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Rita Carmo

Carminho grava Tom Jobim com Chico Buarque e Maria Bethânia

O próximo álbum de Carminho, gravado no Rio de Janeiro, é integralmente preenchido com canções compostas pelo mestre da bossa nova

“Foi a Ana Jobim, mulher de Tom Jobim, quem me sugeriu um disco com canções de Tom Jobim”, disse Carminho um dia depois de ter atuado no festival Cool Jazz, nos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, com Marisa Monte. As gravações do álbum já tiveram início e serão concluídas na primeira semana de setembro.

Entre os convidados contam-se Chico Buarque, Maria Bethânia e, claro, Marisa Monte. A ideia de um disco com um alinhamento integralmente composto por canções de Tom Jobim, autor de êxitos como “Garota de Ipanema”, “Insensatez”, “Água de Beber”, “Corcovado” ou “Samba de Uma Nota Só” surgiu numa das muitas idas de Carminho ao Brasil e após ter conhecido muitos artistas da música brasileira e várias pessoas do meio musical, como Ana Jobim, viúva do compositor brasileiro falecido em 1994.

Em estúdio, a acompanhar Carminho, que por diversas vezes atuou ao vivo com artistas brasileiros como é o caso de Milton Nascimento, Marisa Monte ou Chico Buarque, vai estar a última banda de Tom Jobim, composta por músicos que pertenciam à sua família, como o diretor musical Jaques Morelenbaum (que produziu discos, entre muitos outros, de Caetano Veloso e Mariza), Daniel Jobim (neto) e Paulo Jobim (filho). O álbum, que deverá ter selo da brasileira Biscoito Fino, tem lançamento agendado para novembro.

O reportório foi escolhido, “na perspectiva da interpretação”, disse Carminho, que preteriu alguns temas em favor da “poesia que pudesse ser cantada no português de Portugal”. O sotaque de Portugal, confidenciou ainda a cantora portuguesa, “empresta novidade” a estas versões. Carminho confidenciou ainda “ter aprendido imenso porque na bossa nova tudo parece muito simples, mas é bastante complexo”.

Os convidados do novo álbum, ainda sem título definido, foram escolhidos pelo facto de terem uma forte ligação a Tom Jobim, “que eu não tenho”, sublinhou, como é o caso de Chico Buarque, Maria Bethânia e Marisa Monte, “que é de uma geração mais nova”. “Senti-me como se estivesse a receber a passagem do testemunho”, confidenciou ainda Carminho, que acrescentou ter sido “muito bonito” estar em estúdio com Bethânia. Falou ainda da “grande emoção” que marcou o reencontro com Chico Buarque, com quem, logo em 2013, cantou “Sabiá” nos Prémios da Música Brasileira.

Originalmente publicado na edição do Expresso de 30 de julho