Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Os Bons Sons de Tiago Pereira (A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria): “Há dez anos, havia vergonha de cantar em Português”

O divulgador e músico explica o que mudou em dez anos de existência do festival Bons Sons, evento que regressa de 12 a 15 de agosto

Após ter passado a festival anual com a edição de 2015, o Bons Sons celebra este ano os seus dez anos de existência, juntando uma vez mais, no seu cartaz, alguns dos nomes que melhor compõem a bem viva cena musical portuguesa. Uma cena que tem estado em constante crescimento e evolução, e que tem sido celebrada pelo festival desde a sua génese.

Que mudou, afinal, na música Made in Portugal ao ponto de ser possível organizar grandes festivais com recurso exclusivo a matéria-prima nacional? Tiago Pereira, divulgador musical e autor do projeto A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria sendo da sua responsabilidade um dos palcos presentes no festival Bons Sons, por onde passarão nomes como Adufeiras de Paúl, Alentejo Cantado e Diego Armés, destaca o facto de, hoje em dia, existir muito mais gente a cantar em português. «Acho que há dez anos atrás havia uma espécie de vergonha [em cantar em português]. Com o B Fachada, a Amor Fúria e a FlorCaveira as pessoas perceberam que a métrica de cantar em português não era assim tão complexa», explica.

Não que o Bons Sons se faça apenas com a língua portuguesa. Ainda que os destaques óbvios sejam a presença de Carminho, Deolinda e Jorge Palma, por ali também passarão, este ano, nomes como os Birds Are Indie, Da Chick ou Keep Razors Sharp, para além daqueles que nem sequer precisam de voz, casos dos Sensible Soccers ou dos artistas que a editora Príncipe colocou no festival: DJ Lilocox, Niagara e Puto Márcio.

A oferta surpreende não só pelo facto de ser inteiramente lusa, mas também pela sua variedade sonora. Do fado ao rock, da eletrónica mais dançante a projetos mais experimentais, há de tudo um pouco no Bons Sons. Muitos deles têm sido captados pela lente de Tiago Pereira, ao longo dos últimos anos. «Há uma diversidade muito maior de projetos. É um fenómeno interessante, e que passa muito pelos festivais», justifica.

E em que ponto se situa o Bons Sons nesta diversidade, neste crescimento e vitalidade? Tiago Pereira não tem dúvidas: o Bons Sons é «o» festival por excelência. «Com "o" grande», sublinha. Uma das razões para um entusiasmo tal é, aponta, o facto de se situar na pequena grande aldeia de Cem Soldos. «[No Bons Sons] vês toda a gente a participar. Essa participação muda o festival, e não é restrita ao mesmo; há coisas a acontecer todo o ano. O Bons Sons não é apenas um motor, há coisas que começam e que acabam com o festival», afirma.

De facto, se há algo que o Bons Sons conseguiu ao longo destes dez anos para além de ajudar ao crescimento da música em Portugal foi ter colocado Cem Soldos, perto de Tomar, no mapa. O posicionamento tem resultado: cerca de 37 mil pessoas passaram pelo festival em 2015, números que impressionam. 2016 deverá assistir a nova enchente, até porque o ambiente é de festa de aniversário. Os passes gerais estão à venda por 38 euros, sendo que o preço do bilhete diário é de 17 euros.