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Angus Young em Portugal, 2016

Rita Carmo

AC/DC: chegou a altura de dizer adeus?

Com a reforma de Cliff Williams, Angus Young está praticamente sozinho. Da banda de 2014 (não vamos mais longe!), resta… ele

Chegou finalmente ao fim a digressão Rock or Bust, dos AC/DC, baseada no álbum com o mesmo nome, editado em 2014. Uma digressão que deixou, no final, um amargo de boca - e não pela saudade de ter terminado, mas sim pelas dúvidas que levanta: que acontecerá, agora, aos AC/DC numa altura em que Angus Young é o único elemento da formação "clássica" que resta?

Esta tour que agora terminou em Filadélfia (e que passou por Portugal) e o período que a antecedeu foram, possivelmente, o maior teste de força que os AC/DC já tiveram na sua história, suplantado apenas pela morte de Bon Scott. De 2014 a 2016, tudo pareceu acontecer à banda australiana. Mas esta foi-se reerguendo, pouco a pouco, até culminar na saída final do baixista Cliff Williams.

Tudo começou ainda antes do grupo editar o seu último trabalho. Em abril de 2014, o guitarrista Malcolm Young, membro fundador da banda e responsável por muitos dos riffs que os fãs aprenderam a amar, foi forçado a retirar-se após ter sido diagnosticado com demência. Porém, o caso foi resolvido em família; Malcolm foi substituído por Stevie Young, seu sobrinho.

A partir daí os AC/DC começam a ruir. Em novembro desse mesmo ano, o baterista Phil Rudd era preso, acusado de posse de droga e de ameaçar de morte um antigo funcionário. A detenção levou-o a sair da banda, falhando assim a digressão, e forçando os AC/DC a apoiarem-se, novamente, em Chris Slade, baterista do grupo entre 1989 e 1994.

Mas ao passo que estas "substituições" foram mais ou menos aceites pelos fãs do grupo, a que lhes sucedeu fez estalar a polémica. Já este ano, o vocalista Brian Johnson, que havia emprestado a voz ao grupo desde a morte de Bon Scott, foi forçado a retirar-se dos palcos após aconselhamento médico - caso continuasse, arriscava-se a ficar surdo. Para o seu lugar, foi escolhido Axl Rose, de novo sob os holofotes do mundo rock após o anúncio do regresso da formação clássica dos Guns N' Roses.

Foi, para muitos, um sinal claro de que os australianos já deram o que tinham a dar. Mas a banda persistiu, por entre o coro de críticas, que se foi dissipando ao longo da etapa europeia da digressão Rock Or Bust, com Rose a colher vários elogios. Mas o vocalista nunca foi mais do que uma solução temporária; com o fim da tour, o seu tempo nos AC/DC chegou também ao fim.

Agora, é a vez de Cliff Williams, que levava quase 40 anos de banda. A sua saída acaba por ser a mais "pacífica" de todas; não sofre de qualquer maleita, não teve quaisquer problemas legais. Simplesmente, achou que o seu tempo havia chegado ao fim, e pediu a reforma de modo a passar mais tempo com a sua família.

Uma reforma que, agora, muitos também pedem a Angus Young, para que a imagem da banda não saia (ainda mais) prejudicada. Mas é certo que nunca é fácil abandonar o rock n' roll. E o que passa pela cabeça de Angus Young só ele o poderá explicar. Entretanto, a dúvida permanecerá... Quo vadis, AC/DC?