o dia a passar a roupa a ferro. Nessa mistura de roupas estava o casaco dourado e brilhante que podem ver na capa. Naturalmente, não pude evitar ficar de alguma forma atraída por esse casaco, uma vez que parecia algo que ele tinha tirado de dentro de um armário da Judy Garland», conta-nos.

Merri Cyr faz então um zoom ao momento em que registou a capa de Grace: «quando estavamos a tirar a série de fotografias que produziram a imagem da capa, lembro-me que o CD Horses da Patti Smith estava a tocar. Foi engraçado porque tínhamos ambos levado esse disco para a sessão fotográfica nesse dia. Enquanto estavamos a fotografar, ele estava a ouvir a Patti Smith intermitentemente, a fazer uma rotina de stand up que tinha algo de Lenny Bruce, e a fazer uma série de poses enquando comia uma banana. Com a banana, o casaco, e a parecer uma mistura entre Leonard Cohen, Judy Garland, com um bocadinho de Sid Vicious só pela piada».

Jeff Buckley e Merri Cyr ficaram perfeitamente satisfeitos com o trabalho alcançado com aquela imagem, mas o mesmo não se pode dizer dos responsáveis da Sony: «eu soube muito mais tarde que esta imagem levantou muita controvérsia», recorda Cyr. «Não foi sequer uma imagem que eu tivesse selecionado, mas quando o Jeff a viu nos negativos, apaixonou-se totalmente por ela. Ele achava que se podia ver que ele estava a ouvir música pela expressão na sua cara. Ele via-se a ouvir música», sublinha. No entender de Cyr, havia fotos muito mais interssantes na sessão daquele dia, mas deixou para Jeff Buckley a decisão final, uma vez que aquela seria a capa do seu disco. «Os executivos da Sony ficaram incomodados com o casaco brilhante porque achavam que fazia com que Jeff parecesse demasiado gay», continuou.

Outras pessoas julgaram que a imagem era demasiado a de um menino bonito.

«Eles queriam promovê-lo mais na linha da capa do Live at Sin-é, com um aspeto mais de documentário», admitiu. «Tudo o que eu sei é que o Jeff lutou com todas as suas forças e insistiu para que esta imagem fosse a capa do álbum. Em última instância, ele puxou pelos galões e não cedeu nesse aspeto com os executivos da Sony. Algumas pessoas pensam que foi o ego dele que o levou a insistir, mas mas eu acho que para ele a música era o mais importante e aquela imagem refletia de certa forma isso nele próprio», disse-nos.

Merri Cyr concorda agora que seria difícil imaginar outro tipo de imagem na capa do disco: «é a imagem icónica que ele escolheu para se definir visualmente».

A fotógrafa não identifica uma relação entre a foto e o título do disco: «quando ele estava a tentar chegar a um título para o disco, alguns dos nomes eram bastante patetas».

Para Merri Cyr, Grace era a arte de Jeff Buckley no seu estado mais puro. E era ao mesmo tempo a sua «autobiografia», o seu «tudo»: «a música era tudo».

Contudo, Merri Cyr não está certa de que Grace tenha sido o disco de estreia que Jeff Buckley sempre quis fazer: «ele era perfecionista com a sua música e nunca nada estava realmente terminado ou suficientemente bom aos seus olhos».

Mesmo assim, e apesar de tudo, «Grace era a história da sua vida». Depois do lançamento do disco, Merri Cyr seguiu com Jeff Buckley em digressão e fotografou-o nos seus momentos mais íntimos: «o Jeff passava muito tempo na estrada, não descansava e parecia viver sempre no limite. Não tratava muito bem de si mesmo». Merri Cyr não sabe se apanhou o «verdadeiro» Jeff Buckley nesses períodos de digressão: «eu apenas fotograva o que ele me deixava ver. Fotografei a versão do Jeff que se relacionava com a Merri. Isto faz algum sentido?», pergunta-nos. Claro que sim.

