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Rita Redshoes promete disco “muito feminino”, que inclui uma canção sobre os refugiados na Europa

A cantora e compositora esteve em Berlim a gravar o quarto álbum a solo, que inclui pela primeira vez canções em português

O próximo álbum de Rita Redshoes, com edição prevista para novembro, é considerado pela autora como "um disco muito feminino".

"É provavelmente o disco onde, de forma mais confiante e clara, me ponho em perspetiva enquanto mulher na música, enquanto o que será ser mãe, porque não sou, o espaço da mulher e do homem, diferenças, o que se conjuga e o que não se conjuga. É um disco muito feminino, onde abordo o tema sob várias perspetivas e deixo imensas questões", disse a cantora à agência Lusa, em Berlim.

Rita Redshoes esclarece que "mais do uma crítica aos homens", o álbum surge como uma autorreflexão do papel da mulher e das diferenças, que "não são respeitadas no sentido emotivo, são catalogadas, são arrumadas".

"Há um lado feminista, não vou negar", disse a cantora, acrescentando que acredita "na capacidade do ser humano aceitar as diferenças do outro, sejam elas raciais, religiosas ou de género". "A igualdade é impossível, há imensas diferenças. Óbvio que já sofri isso na pele e deixo algumas perguntas para mim própria e para quem quiser ouvir a música e as letras", acrescentou.

O disco, com produção do australiano Victor Van Vugt, conhecido por trabalhos com PJ Harvey, Nick Cave, Depeche Mode, Gogol Bordello, The Pogues e Sonic Youth, tem estreia prevista para início de novembro, contando com o lançamento de uma primeira música em setembro.

É a primeira vez que Rita Redshoes grava fora de Portugal, confessando que um dos receios de colaborar com um grande nome da produção musical era "deixar de ter mão" nas suas canções. Contudo, garantiu que "tem sido muito especial" trabalhar com Van Vugt.

"Acho que o Victor é uma pessoa muito sensível, muito inteligente emocionalmente e acho que isso é uma das grandes características dele, o que um produtor musical tem de ter. Tem de haver uma leitura profunda e contextualizada de que pessoa é que temos ali à frente, que canções são estas que vieram daquela pessoa e sinto-me completamente compreendida, com uma grande empatia, muito respeitada", acrescentou. A artista portuguesa gravou treze canções nos estúdios de Riverside, no bairro de Kreuzberg, em Berlim, estando ainda em aberto o número de faixas a figurar no disco.

A intérprete revelou que o disco incluirá as músicas 'Mulher', 'Vestido', ' Seahorse' e 'Bag of Love', estando a última relacionada com a crise dos refugiados na Europa. "Por momentos, foi como se eu me tentasse pôr num daqueles barcos e imaginar o que seria ter de sair de casa com a roupa que tinha no corpo e de coração partido e tentar encontrar um sítio onde consiga respirar e onde haja alguma segurança. Essa canção fala especificamente de uma mulher que sai de casa com um saco e eu espero que ela encontre amor nesse saco", explicou.

Além da gravação dos pianos, sintetizadores, omnichord, guitarra acústica e vozes do disco, a cantora é responsável pelas letras e composição das músicas, tendo escrito uma delas a meias com Pedro da Silva Martins, compositor dos Deolinda.

A tournée em Portugal já está a ser marcada para final de outubro, com passagens previstas por Aveiro, Lisboa e Porto.

Lusa