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Lady GaGa

Novo álbum de Lady Gaga: bom ou mau?

Joanne chega hoje às lojas e entre os colaboradores estão Mark Ronson, Kevin Parker dos Tame Impala, Josh Homme e Florence Welch

Joanne, quarto longa-duração da estrela pop Lady GaGa, chega hoje às lojas. Anunciado como disco inspirado na tia que nunca chegou a conhecer, Joanne é, no geral, uma coleção de canções menos expansiva, com a artista a apostar menos em excentricidades pop e a apontar em novas direções.

Coproduzido por Mark Ronson, o disco inclui colaborações de Kevin Parker, dos Tame Impala, Florence Welch, de Florence + The Machine, Josh Hoome, dos Queens of the Stone Age, Beck, Father John Misty e o parceiro de longa data RedOne, entre outros.

1. "Diamond Heart"
A abrir o disco está uma das canções mais "completas" de Joanne. "Diamond Heart" não desiludirá os fãs de sempre mas, com a ajuda da guitarra de Josh Homme, mostra cedo que este é um disco bem diferente. Destaca-se facilmente como um dos momentos mais fortes do registo.

2. "A-YO"
Escolhido para segundo single, "A-YO" volta a apostar forte na guitarra e atira a voz de GaGa para um ambiente country que acaba por contagiar muitos dos temas do disco. É uma das canções mais animadas mas não foi feita para escalar tabelas de singles. Percussão a cargo de Este Haim, das Haim.

3. "Joanne"
Guitarra acústica para uma das canções mais despidas de sempre da artista. "Stay, Joanne. Heaven's not ready for you" é, obviamente, uma homenagem sentida à tia, que sofria de lupus e morreu com apenas 19 anos. "Girl, where do you think you're going?", refrão repetido em loop, ajuda a transformar "Joanne" num dos temas mais bonitos do disco.

4. "John Wayne"
Josh Homme volta a fazer das suas (também na bateria, aqui). "Every John is just the same", canta GaGa antes de gritar "Baby let's get high, John Wayne". Assertivo e eficiente.

5. "Dancin' in Circles"
Escrita a meias com Beck, "Dancin' in Circles" é o momento mais dançável de Joanne. O ritmo tropical daquilo que parece ser uma ode ao prazer solitário podia encaixar perfeitamente num disco de Shakira, mas também imaginamos, facilmente, Madonna ou Gwen Stefani a cantá-la.

6. "Perfect Illusion"
Recebido com bastante indiferença, o primeiro single de Joanne foi injustamente menosprezado. É, obviamente, um grande tiro noutro alvo quando pensamos nas canções de rápida digestão de Artpop, mas tem tudo no sítio. Refrão explosivo e Kevin Parker, na guitarra, bateria e sintetizadores, a dar-lhe uma pitada extra de intensidade.

7. "Million Reasons"
Balada ao piano, "Million Reasons" volta a baixar o ritmo mas não entusiasma tanto quanto poderia. O potencial está lá e, certamente, ao vivo, ganhará outra vida.

8. "Sinner's Prayer"
Co-escrito com Joshua Tillman, que o mundo conhece melhor como Father John Misty, "Sinner's Prayer" segue a meio gás, virando o ponteiro novamente para a country, mas é pouco memorável.

9. "Come to Mama"
Canção para musical com poucas plumas e lantejoulas, "Come to Mama" é genérica e volta a não marcar uma posição forte.

10. "Hey Girl"
Era uma das canções mais aguardadas de Joanne por contar com a participação de Florence Welch. Tingido de sintetizadores e uma ou outra corda bem ao jeito de Florence + The Machine, o dueto segue entre promessas de amizade eterna no feminino e, apesar de não ser imediato, vai crescendo de audição para audição.

11. "Angel Down"
RedOne - homem que assinou a produção de alguns dos maiores sucessos de GaGa, "Just Dance", "Poker Face", "Bad Romance" - volta a trabalhar com ela num tema bem diferente. "Angel Down" encerra Joanne em modo baladeiro e arranca à artista uma das prestações vocais mais seguras do disco.

Joanne não é a explosão de fogo de artifício a que Lady GaGa habituou os seguidores. As canções, segundo a própria, são as mais pessoais que alguma vez escreveu, mas quando comparadas com tudo o que fez para trás empalidecem e não entusiasmam.

Se estivermos dispostos a ouvi-lo sem pensar demasiado na música a que nos habituou, o álbum é consistente e, apesar de apontar em direções muito diferentes, revela escolhas interessantes. Claro que a expectativa, tendo a artista recrutado um batalhão de artistas de primeira classe para ajudá-la, estava insuflada e, num todo, o resultado fica aquém, mas é bom ver que não tem medo de arriscar e fazer diferente.