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10 perguntas a Grimes, que hoje se estreia em Portugal: de Bowie a “Star Wars”

É uma das vozes mais singulares e inventivas da pop desta década. Discípula de David Bowie, tanto canta com Janelle Monáe como escreve para o novato australiano Troye Sivan. Em entrevista, revela-nos que não há qualquer género musical que a faça pensar “isto não quero fazer”. Atua hoje no NOS Alive, a partir da 1h30

Olhando para o seu trabalho, encontramos coisas que nos levam até ao Bowie do início dos anos 80. Ziggy Stardust e Aladdin Sane fazem parte da árvore genealógica de Grimes?
Calculo que sim... Talvez de forma mais teórica, penso. Tendo a evitar o mais possível influências diretas.

O que significava David Bowie para si? Consegue avaliar a influência que ele tem na sua própria música?
Estou muito perturbada com a sua morte. Mas posso dizer que ele é, provavelmente, o músico favorito do meu pai e que, portanto, esteve bastante presente na minha educação. Ele era louco, mas dedicado ao profissionalismo e à qualidade. A maior parte das pessoas pende fortemente para um lado ou para o outro.

Disse numa entrevista ao Guardian que é muito mais estranha no dia-a-dia e que Grimes «é mais apetitosa para humanos». Normalmente, os artistas exageram traços da sua personalidade... Gosta de evitar o óbvio?
Penso que sim... Mas, acima de tudo, o que quero é evitar ofender alguém ou assustar as pessoas.

Assume que gravita num «espaço neutro em termos de género». Os homens e as mulheres são muito mais parecidos do que aquilo que nos ensinam?
Claro.

E acredita que essa separação entre géneros está a diminuir a bom ritmo ou que já deveríamos ter deixado de pensar em cor-de-rosa e azul e carros e bonecas como opostos?
Não sei. Sistemas binários também podem ser bons. Não precisamos de pensar no que quer que seja de forma particular. Todos os humanos são diferentes. Deveríamos apenas evitar certezas absolutas e julgamentos.

Em novembro passado, partilhou um tweet de Arca sobre o álbum Mutant... Podemos esperar uma colaboração no futuro?
Provavelmente não vou voltar a trabalhar com produtores, porque das duas vezes que o fiz estraguei irremediavelmente os muitos anos que levei a tentar provar às pessoas que produzo o meu próprio material. Dito isto, o Arca é fabuloso. Respeito-o muito.

É fã da saga Star Wars. Qual é a sua personagem favorita?
Por estranho que pareça, não tenho uma personagem favorita do Star Wars. Quer dizer, até certo ponto, são o Han Solo e o R2D2, mas penso que uma das coisas boas acerca do Star Wars é que todas as personagens são ótimas e trabalham bem em conjunto. Para dizer a verdade, gosto de muitas das novas personagens. O Finn, o Kylo Ren e a Rey podem ser meus favoritos, de certa forma.

O que sentiu quando soube que Art Angels tinha sido considerado por várias publicações um dos melhores álbuns de 2015? Este tipo de afirmação tem algum valor para si?
Não penso que signifique grande coisa para mim. Ahah! Sei que isto soa bastante mal, mas não consigo levar verdadeiramente em consideração a forma como os outros avaliam o meu trabalho, por razões de saúde mental. Isso pode levar a problemas. Muita da minha arte favorita foi produzida por pessoas que eram amplamente detestadas e ostracizadas no seu tempo, portanto independentemente de os outros verem o meu trabalho como bom ou mau, tenho de me forçar a não dar importância. Posto isto, as crianças experienciam a música de forma muito pura. Quando elas gostam, eu sinto-me bem.

O que quer da música hoje é o mesmo que queria quando começou a sua carreira?
Não. Para mim, a música funcionava mais como escape quando comecei a produzir. Agora é mais um desafio, como subir ao Monte Evereste (no bom sentido). Tudo é deliberado, público e esforço-me para que seja tão bom quanto possível, porque é o meu trabalho e a minha vida. Tenho de encarar tudo de forma diferente e de ter muito mais fé naquilo que faço porque o centro da minha existência é baseado nisso. Antes era só um hobby. Talvez o «namoro» tenha morrido um pouco, mas outra coisa nasceu.

Já está a pensar ou a trabalhar em música nova?
Sim e não. Estou a ruminar muito, mas ainda não gravei grande coisa.

Originalmente publicado na BLITZ de março de 2016