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Miguel Araújo explica a sua saída d'Os Azeitonas

À BLITZ, músico do Porto afirma que a decisão estava tomada desde o início do ano, mas não se desligará completamente da banda

Os Azeitonas comunicaram ontem a saída do membro fundador Miguel Araújo. A banda do Porto justifica a decisão com a impossibilidade de "conciliar agendas": "tornou-se uma tarefa muito difícil. Depois, herculeana. Até se tornar impossível".

Recorde-se que Araújo, guitarrista e principal compositor e letrista do grupo, encetou em 2012 uma carreira a solo, do qual fazem parte dois álbuns de originais bem sucedidos, Cinco Dias e Meio (2012) e Crónicas da Cidade Grande (2014). Desde então, o músico tem conciliado a sua agenda a solo com a da banda onde militava desde 2002 (os álbuns ao vivo Serviço Ocasional, dos Azeitonas, e Cidade Grande ao Vivo, de Araújo a solo, lançados no ano passado, são testemunho gravado dessa "vida dupla"). A estas duas vertentes, juntou-se este ano um espetáculo a meias com António Zambujo, levado aos palcos de todo o país, destacando-se o número inédito de concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto: 28, no conjunto das duas salas.

À BLITZ, Miguel Araújo explica o porquê da sua saída da banda, lançando luz sobre o que - em texto publicado no Facebook hoje de manhã - designa, genericamente, de "um novo ciclo da minha vida". Apanhando de surpresa os fãs da banda, a decisão estava, admite, tomada desde o início de 2016: "tivemos uma conversa porque estava a ser difícil avançar com o ritmo normal da banda. Eu tinha os meus concertos a solo e estava já com uma carrada de datas marcadas com o Zambujo. Numa reunião [para debater o tema], perfilaram-se várias hipóteses e o que se decidiu em conjunto foi que eu iria fazer os concertos deste ano, mas depois não faria mais parte". Além dos restantes integrantes da banda (Marlon, João Salcedo, Nena), também os músicos que a acompanham na estrada ficaram, desde logo, "a par destes planos".

Quando questionado sobre a razão da sua saída, Araújo é célere na resposta: "foi uma questão de tempo, não tenho tempo para tudo". "Uma banda tem uma agenda própria que não se compadece com as ausências permanentes de um membro", acrescenta, reconhecendo que "a partir do meu segundo disco, começou a ser difícil [conciliar]. E não dá para estar numa banda a meio gás".

Referindo-se à produção recente de Os Azeitonas, Miguel Araújo sublinha o seu envolvimento no single "Cinegirasol", lançado em abril deste ano ("canto, toco, compus a música, escrevi a letra"), mas adianta que em duas canções "que ainda estão para sair" a sua participação foi muito menor ("numa nem sequer toco"). "Houve um certo período de desmame ao longo deste ano", refere, sublinhando que a banda irá agora lançar singles sem pensar em álbuns - curiosamente, continua a falar em "nós".

Salientando a natureza amigável da separação, o músico deixa a porta aberta a futuras colaborações: "está previsto que possa continuar a colaborar com eles, em letras e músicas, apesar de nada estar detalhado nesse sentido". O abandono não é, pois, assumido peremptoriamente: "o futuro está em aberto, eu saí da banda, mas qualquer dia poderei até voltar, não é daquelas coisas em que houve uma zanga, ou um que foi viver para o Brasil, ou que outro morreu. Simplesmente, nesta altura não existem mais condições para eu continuar na estrada e a [corresponder] ao que uma banda exige".

Esta decisão não responde, segundo Araújo, a uma perspectiva de intensificação da sua carreira a solo ou a qualquer projeto paralelo (envolvendo ou não António Zambujo) que se avizinhe. "É mais uma resposta aos dois anos que estão para trás do que aos que hão de vir", adverte. 2015 e 2016 fizeram mossa: "foi um ritmo de estrada demasiado puxado para o que eu pretenderia. Não quero que a minha vida seja dar 100 concertos num ano, como está a ser. Adoro tocar ao vivo, mas não adoro ter um concerto meu num dia, dos Azeitonas no outro, depois uma semana com o Zambujo... Tive problemas de voz, sinusite, cansaço extremo, fui operado o ano passado... A solo, se me apetecer parar uns tempos, paro. Numa banda não posso dizer 'agora durante um ano não contem comigo'".

Em estúdio, é certo que o músico não parará. "Estou a compôr músicas para um novo álbum meu, estou a gravá-las, inclusive, mas não sei quando é que [o disco] vai sair, como é que se vai chamar... Estou aí. Sempre que o amor me quiser, basta fazer um sinal". (risos)