Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Calexico no NOS Alive: Os meninos dançam, e de que maneira

Uma autêntica festa foi o que a banda de Tucson, Arizona, deu no palco Heineken. E o público soube retribuir a entrega e a musicalidade, num concerto emocionante

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

A certa altura do seu concerto no palco Heineken, diz Joey Burns, vocalista e guitarrista dos veteranos Calexico: "Parece mesmo que estamos em Tucson, no Arizona", referindo-se à certamente quente cidade onde esta banda nasceu, há já 20 anos.

Não sabemos se Mr. Burns, um dos "pais" dos Calexico, a par do homem da bateria mágica, John Convertino, se referia à temperatura do ar - altíssima - ou ao calor humano que o público soube emprestar a um dos melhores concertos que vimos nesta edição do festival. Em qualquer dos casos, soou a elogio entusiasta e justificado.

Em palco, os Calexico são muitos e, pelo som que produzem, parecem muitos mais. Há trompetes esfusiantes, teclas e violoncelo, maracas e acordeão ; há uma música" que cheira a cinema e a fantasmas, a romance e a estrada. Há, acima de tudo, uma banda formidável que, com base no domínio superior da sua arte e na longuíssima experiência de palco, sabe construir um espetáculo riquíssimo em ambiente e texturas.

De um "simples" concerto de festival, os Calexico conseguem fazer uma festa impressionante, na qual o público participa com toda a vontade. "Black Heart", "Splitter", a versão dos Love, com "Alone Again Or" - todos os trunfos valem ouro nas forma como Burns, Convertino e companhia (destaque para o trompetista e cantor Jacob Valenzuela, mas não só) erguem um espetáculo que brilha, também, pela diferença: num festival onde o rock de guitarras ainda é rei, estas cumbias, rumbas e delírios mariachis destacam-se e contagiam.

Pelo nosso bloco de notas passaram ainda "Bullets and Rocks", "All Systems Red" (com um final absurdamente rock) ou "Inspiracion", mas tudo se reduz a uma comoção profunda quando os Calexico se decidem despedir-se da plateia excitada com "Crystal Frontier", talvez a sua melhor canção de sempre, e "Guero Canelo".

"Foi uma honra estar neste festival tão incrível", disse, no final, Joey Burns, antes de desejar boa sorte à equipa portuguesa, amanhã, na final do Euro. A honra de assistir a um concerto deste calibre - num palco que os tem tido muitos, e muitos bons - foi toda nossa.