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Jacco Gardner fala a língua franca do psicadelismo

O músico holandês desfilou, no palco Vodafone FM, as suas canções ora amorosas e singelas, ora dadas às jams mais psicadélicas

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

De figura miudinha e longo cabelo louro, o holandês Jacco Gardner faz lembrar, se visto à distância, o Beck de Sea Change. De guitarra acústica em punho, o cantor e compositor, que se fez acompanhar por uma banda de quatro músicos, tem a mesma habilidade que o norte-americano para escrever canções delicadas e extremamente melodiosas; noutras ocasiões, opta por improvisar com a sua banda, levando o seu foguetão psicadélico por viagens relativamente longas, nas quais o público aprecia embarcar.

É justo dizer que, num festival por onde têm passado - e brilhado - bandas como King Gizzard & The Lizard Wizard, Thee Oh Sees e até Ryley Walker, o psicadelismo é uma língua franca em Paredes de Coura. A modalidade que Jacco Gardner melhor domina é, grosso modo, mais doce do que a dos seus companheiros de cartaz, apostando forte em harmonias vocais e temas sonhadores (por vezes literalmente, como em "Brightly": "In the beautiful light find the darkness, it hides / Shining brightly it seems while it's cold in my dreams".

Provável fã de Syd Barrett ou Nick Drake, Jacco Gardner vai ocupando o palco secundário com nuvens cor-de-rosa em forma de canção ("Puppets Dangling", "Chameleon") e uma postura bem-disposta e descontraída que manteve o público do seu lado, mesmo quando no palco principal começaram a tocar os ingleses Vaccines.