Toda a gente te quer

Jeff Buckley parecia ter uma energia especial, uma luz sob a qual todos queriam iluminar-se. Todos pareciam querer um pedaço dele. Gary Lucas concorda: «Jeff tinha um carisma capaz de seduzir homens e mulheres. Ao mesmo tempo, tinha um lado menos conhecido: ficava refém de estados bastante negros e melancólicos». Mas Jeff era ainda dono de um notável sentido de humor. «uma vez veio cá a casa e reparou num livro de Gershom Scholem, um autor judeu ligado ao misticismo, intitulado Kabbalah, e disse: «ei, se o Jimi Hendrix era conhecido como "Voodoo Child", tu és o "Kabbalah Child"», recorda Lucas.

Mark Eitzel conheceu Jeff Buckley num curioso episódio que ilustra bem a relação deste com o pai: «Foi no festival de Reading [em Inglaterra]. Ele tocou antes dos American Music Club numa tenda. O Vudi [guitarrista da sua banda] disse-me para lhe dizer que tinha visto o pai dele, o Tim Buckley, várias vezes nos anos 70. E o Jeff respondeu que provavelmente o tinha visto menos vezes».

Para Mark Eitzel, Jeff Buckley era «doce e puro» e estava «à procura da verdade». O líder dos American Music Club confessa-nos que sentia que Jeff Buckley e ele próprio amavam «o mesmo tipo de beleza» e lamenta a devastadora perda. Mark Eitzel escreveu «To The Sea», incluida no álbum The Invisible Man, editado em 2001, como tributo às qualidades humanas de Jeff Buckley: «ele era um homem honesto, uma pessoa bonita e tinha um coração verdadeiro. Escrevi essa canção para expressar a perda de tudo isso no mundo. A perda do espirito. Como é que tudo isso fica submerso num segundo?», questiona.

Num trágico final de tarde, no dia 29 de maio de 1997, Jeff Buckley decidiu mergulhar na água em Wolf River Harbor (um canal do Rio Mississippi), enquanto cantava o refrão de «Whole Lotta Love», dos Led Zeppelin, e desapareceu. Nesse mesmo dia, a sua banda voava para Memphis para juntar-se ao músico e trabalhar no material escrito recentemente, depois de este ter enfiado no caixote do lixo as canções de um possível segundo disco e os esboços que mais tarde seriam editados conjuntamente em Sketches for My Sweetheart the Drunk.

O seu corpo foi encontrado alguns dias mais tarde. No seu sangue não havia indícios de drogas ou álcool. A hipótese de suicídio nunca esteve sequer em cima da mesa. Num comunicado emitido após o sucedido, afastou-se categoricamente a teoria de que a morte tivesse sido misteriosa, reafirmando o excelente estado mental e emocional de Jeff Buckley.

Sem nunca elaborar muito sobre o trágico desaparecimento do músico, Gary Lucas não recusa a «excessiva pressão» que a composição e gravação do segundo disco exerceu em Jeff Buckley. Mark Eitzel concorda com Lucas e expõe o ponto de vista do criador perante as expectativas do público e os problemas que essa relação por vezes levanta: «é sempre uma pressão imensa viver das expectativas do mundo. Queres ser popular e também queres sentir que és parte da eletricidade do mundo. Toda a gente quer um pedaço de ti da mesma forma como as células brancas no sangue se seguram a um vírus. Para matar a energia. Para escoar uma parte disso para si próprio».

Apesar das dores de crescimento e do seu fim trágico, a obra de Jeff Buckley parece hoje ainda mais viva do que na altura da sua criação. As canções e a interpretação de Jeff Buckley continuam a provocar mistério e fascínio. Mas hoje todos celebram o que foi Jeff em vez do que poderia ter sido. Jeff Buckley tinha uma luz especial e há luzes que teimam em ficar acesas.

Texto: André Gomes

Publicado originalmente na revista BLITZ de setembro de 2014.