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Bons Sons

Carlos Manuel Martins

Os Bons Sons de Hugo Ferreira (Omnichord Records): “Não encontro outro país com tão boas novas bandas”

O promotor e editor exalta a heterogeneidade do festival, que “vai a todas, mas só vai aos melhores”

Hugo Ferreira, da editora de Leiria Omnichord Records, que este ano terá no festival Bons Sons André Barros, Few Fingers e Les Crazy Coconuts, falou à BLITZ sobre a sua perceção da evolução da música portuguesa nos últimos anos no que diz respeito à maior abertura à música portuguesa por parte do público e da indústria.

"Se olharmos para os cartazes dos festivais há uns 10 anos, que foi quando começou a haver uma presença maior de bandas portuguesas em festivais, eram sempre bandas que iniciavam o dia, nunca cabeças de cartaz ou que ombreassem com nomes internacionais", começa por dizer, "depois começou a haver alguns regressos interessantes, como o dos Ornatos Violeta, e o surgimento de alguns nomes maiores, como os Buraka [Som Sistema], que realmente nos fizeram pensar, pela quantidade de público que arrastavam".

O produtor e editor destaca a qualidade da música feita em Portugal neste momento, "o público está a ir massivamente a concertos de projetos portugueses, já acabou muito aquela fixação do 'é português, não gosto'. E há outra coisa... Em Portugal, está a produzir-se música com uma qualidade imensa, de todos os géneros. Há um ressurgimento do fado, das tradições, e o indie, a pop e o rock estão a um nível incrível. E falo de projetos oriundos de todo o país, não só daquelas músicas que têm algum destaque nalguma imprensa". Hugo Ferreira salienta ainda que "por outras funções, tenho andado em alguns festivais internacionais e o que noto é que não encontro um outro país com tão boas novas bandas como as que aparecem em Portugal".

"Consegue-se fazer música de uma forma que se calhar não se consegue em mais ponto nenhum do universo: temos este triângulo entre a África, a América e a Europa que nos permite inventar e recriar muito mais", acrescenta, "nisso, o Bons Sons é um exemplo incrível, porque tão depressa temos a nova eletrónica como a tradição antiga, tanto temos projetos a cantar em português como em inglês. O Bons Sons vai a todas, mas só vai aos melhores, o que é uma coisa muito curiosa".

Sobre o festival de Cem Soldos, salienta ainda: "foi e continua a ser pioneiro. É muito fácil fazer um festival só de pop/rock ou só de metal ou só de dança, agora transversal… E manter-se dez anos depois e sempre a crescer". É também de louvar, diz, o facto de o evento "não ter marcas nem sponsors. Tudo é feito por pessoas da aldeia, o que é tremendo. A comissão de receção são os miúdos da aldeia, que andaram a estudar durante um ano como se recebem as bandas. Quem trata do alojamento é uma miúda da aldeia, quem trata do catering também. São eles que estão a apoiar a malta do som, por exemplo. Já estão a aprender e para o ano se calhar começam a ser roadies em vez de serem só observadores. Este fenómeno é algo incrível e único".

A rematar, Hugo Ferreira declara: "pessoalmente, se me perguntassem qual o festival mais genuíno em Portugal, é provavelmente o Bons Sons". "E é engraçado porque aqui na zona centro há três festivais muito específicos: o Bons Sons, o Entremuralhas e o Reverence. São três exemplos muito paradigmáticos de como os festivais conseguem, sendo diferentes, ter uma personalidade muito própria e uma base de pessoas fixa".