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De Braga a Budapeste: o melhor dos Mão Morta em 12 gumes aguçados

Uma lista com 12 dos temas que melhor explicam a trajetória dos Mão Morta

Na história do rock português, nunca houve uma banda como os Mão Morta, que fosse capaz de se reinventar a cada passo e englobar vários estilos de álbum para álbum. A banda bracarense, que celebrou 30 anos de vida em 2014, pode perfeitamente ser descrita tal como o mítico radialista John Peel descreveu os The Fall de Mark E. Smith: "sempre diferentes, sempre os mesmos".

O que se segue é uma lista com doze dos melhores temas dos Mão Morta, desde os seus primórdios até hoje, e que ajudam a explicar um pouco a história do grupo encabeçado por Adolfo Luxúria Canibal. De Braga a Budapeste, das facas ensanguentadas às horas de matar: eis o percurso dos Mão Morta, para ouvir em baixo.

"Abandonada" - Mão Morta (1987)

O início de tudo. No meio de vários temas clássicos numa só cassete, este é o que melhor capta aquilo que os Mão Morta se viriam a tornar: uma banda entre o rock e o poema, entre o experimentar e a crueza das guitarras.

"Facas em Sangue" - Corações Felpudos (1990)

O sangue é algo presente nos Mão Morta desde sempre, eles que sabem cantar a violência como ninguém. De "Facas em Sangue", tema presente no seu segundo disco, fica-se sobretudo com o riff e o último verso: Ficava a lua, ficava o luar azul a reflectir perigosamente nas lâminas nas facas ensanguentadas dos adolescentes...

"Anarquista Duval" - O.D., Rainha do Rock & Crawl (1991)

Não incluir "Anarquista Duval" numa lista com os melhores temas dos Mão Morta era rejeitar a sua faceta libertária - outro dos lados que ajudou a construir a sua imagem. Aqui, a canção surge numa das suas versões mais "metálicas".

"Budapeste (Sempre A Rock & Rollar)" - Mutantes S.21 (1992)

A "canção" por excelência dos Mão Morta. Foi com "Budapeste" (e Mutantes S.21) que a banda correu em direcção ao mainstream... Para depois voltar para trás, rejeitando tudo o que isso implicava.

"Visões-Ficções (Nostradamus)" - Variações - As Canções De António (1993)

Filhos de Braga, os Mão Morta foram, em 1993, parte de um grupo de artistas que homenageou um dos grandes artistas a ter saído da cidade minhota - Variações, pois claro. A versão dos Mão Morta para "Visões-Ficções" colaca-a - como se tal fosse fosse possível - num patamar ainda mais apocalíptico.

"Cães de Crómio" - Cães de Crómio (1994)

Também presente em Vénus em Chamas, este é o tema em que os Mão Morta decidem que também não há problema em fazer dançar; ainda há guitarras, mas o mérito todo da faixa está na sua toada acid, cruzando rock e electrónica com mestria.

"É Um Jogo" - Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina O Ar Se Tornou Irrespirável (1998)

Depois de aliarem a sua música aos poemas de Heiner Müller, os Mão Morta lançavam em 1998 o seu álbum mais marcadamente político. Inspirados pelo situacionismo e por Guy Debord, têm em "É Um Jogo" quase que como uma bandeira branca em relação à sociedade moderna, ao grande capital, ou até mesmo à vida em si.

"Arrastando O Seu Cadáver" - Primavera De Destroços (2001)

Nas canções dos Mão Morta não se ouvem apenas instrumentos; visualizam-se histórias. "Arrastando O Seu Cadáver" é um desses casos mais extremos, com Adolfo Luxúria Canibal a descrever na perfeição um cenário de um horror surreal.

"Vertigem" - Nus (2004)

De Nus também se poderia retirar a épica "Gumes", tema com mil temas dentro de si; mas é o fervor adolescente de "Vertigem" aquele que mais nos bate de frente, tendo o tema ficado para sempre ligado ao célebre discurso de Adolfo no festival de Paredes de Coura, em 2007.

"Sobre, Querida, Desce" - À Sombra De Deus - Volume 3 (2004)

Uma canção dedicada aos varões de todo o mundo, com um loop Falliano e o registo vocal de Adolfo Luxúria Canibal a conferir-lhe o grau exacto de lascívia. Os Mão Morta não eram só aquilo que os seus discos mostravam; também há ouro nas várias compilações em que foram aparecendo.

"Tiago Capitão" - Pesadelo Em Peluche (2010)

Uma das melhores histórias contadas pelos Mão Morta, sobre - sobretudo - a liberdade, um conceito que tanto lhes é querido. Um piano chega para dar o ambiente necessário à letra. Foi, talvez, a faixa mais elogiada de Pesadelo Em Peluche, disco com o qual regressaram ao verso próprio seis anos após Nus e poucos após Maldoror.

"Os Ossos De Marcelo Caetano" - Pelo Meu Relógio São Horas De Matar

O single que também dá nome ao álbum pode ter gerado alguma polémica, mas para lá de quaisquer interpretações sobre assassinatos políticos há o regresso de uma certa toada industrial à sonoridade dos Mão Morta - tudo envolto na ironia da frase repetida ad infinitum por ALC neste tema em concreto.

  • Mão Morta: sangue, suor, sémen e algumas lágrimas

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    Em 2010, assinalando um quarto de século da sua banda de sempre, Adolfo Luxúria Canibal deu-nos uma grande entrevista que agora recuperamos: a infância em Vieira do Minho, uma Lisboa “universitária” desoladora mas cheia de sexo, o Rock Rendez Vous onde chorou pela última vez a ver um concerto, dealers marados e as facadas da praxe